No dia seguinte, acordei cedo. Para dizer a verdade, não dormi quase nada. Eu estava ansioso e, preciso confessar, com um pouquinho de medo. Escutei minha mãe cochichando para minha irmã que ela deveria levantar cedo para me dizer tchau, despedir-se... Talvez fosse a última vez que me visse.
Achei estranho. Minha própria mãe considerava a possibilidade de nunca mais me ver. Concluí que essa história de biblioteca realmente poderia ser perigosa.
Desde que Dandy desaparecera, várias lendas e hipóteses tentavam explicar o fato. Alguns apostavam num grande castigo, pois ele era muito intrometido na vida alhela. Outros, o consideravam um grande herói, que teria se sacrificado pelo bem da vila.
Até aquele fatídico dia, a biblioteca sempre ficava aberta, porém permanentemente vazia. Os livros não eram lidos, mas, pelo menos, não serviam como apoio para mesas.
Havia um único evento que atraía as pessoas: O dia da reverência. Nesse dia, os moradores visitavam a maior sala da biblioteca para admirar e reverenciar nossos antepassados, antigos heróis. Meu pai me contou que nela estavam expostos quadros gigantescos retratando velhos chefes do vilarejo no maior momento heroico de suas vidas. Como ele só tinha entrado lá uma única vez, não se recordava das figuras, mas afirmava que eram impressionantes.
Foi exatamente nesse evento que Dandy sumiu. O que se sabe de verdade é que todos saíram da biblioteca, exceto ele. O bibliotecário, que atualmente permanece desempregado, estranhou que ele se demorasse tanto. Nunca ninguém havia ficado mais do que quinze minutos reverenciando os quadros. Ao decidir procurá-lo, o homem levou um susto: no chão do grande salão havia uma longa pena branca e marcas de luta, um copo de suco virado no chão (que não deveria estar ali, pois era proibido entrar na biblioteca com comida ou bebida) e um pé de sapato que provavelmente seria de Dandy. Quando ele se aproximou para recolher os objetos, ouviu um grito desesperado, um pedido de socorro aflito e fez o que todo cidadão de nossa vila faria: fugiu desesperado.
Ao escapar para a rua, curiosos se aproximaram para saber o que estava acontecendo. O bibliotecário começou o relato, porém algo assustador aconteceu. O berro se repetiu e, ao olharem para o interior da biblioteca, viram quando uma enorme ave pousou nos ladrilhos decorados. Não dava para vê-la por inteiro, apenas os pés, que exibiam garras afiadas e poderosas. Observaram, assustados, que Dandy fora capturado, não parava de gritar. Então, todos os cidadãos se uniram e correram em direção à porta, fazendo todo o esforço para trancá-la, abandonando Dandy à própria sorte. Como de costume na vila, ficaram em silêncio na esperança de que tudo acabasse rapidamente.
Hoje, as pessoas têm um pouco de vergonha daquela atitude. Alguns acham que as portas deveriam ter sido abertas para que Dandy, se pudesse, corresse para a liberdade. Outros concordam que não teria adiantado nada; o monstro era muito grande e se tratava de uma causa perdida.
De qualquer forma, no dia seguinte, decidiram abrir a porta. Caminharam até a Sala dos Grandes Quadros e uma parede havia sido destruída. Não havia qualquer sinal de Dandy.
Então, como ainda estavam com medo de tudo o que havia acontecido, fecharam a biblioteca, e assim ela teria ficado para sempre se, um dia, alguém não tivesse decidido que queria fazer um bolo, mas não se lembrava mais da receita. Alguém se recordou de que havia um livro com figuras que ensinava a fazer o tal bolo, e resolveram abrir as portas novamente, dez anos depois de fechada. Ninguém achou o livro, mas gostaram imensamente dos de capa dura que encontraram, e o resto vocês já sabem.
Naquele mesmo dia, resolveram homenagear Dandy. Como já havia se passado muito tempo desde a última vez que alguém entrou na biblioteca abandonada, decidiram repetir aquele evento a cada dez anos para homenagear o desaparecido e, principalmente, localizar "livros adequa- dos". Também era uma aventura, um gesto de coragem, pois nunca se sabia, ao certo, se o monstro iria reaparecer e fazer uma nova vítima.
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𝗽𝗿𝗶𝘀𝗶𝗼𝗻𝗲𝗶𝗿𝗼𝘀 𝗻𝗮 𝗯𝗶𝗯𝗹𝗶𝗼𝘁𝗲𝗰𝗮' 𝗆𝗂𝗇𝗌𝗎𝗇𝗀
Fantasi𝐇an Jisung vive em uma vila onde as pessoas evitam o desconhecido. A cada dez anos, ocorre o desafio "A busca do livro ideal" na biblioteca local, fechada devido ao desaparecimento misterioso de um homem. Jisung e seu pai participam do desafio, mas...
