DRAKAR
O VENTO GÉLIDO LAMBE A MINHA PELE com uma ferocidade impiedosa, cortando-a como lâminas de cristal enquanto as nuvens, densas e carregadas, se fecham no horizonte, selando o céu em um manto cinzento. É como se o próprio mundo estivesse suspenso, aguardando o desenrolar de algo inevitável. Cada passo do cavalo na neve espessa ressoa no silêncio como um tambor, o som se mesclando com a ansiedade crescente em meu peito.
Eu deveria ter voltado para Valebris. A lógica dita que meu lugar é lá, no coração do poder da família Drakaris, onde alianças se forjam e exércitos aguardam comando. Valebris é onde sou mais forte, onde meus inimigos hesitam em me enfrentar. Mas Frosthaven, no outro extremo de Thalador, é onde Eleanor está, e neste momento, é isso que importa.
Minha decisão de seguir para o norte não foi motivada por impulsos ou emoções desenfreadas. Não vim para Frosthaven pelo calor de uma paixão, nem por obsessão ou desejo. Meu movimento é calculado, como todas as decisões que tomei ao longo da vida.
Eleanor não é apenas uma mulher – ela é um símbolo. Ela é o elo que conecta o presente ao passado esquecido dos Syndarion, a última herdeira de uma linhagem que outrora dominou Thalador. Frosthaven, com suas fortalezas de gelo e histórias antigas, não é apenas sua morada, é um lembrete do poder que ela carrega. Um poder que, se deixado livre, pode ser perigoso.
Eu não posso ignorar isso.
Valebris pode esperar. Meus aliados no sul permanecem fieis, meu trono está seguro, mas Eleanor representa um enigma que preciso resolver. Estar aqui, no norte, não é um desvio do meu destino, é o passo necessário para consolidá-lo.
Eu decidi surgir. Não houve aviso. Nenhuma comitiva formal para anunciar a chegada da Coroa. Apenas o homem, sem o lastro do cargo.
Os portões de Frosthaven se elevam contra o céu. Ao cruzá-los, sinto o ar mudar, carregado de histórias e lendas. As muralhas de gelo, erguidas como sentinelas de um tempo esquecido, capturam o brilho pálido do sol de inverno, que agoniza no horizonte. O céu se tinge com um laranja melancólico, parecendo chorar a luz que se apaga, um prenúncio da escuridão que se aproxima. O frio destas terras não é apenas físico; é emocional, como se aquelas paredes escondessem segredos que se recusam a ser revelados.
As sombras afiadas das torres descem sobre o pátio como uma verdade inevitável. E aqui, sob o castelo, eu e Eleanor carregamos nossos próprios segredos – verdades calcificadas que nenhum de nós ousa sequer tocar.
Eu não entro aqui como rei. Meu título, nesse reino, é apenas uma moeda de cobre sem lastro.
Os guardas de Frosthaven sequer se movem para me saudar. Eles me cercam com a guarda imediatamente atenta, os olhos arregalados de uma surpresa mal disfarçada que rapidamente endurece em cautela. A notícia da minha presença deve ter subido pelas muralhas em um segundo, como uma brasa no vento frio.
O capitão da guarda, Ser Varek, corta a formação; a tensão sumira de seu semblante, substituída por uma máscara de granito e dever. Seus passos ecoam, firmes e deliberados, enquanto ele ignora com desdém meus cavaleiros, tratando-os como meros obstáculos no caminho.
— Drakar Calaedon — O capitão fala com a voz baixa, mas tão inflexível quanto ferro congelado. — Vossa Majestade está em reunião com o Conselho. Interrupções não são permitidas.
A última frase, "não são permitidas", escorre da boca dele como uma lasca de gelo seco.
— "Não são permitidas?" — repito, inclinando a cabeça apenas o suficiente para que o peso do meu tom o atingisse. — Você não pode interromper. — Dou um passo à frente. — Mas pode chamar Elric. Ele está lá dentro. Ele liberará meu acesso.
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Hydrazar: O Despertar do Gelo (EM REVISÃO)
Action→PRIMEIRO LIVRO! O frio é a sua coroa. O trono foi roubado. A vingança, forjada no gelo. Em um reino que pune a magia com a morte, Eleanor não é apenas a última herdeira: ela é um segredo vivo que pode congelar o mundo inteiro. Forçada a correr e a...
