→PRIMEIRO LIVRO!
O frio é a sua coroa. O trono foi roubado. A vingança, forjada no gelo.
Em um reino que pune a magia com a morte, Eleanor não é apenas a última herdeira: ela é um segredo vivo que pode congelar o mundo inteiro.
Forçada a correr e a...
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O SALÃO DO CONSELHO em Valebris está mergulhado em penumbra, com as tochas tremendo, como se temessem o frio no ambiente. As sombras nas paredes de pedra parecem se mover. O ar está pesado, carregado de tensão, e cada respiração é um esforço.
Estou sentado na cadeira de espaldar alto, com o leão dourado da minha casa gravado no encosto, lembrando minha posição. O som das tochas crepitando ecoa na sala. A luz vacilante projeta a sombra do leão atrás de mim no chão de pedra.
O silêncio é ensurdecedor. Os conselheiros aguardam minha decisão, e, ao olhar para eles, vejo seus rostos ansiosos.
— Está decidido. Casarei-me com Ilara. — Minha voz corta o silêncio, firme, embora o nó aperta meu peito. A decisão é lógica, parte do grande jogo de poder dos Drakaris. Mas sinto que estou renunciando a algo de mim mesmo.
Meus conselheiros trocam olhares satisfeitos, como corvos vigiando uma presa. Eles me veem como parte de um plano maior.
Lady Seraphina, minha mãe, está ao meu lado. Seu olhar é impiedoso, e seu sorriso não vacila, mas seus olhos traem o conhecimento do sacrifício que estou fazendo.
— Uma escolha sábia, meu filho. Ilara será uma aliada poderosa. — Sua voz é afiada, como sempre.
Olho para ela, reconhecendo que sou apenas mais uma peça no seu jogo. Ela me vê como um meio para um fim, não como filho.
— Esse casamento fortalecerá nossas alianças. — Um conselheiro fala, sua voz carregada de fervor. — Ilara é a escolha ideal.
A aliança com Ilara não é só estratégica, é uma união entre duas casas poderosas.
— E você, Drakar? — A Rainha-Mãe pergunta, há um desafio em sua voz. — Concorda com o que foi dito?
Eu sei que não há mais retorno. Minha voz sai controlada, com um leve tom de resignação.
— Desejo o que for necessário para minha casa.
Minha mãe toca a mesa, como se me lembrasse do controle absoluto que ela exerce. Seus olhos brilham com satisfação discreta.
— E Ilara... ela é mais do que necessária. — Sua voz suaviza, mas há uma ameaça sutil, um lembrete de que ela detém as rédeas.
A imagem de Ilara surge em minha mente, perfeita, mas algo me incomoda. Não é arrependimento, mas a sensação de que estou perdendo algo importante.
Os conselheiros se retiram, e a sala fica mais vazia, mais silenciosa. Minha mãe continua a falar, mas suas palavras se tornam ruído distante. Preciso de um momento de respiro.
Me levanto e caminho até a janela. A visão do pátio abaixo reflete a frieza do mundo à minha volta.
De repente, uma batida firme na porta me interrompe. O som corta o murmúrio contínuo de minha mãe, e a tensão no ar parece congelar. Viro-me lentamente, esperando para ver quem ousa interromper meu momento sufocante.