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Senti minha cama afundando, como se alguém estivesse deitado do meu lado, mas não tive vontade de abrir meus olhos, sentia que a pessoa estava com o rosto virado para o meu, esperando alguma reação.

Me esforcei para tentar acordar, um cheiro muito forte de maconha estava pelo quarto, já fazia algum tempo que sonhava com o Nathan, sonhos muitos reais, como se ele estivesse ali, então decidi ignorar por que isso só poderia ser mais uma ilusão da minha cabeça.

Me virei para o outro lado da cama, continuando de olhos fechados, o cheiro estava muito forte e seria decepcionante acordar e ele não estar lá.
Ouvi uma risada, não era um delírio meu, alguém estava ali comigo.

Assim que abri meus olhos, Derek estava lá, com um sorriso de ponta a ponta, o que me fez sorrir também.

— O que você está fazendo no meu quarto no meio da noite? — Disse enquanto procurava meu celular pela cama.

— Eu fiquei com saudade — Ele puxou a coberta para ele — Além do mais, minha casa está uma bagunça, não queria ficar mais lá então peguei carona com seu irmão.

Hoje foi o último jogo do ano, e como depois de todo jogo tinha festa na casa do Derek hoje não podia ser diferente. A turma toda estava muito ansiosa para isso, mas como estou nos últimos meses da gravidez evitei de ir.

— E como foi o jogo? — O sorriso do seu rosto que já estava grande, ficou maior ainda — Vocês não cansam de ganhar? — Ri.

— Ninguém cansa de ganhar, foi difícil no começo da partida, é nosso primeiro jogo importante sem o Maloley, o que faz uma baita diferença — Derek tentava me explicar os esquemas táticos e a diferença que o Nathan fazia no time, mas nada entrava na minha cabeça, parecia que ele estava falando outra língua.

— E o treinador não ficou bravo com ele?

— E como, nunca tinha visto ele assim com ninguém, e olha que o treinador foi para cima do Jordan no começo do ano, nós que tivemos que separar.

— O Nathan é um irresponsável mesmo — Deitei de barriga para cima, essa era a posição mais confortável por conta da barriga que estava grande.

— O treinador ficou a semana toda ligando para ele, dava para escutar os gritos do outro lado do quarteirão.

— Se ele não ligou nem para isso, imagina o resto — Soltei uma risada de nervoso.

— Liz, você sabe que eu não sou o maior fã do Nate, mas ele está atrás da carreira dele e pelo jeito ele está se dando bem, você precisa parar de ser egoísta.

Me senti ofendida pelo o que o Derek falou, mas colocando a mão na consciência eu estava realmente pegando demais no pé do Nathan, mas eu estava no meu direito de mãe.

— Não falo por mim, mas sim por ela — Coloquei a mão na barriga — Você saiu do esquema da família, tendo que trabalhar 10 horas por dia em mercado, onde os clientes só te humilham — Ele riu, por que realmente era um história pior do que a outra — Eu tinha um currículo perfeito, ia conseguir entrar em uma boa faculdade — Meus olhos marejaram em pensar na oportunidade em que eu tinha perdido — E ele não conseguiu ficar aqui e arrumar um trabalho comum.

— Olha, nem tudo está perdido — Derek se sentou na cama e puxou minha cabeça para o colo dele, fazendo um cafuné — Eu já enviei minhas inscrições para a faculdade, todas por perto, para sempre ficar perto de vocês.

Acho que meu maior medo era ficar sozinha em algum momento, era claro que quando o resultado saísse um dos dois iria seguir a vida, mas me arrepiava pensar em criar minha filha sozinha.

— E assim que a Loren crescer um pouco, daqui uns 4 anos mais ou menos, o seu currículo vai continuar perfeito e você vai conseguir entrar em qualquer faculdade que quiser — Estava com o olho fechado, pensando na possibilidade — E você pode até tentar se livrar de mim — Ele riu sozinho — Mas se a faculdade for do outro lado do país, eu vou atrás de vocês, eu nunca vou te abandonar, Ellizabeth.

No momento em que escutei isso foi como se uma corrente elétrica percorresse por todo o meu corpo, me sentei ao lado dele e fiquei com a cabeça encostada na dele.

