Eu não conseguia acreditar no que estava vendo. Por sorte não tinha começado a tirar a minha roupa...
Era impossível! Só consegui pronunciar uma única palavra:
⎯ Mãe!
Quando retornamos ao saguão para ver o que estava acontecendo, minha mãe e, em seguida, meu pai apareceram, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Corri até ela e lhe dei um grande abraço.
Não demorou muito e os pais de Minho também surgiram, mas a reação dele foi bem diferente da minha. Ele simplesmente caminhou até eles e disse:
⎯ Oi. Chegaram na hora errada... ⎯ Ele tinha um feição triste. ⎯ Eu ia transar com Jisung... ⎯ Após isso seus pais riram como se fosse a situação mais natural que já tinham visto.
Me assustei, como ele poderia dizer isso tão naturalmente e na frente dos meus e seus pais? Mas lembrei que era o Minho... Minho! Era a cara dele fazer algo assim.
Assim como eles, eu estava cheio de perguntas para fazer. A porta, inclusive, permanecia fechada.
⎯ Como vocês entraram? Já se passaram dez anos? ⎯ Antes que eles respondessem, eu já sabia a resposta: no meio do salão havia um buraco enorme.
Minha mãe iniciou as explicações.
⎯ Quando seu pai chegou em casa sem você... E sem um único livro completou, percebi que haviam guma coisa muito errada. Ele me contou que talvez você tivesse ficado preso aqui dentro.
⎯ É, filho- ⎯ disse meu pai. ⎯ Desculpe, não sei como... ⎯ Minha mãe o interrompeu e disse:
⎯ Onde já se viu, voltar para casa sem o filho? Conversei com um monte de gente e eles também achavam que você tinha ficado aqui.
⎯ Eu e Minho ⎯ completei.
⎯ Sim ⎯ disse minha mãe. ⎯ Mas a família dele demorou mais tempo para perceber que ele não estava em casa. Acharam que ele havia se trancado no quarto...
⎯ Ele faz isso de vez em quando, não é, meu filho? ⎯ afirmou a mãe de Minho, recebendo uma afirmação do garoto em seguida.
⎯ Bem, a verdade é que assim que eu tive a certeza de que você estava aqui, fui ao conselho dos mestres e exigi a chave para abrir a porta.
⎯ Mas eles não deixaram. ⎯ disse meu pai. Falaram que existiam regras a serem seguidas e que, se não as cumprissem, toda a vila poderia ser prejudicada.
⎯ Eu não me conformei ⎯ prosseguiu minha mãe. ⎯ Eu que não ia ficar longe do meu filhinho por dez anos... E sem nenhum livro ainda por cima; as mesas de casa estão todas bambas.
⎯ Agora você pode pegar o que quiser, querida ⎯ disse meu pai como se estivesse se desculpando...
⎯ Você sabe muito bem que... Agora eu não quero mais. Os livros servem para outra coisa.
⎯ Como assim? ⎯ levei um susto quando minha mãe disse aquilo. Todo mundo sempre disse que os livros não passavam de uma grande besteira.
⎯ Todos os dias eu ia arrumar seu quarto ⎯ prosseguiu minha mãe. ⎯ Sentia saudades e foi o jeito que encontrei para ficar perto de você. E, de tanto arrumar, mexer, olhar, descobri um livro. Pensei que os seus estivessem servindo de apoio para sua cama, mas aquele parecia especial, estava guardado.
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𝗽𝗿𝗶𝘀𝗶𝗼𝗻𝗲𝗶𝗿𝗼𝘀 𝗻𝗮 𝗯𝗶𝗯𝗹𝗶𝗼𝘁𝗲𝗰𝗮' 𝗆𝗂𝗇𝗌𝗎𝗇𝗀
Fantasía𝐇an Jisung vive em uma vila onde as pessoas evitam o desconhecido. A cada dez anos, ocorre o desafio "A busca do livro ideal" na biblioteca local, fechada devido ao desaparecimento misterioso de um homem. Jisung e seu pai participam do desafio, mas...
