"Se comer, beba!"
Era isso que estava escrito numa pequena placa enterrada no mato. Se eu não tivesse reconhecido aquela caligrafia, não teria dado muita importância: era de Dandy, idêntica à do mapa.
Além disso, havia uma pequena seta indicando a direção do lago. Resolvi arriscar, sem dúvida alguma. Muito sonolento, me arrastei e bebi um pouco de água. Foi como se meu corpo se restabelecesse por completo. Rapidamente enchi as mãos de água, me posicionei no colo de Minho e coloquei a água nos lábios dele. Fiquei preocupado, pois eu ainda não havia caído no sono quando bebi e esperava que funcionasse com ele.
⎯ Ei, por que você está me molhando? ⎯ disse Minho ao despertar.
⎯ Essas frutas... Não podemos comê-las, elas nos dão sono Min.
⎯ Como é que você sabe Hannie? ⎯ perguntou ele.
⎯ Por causa daquela placa ⎯ indiquei a placa de Dandy para ele. ⎯ Assim que reconheci a letra de Dandy, compreendi que poderia haver algo de errado com a fruta. Ela tem alguma coisa que faz a gente dormir... A água quebrou o efeito.
⎯ Esses símbolos realmente se parecem com aqueles que estavam desenhados no mapa.
Não eram desenhos, era a caligrafia de Dandy, mas era melhor não me alongar naquilo. Se, pela sua própria lógica, Minho conseguia reconhecer aqueles sinais, pelo menos ele prestaria atenção sempre que visse algo que tivesse sido deixado por Dandy.
⎯ Acho melhor tomarmos mais cuidado ⎯ falei. ⎯ Essas frutas podem ser perigosas... Aliás, tudo por aqui deve ser perigoso. Não vamos poder comer mais nada até termos a certeza de que é seguro.
Me dei conta que eu ainda estava no colo de Minho, me apressei me levantando em seguida.
⎯ Você ainda está com fome? ⎯ perguntou Minho tentando mudar de assunto ao perceber que eu estava corado.
⎯ Não, na verdade não!
⎯ Eu também não, mas estava. Quer dizer que, se a fruta matou a nossa fome e depois poderia matar a gente, então é só comer a fruta e, em seguida, rapidinho, tomar um pouco de água como antídoto. Assim, matamos o que estava nos matando sem morrer de verdade ⎯ dizendo isso, Minho pegou algumas frutas do chão, guardou-as na mochila e encheu um cantil com a água do lago. ⎯ Pronto, podemos seguir!
Eu não entendi as palavras dele, mas a lógica sim. E, claro, ele tinha razão. Cada vez mais eu admirava a percepção de Minho. Sempre acharam que ele era esquisito, pois fazia as coisas por impulso e do jeito dele, porém, buscando na memória, nunca ninguém relatou que ele tivesse se envolvido em algum grande problema. Minho tinha o seu próprio conhecimento e, até agora, havia se provado muito útil.
Já no meu caso, eu não possuía experiência em nada, a não ser na leitura. Se eu não tivesse lido a placa, talvez tivéssemos dormido por ali. O que poderia ter acontecido conosco? Neste lugar, qualquer coisa.
Olhei para Minho se embrenhando por uma pequena mata e achei que, de alguma maneira, o conhecimento de um completava o do outro. Acho que ele era a emoção e eu a razão. Se bem que também poderia ser exatamente o contrário.
Enfim, ficar divagando não era o meu forte. Foi por causa disso que um amigo meu foi levado por um mare moto, era melhor, portanto, começar a caminhar e ver o que iríamos encontrar da próxima vez.
Minho nunca se cansava. Era de uma curiosidade e animação que me... cansavam. Enquanto eu, todo preocupado, tentava seguir o caminho do mapa, ele entrava em qualquer lugar e sumia: cavernas escuras, buracos no chão, entradas no mato. Retornava como se ainda estivéssemos na nossa vila.
Sempre gostei de pisar em chão seguro. Depois que caímos no lago, eu perdi um pouco o senso de direção, não conseguia me lembrar direito dos caminhos. Exausto de pensar e correr atrás de Minho, me sentei para descansar.
⎯ O que foi? ⎯ perguntou ele.
⎯ Estou me sentindo perdido. Não sei para onde ir.
⎯ Oras, para o círculo vermelho!
⎯ Estou sem direção... Para ajudar, perdi a bússola em algum lugar.
⎯ Mas isso é muito fácil ⎯ disse ele, colocando a mochila no chão. Em seguida, procurou por um galho e começou a fazer desenhos na terra.
O mapa surgiu novamente diante de meus olhos. Eu tinha me esquecido de que Minho o conhecia de cor. Aos poucos, fui identificando tudo novamente. Bastava olhar para os lados e reconhecer alguma pedra, uma montanha. Pronto, eu já sabia onde estava, mas aquilo não era muito reconfortante. Ainda estávamos distantes e o pico parecia ser ameaçador. Se eu fosse um Grifo, pensei, certamente esconderia nele os meus ovos de ouro.
⎯ Pronto ⎯ disse Minho terminando o desenho ⎯ lembrou?
⎯ Sim ⎯ falei.
⎯ Então, vamos embora, quero muito ver como é esse pântano do medo.
Eu não estava tão empolgado com aquele lugar, mas, como não tinha outro jeito, levantei-me rapidamente e segui Lino.
Quando me ergui, senti que alguma coisa havia balançado no meu alforje. Lembrei-me do ovo e temi, por um momento, que eu o tivesse quebrado. Fui verificar, esperando encontrar o maior dos estragos, mas não, ele permanecia inteiro. Foi interessante notar que o ovo estava quente. Acho que o calor do meu corpo e a pressão de tudo o que estava no alforje o mantinham aquecido. Se era algo bom ou ruim, eu ainda não sabia.
"Pior do que está não pode ficar."
Prosseguimos no nosso caminho, e quanto mais andávamos, mais eu descobria que seguíamos para um lugar inóspito.
Havia várias placas escritas com a letra de DDandy
Bem, depois da experiência no lago, achei que os avisos de Dandy deveriam ser levados a sério. Talvez fosse uma boa ideia dar meia-volta e procurar outro caminho.
Porém, só me restava correr atrás de Minho, o que se tornava cada vez mais difícil. Quanto mais nos aproximávamos do tal pântano, mais molhado o chão ficava. A sorte é que as raízes das árvores tornaram-se evidentes, pois parecia que elas tentavam crescer acima do solo para escapar da água, criando pequenas pontes. Ao mesmo tempo, podiam ser perigosas, pois os pés se enroscavam por entre elas.
E tudo ia complicando, o chão, literalmente, desapareceu. Agora só restavam as raízes entrelaçadas. Eu estava tão preocupado em observar por onde pisava que tinha me esquecido completamente de olhar para a frente. Mas nunca, nem no meu mais remoto pensamento, eu iria acreditar no que veria em seguida. Sim, medo, eu estava morrendo de medo e não conseguia mais sair do lugar.
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𝗽𝗿𝗶𝘀𝗶𝗼𝗻𝗲𝗶𝗿𝗼𝘀 𝗻𝗮 𝗯𝗶𝗯𝗹𝗶𝗼𝘁𝗲𝗰𝗮' 𝗆𝗂𝗇𝗌𝗎𝗇𝗀
Adventure𝐇an Jisung vive em uma vila onde as pessoas evitam o desconhecido. A cada dez anos, ocorre o desafio "A busca do livro ideal" na biblioteca local, fechada devido ao desaparecimento misterioso de um homem. Jisung e seu pai participam do desafio, mas...