— Obrigada — Susurrei.

Virei um pouco o corpo para dar um beijo em sua bochecha, mas ele acabou se virando também e no caminho nossas bocas se encontraram e deram um selinho.

— D-desculpa... eu ia te dar um beijo na testa — Ele estava vermelho, mas de nenhuma forma o sorriso saia do rosto dele.

— Eu ia te dar um beijo na bochecha — Comecei a rir com o que tinha acontecido — Mas não precisava ficar vermelho, isso é normal — Tentei acalmar ele, percebi que as mãos dele estavam suando o que significa que ele estava nervoso com aquela situação.

— Isso é estranho — Ele se levantou, ficou de pé de costas para mim — Eu nunca senti isso antes.

Isso era uma confissão de que ele gostava de mim? Minha risada deu espaço para o silêncio.

— Deve ser o efeito da maconha — Ele limpou as mãos na roupa e começou a estralar os dedos — Meu irmão veio com um lote novo, algo diferente — Ele estava tão nervoso que não parava de falar.

— Derek? — Chamei por ele, que não se virou.

— Eu vou embora, Liz — Ele procurou pelos tênis na ponta da cama, evitando se virar para mim, e por estar escuro dificultou um pouco ele achar o par.

— Você veio com o meu irmão, seu carro está na sua casa. Vai embora andando? — Ele concordou com a cabeça e eu ri, por que toda aquela cena estava realmente engraçada.

— Amanhã a gente se fala — Ele ia saindo sem nem olhar na minha cara.

— DEREK! — Gritei o que fez ele paralisar — Volta agora e me dá um tchau direito, prometo que dessa vez não viro o rosto.

Ele continuava parado, segurando a maçaneta da porta, e pelo o que eu que percebi iria ficar a noite toda assim.
Me levantei da cama e fui até ele, pedi para que ele se virasse mas ele não teve nenhuma reação, com uma certa dificuldade consegui puxar ele pelo braço, fazendo com que ele ficasse de frente para mim. Estava parecendo um manequim de vitrine, se eu levantasse o braço dele e deixasse, iria ficar assim para sempre.

— Você está com medo de mim? — Aproximei meu rosto do dele, tentando fazer contato visual mas ele desviava o olhar — Que reação doida é essa, Derek?

— É. que. eu. fumei. demais. — Ele falava pausadamente, desviando completamente o olhar do meu.

— Você não gostou do meu beijo? — Ele arregalou os olhos o que me fez rir.

— N-não foi isso... é só que... — Ele tossiu como se algo estivesse preso na garganta — Você me deixa doido — O olhar dele finalmente tinha encontrado o meu.

— E isso é bom? — Cheguei mais perto da boca dele — Ou ruim? — Sussurrei a última frase e senti o nervosismo dele passando para mim.

A respiração dele estava pesada, como se a qualquer momento ele fosse parar de respirar, ele fechou os olhos dando mais um suspiro prolongado, levantou a cabeça, querendo ficar longe de mim.
Agarrei a nuca dele, encostando as nossas testas.

Ele voltou a estralar os dedos o que me deu uma agonia enorme, já que ele tinha feito isso há cinco minutos atrás. Segurei uma de suas mãos, e percebi que ele continuava suando. Isso me fez soltar uma risada, Derek Luh, o menino da pintinha no queixo, estava nervoso perto de mim.

— O que foi? — Ele perguntou ainda de olhos fechados com a cabeça para cima.

— Eu acho tudo isso muito fofo — Fiquei na ponta dos pés para dar um beijo no sua bochecha.

O que fez com que ele abaixasse o rosto e olhasse para mim, a outra mão dele foi parar na minha cintura, ele me olhava e eu sentia que ele queria falar alguma coisa, ou fazer, mas não conseguia.
Então tomei atitude e beijei ele, esse beijo foi mais do que um selinho, assim que nossas línguas se encontram eu consegui sentir o gosto da maconha misturada com cerveja.
O que me fez lembrar outra pessoa. Tudo me lembrava ele.

Pregnant ;; Nate Maloley & Derek LuhHistórias para pegar e não largar. Descubra agora