Amô

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E eu me pergunto por que eu me derrubo

Para ser reconstruído

Oh, espero que de alguma forma eu acorde jovem de novo

Tudo o que resta de mim mesmo

Buracos em minha falsa confiança

E agora eu me deito

E espero acordar jovem de novo

False Confidence - Noah Kahan

Abri o pequeno frigobar no estúdio. Quando fechei a porta depois de pegar uma garrafa de água, vi o calendário que preguei na porta. No dia seguinte completaria onze meses desde que assinei meu divorcio e moro no local em que trabalho. Onze meses desde a última vez que vi Sabrina.

Me virei para voltar à mesa e trabalhar mais um pouco porque ainda são apenas oito da noite, mas travo instantaneamente com o som de alguém entrando no estúdio. Maldito esquecimento. Como pude deixar a porta do estúdio aberta até àquela hora?

— Posso ajudar? — perguntei incerto à mulher parada no meio do estúdio, parecendo procurar algo na bolsa.

Sua cabeça se levantou e olhos claros me encaram.

— Desculpe, vi as luzes acesas e a porta destrancada — sorriu. — Queria ver alguns pacotes de álbuns...

— Estamos fechados — a interrompo.

Seus ombros arriaram e seu suspiro foi possível ouvir mesmo nos quase três metros que nos separavam. Ela fechou os olhos e arrumou a bolsa no ombro. Parecia prestes a desistir de algo, cansada demais.

— Desculpe, não sabia — forçou um sorriso ao abrir os olhos.

A mulher se virou de costas para sair, mas a forma como parecia exausta e completamente desanimada, me fez abrir a boca antes de pensar melhor no que estava fazendo.

— Mas podemos conversar — disse e a vi parar. — Sou o dono, então posso mostrar alguns pacotes que você pode se interessar — continuo e a mulher finalmente se vira para mim novamente.

— Mesmo?

— Claro — disse e me perguntei internamente o que estava acontecendo comigo para não calar a boca. Forcei um sorriso e apontei para a mesa com um conjunto de cadeiras coloridas próximas. — Sente, por favor.

Ela respirou fundo e me olhou aliviada, apressando-se para sentar e colocou a bolsa sobre a mesa.

— Muito obrigada, sei que está tarde, mas só consegui sair do escritório agora — sua mão se estendeu em minha direção para um cumprimento. — Sou Sarah.

— Cézar — apertei sua mão e sentei de frente a ela. — Bem, o que tem em mente?

— Minha filha está fazendo dois anos em breve e... — Sarah engoliu em seco e me olhou com um misto de hesitação e vergonha. — Estou procurando alguém que faça uma sessão de fotos para o aniversário.

Isso não é um pedido fora do normal ou impossível.

— Tudo bem — dou de ombros. — Você quer as fotos prontas antes do aniversário?

— Sim, queria pôr um banner lá.

— Certo — peguei minha agenda para ver os dias livres, a pasta com pacotes e o portfólio que sempre gostava de apresentar. — Quanto tempo até o aniversário?

Doce AmargoOnde histórias criam vida. Descubra agora