Não entendia muito bem o que estava acontecendo comigo, mas eu realmente não podia mais me mover. O chão sumiu, as raízes se entrelaçaram e ficaram cada vez mais embaraçadas, era difícil escolher um lugar onde o pé não se enroscasse. Tudo ficou mais escuro, porém isso não era o pior. De repente, surgiu um grande lago de água muito escura e parada. Alguns troncos apodrecidos flutuavam e o cheiro não era agradável.
Os livros que me cercavam eram bastante pesados, sujos e traziam títulos ameaçadores como: "A Morte te Espera", "Uma Maldição Infinita" e outros ainda piores. O odor, a escuridão, a sensação de não saber onde estava, o silêncio, tudo aquilo me enchia de pavor. O pior de tudo era a solidão. Até aquele momento, eu ainda não havia percebido como era ruim ficar sozinho. A companhia de Minho, embora meio confusa e desorganizada, era muito importante. Só agora que eu o tinha perdido completamente de vista percebi como sentia a falta dele.
"Onde ele está?", pensei me sentindo culpado. Se tivesse acontecido alguma coisa com ele, eu jamais me perdoaria.
Reuni o pouco de coragem que me restava e tentei procurar por uma saída, mas, quando olhei para trás, descobri que o caminho havia se modificado completamente. Era como se os galhos das árvores tivessem crescido e transformado toda a paisagem.
Decidi me esticar na ponta dos pés para tentar visualizar o ambiente, mas por que eu fui ter uma ideia tão absurda? Meu pé deslizou da raiz em que me apoiava e caí diretamente no lago. Porém, não exatamente na água, eu podia sentir algo meio mole. Como em um passe de mágica, todas as árvores se afastaram e eu perdi qualquer possibilidade de apoio.
Então, de repente, me vi circundado por um monte de areia escura, parecia lama, mas se movia. Sim, outro pesadelo: aquilo era areia movediça. Eu já tinha lido sobre isso em algum livro, mas nunca imaginei que um dia cairia nela. Eu estava preso até a altura dos joelhos. Com pouca mobilidade e sem ter onde me apoiar, o pavor se acentuou. Gritei com força:
⎯ Socorro! Socorro!
Nada, nenhum sinal ou resposta. Era muita pretensão minha achar que, num local onde até mesmo as árvores tinham se afastado, alguém viesse me socorrer.
Para piorar, os meus movimentos fizeram com que eu afundasse um pouco mais. Até mesmo a respiração me puxava para baixo. Cada vez que eu inspirava, aquela lama se abria para me engolir.
Fechei os olhos e tentei me acalmar, mas a areia pinicava minha pele, fazia cócegas e, de alguma maneira, me pressionava a fazer movimentos bruscos que me levassem de uma vez por todas para o fundo.
Agora, eu já estava com a areia movediça pela cintura. Será que esse teria sido o fim de Minho? Chorei e, claro, isso me afundou ainda mais. De repente, senti alforje se mecher,era o ovo novamente. Não era possível. Eu, no maior esforço para me manter sobre a superfície, começava a ser tragado em razão dos movimentos de um ovo. Era muito azar.
O fim se aproximava. Eu já estava com a areia na altura do pescoço. Quando cobrisse meu nariz, não teria como respirar... Faltava pouco, muito pouco. Como eu não tinha alternativa, resolvi gritar mais uma vez. Quem sabe se por ali não haveria alguém perdido, uma pessoa que conseguisse me tirar daquela confusão.
Gritei com todas as minhas forças.
Eu pensei que estava ouvindo um eco do meu próprio grito, mas não, o meu tinha sido longo, de horror. Praticamente uma única vogal que se estendeu o máximo que pôde. Porém, ouvi outro som, estranho. Era humano, com certeza, e não era um berro de desespero. Parecia até que a pessoa estava se divertindo.
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𝗽𝗿𝗶𝘀𝗶𝗼𝗻𝗲𝗶𝗿𝗼𝘀 𝗻𝗮 𝗯𝗶𝗯𝗹𝗶𝗼𝘁𝗲𝗰𝗮' 𝗆𝗂𝗇𝗌𝗎𝗇𝗀
Fantasy𝐇an Jisung vive em uma vila onde as pessoas evitam o desconhecido. A cada dez anos, ocorre o desafio "A busca do livro ideal" na biblioteca local, fechada devido ao desaparecimento misterioso de um homem. Jisung e seu pai participam do desafio, mas...
