15| 𝐃e volta?

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Quando concluí que algo errado estava para acontecer comigo, já era tarde: o Grifo me atacava de novo.

Eu praticamente havia me esquecido dele, pois eu me preocupei com tanta coisa ao mesmo tempo que aquela figura, que vivia no alto de um pico imenso, cercado por ovos de ouro, era meu último pensamento.

Grande erro!

Parece até que ele ficou esperando pelo meu descuido para, simplesmente, me atacar. E não foi só a escuridão, um pequeno vento surgiu ao meu redor, que era resultado do bater das asas do monstro. Eu só fiz o que podia fazer, me encolhi na esperança de que ele não pudesse me ver, mas infelizmente fiquei numa posição excelente para ser capturado.

Senti as garras dele grudando em minha roupa, envolvendo meu corpo e, novamente, me encaixando por entre es dedos dele. As sensações eram tão diversas que eu nem sabia qual sentir primeiro: incerteza, desilusão, pavor. O solo ficava cada vez mais distante. A sensação era a de um voo em círculos, pois o Grifo fez um enorme giro para desviar da montanha de papel; eu já não conseguia mais ver Minho. Pelo menos, descobri como Dandy tinha desenhado o mapa. Imaginei que ele tivesse voado várias vezes nas garras do Grifo, pois eu começava a ter uma visão geral de toda a biblioteca. Avistava os lagos, montanhas... Passei a ter uma noção da localização dos espaços e até para onde eu poderia fugir se tivesse uma chance. Mas como escapar daquela situação?

Só me restava imaginar qual seria o meu destino. Eu não conseguia pensar em nada muito positivo. Mesmo assim, me ocorreu um pensamento que me deu alguma esperança. Dandy certamente já tinha passado por aquela situação e, pelo jeito, tinha conseguido escapar. Mas como?

Eu não tirava essa pergunta da cabeça. Será que ele tinha feito cócegas no Grifo? Acho difícil, pois minhas mãos não conseguiram alcançar nada dele além da pata. E, depois, eu não iria querer cair daquela altura. Tinha de haver um jeito.

Então, de repente, senti uma espécie de tranco, como se o Grifo estivesse fazendo um esforço final. Surgiram, diante de mim, galhos do que parecia ser um ninho. Finalmente, o topo daquele pico. Filhotes!

Nossa, quando essa palavra me veio à cabeça, percebi que eu poderia estar incrivelmente enrascado. Só podía ser isso, ele estava me levando para servir de alimento para seus filhotes. Eu iria virar almoço de Grifinhos.

Sobrevoávamos o ninho, todo de ouro, e eu avistei os tais ovos. Eram redondos e bastante dourados. A luz do Sol fazia com que o brilho deles irradiasse, produzindo um halo dourado. Examinei tudo rapidamente e não localizei nenhum filhote, o que, por alguns segundos, me tranquilizou.

Então, lentamente, o Grifo me colocou entre eles. Talvez tivesse sido melhor ter ficado preso entre as garras. No meio daqueles ovos, minhas chances de sair com vida diminuíam sensivelmente.

Eles eram gelados, duros. Todos tinham exatamente o mesmo tamanho e estavam cuidadosamente arrumados no ninho. Fiquei imaginando quantos haveria. Conforme Dandy dissera, o pico inteiro era de ouro. Para ser bem sincero, eu não achei a menor graça nos ovos.

O que eu desejava mesmo era sair dali. Fiquei imaginando quanto tempo eu teria que aguardar até que aqueles filhotes de Grifo eclodissem dos ovos e me devorassem. Queria que aquilo, afinal de contas, acabasse logo.

Depois de explorar o ninho e descobrir que não havia muito mais o que fazer, foi que percebi que o Grifo me observava. Ele permaneceu na borda do ninho, apenas me olhando, nada mais. Como eu estava cansado, resolvi fazer a mesma coisa e o encarei.

𝗽𝗿𝗶𝘀𝗶𝗼𝗻𝗲𝗶𝗿𝗼𝘀 𝗻𝗮 𝗯𝗶𝗯𝗹𝗶𝗼𝘁𝗲𝗰𝗮' 𝗆𝗂𝗇𝗌𝗎𝗇𝗀 Histórias para pegar e não largar. Descubra agora