XVIII.

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O SALÃO DE ARMAS DE VALEBRIS parece menor nessa manhã, mesmo com seu vasto teto arqueado e as paredes revestidas de tapeçarias antigas que narram as conquistas de minha linhagem

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O SALÃO DE ARMAS DE VALEBRIS parece menor nessa manhã, mesmo com seu vasto teto arqueado e as paredes revestidas de tapeçarias antigas que narram as conquistas de minha linhagem. O fogo das tochas lança sombras dançantes sobre os brasões dourados dos Drakaris, leões eternos, que agora me encaram como juízes silenciosos. O peso do silêncio é cortado apenas pelo som ritmado de espadas sendo afiadas ao longe, um lembrete constante do dever que nunca me abandona.

Minha lâmina sobe e desce, o aço cortando o ar em movimentos ensaiados, mas minha mente está em outro lugar. Cada golpe no boneco de treino traz à tona uma memória, uma sensação. Eleanor. Sua presença é como o frio de uma nevasca: algo que você sente na pele, mas que alcança os ossos. Mesmo em sua ausência, ela é impossível de ignorar.

— Majestade. — A voz de Alaric corta o ar, firme e direta, como é típico dele. Viro-me para encontrá-lo, ainda segurando a espada. 

Alaric, meu Viceran, meu confidente e amigo de infância. Ele é o tipo de homem que consegue entrar em qualquer sala e desarmar os mais tensos com uma piada ou um sorriso, mas hoje não há humor em seu rosto.

Seus olhos estão escuros, sua expressão tensa. Ele hesita por um instante, e eu sei que traz algo sério.

— Fale — ordeno, minha voz soa mais dura do que eu pretendia.

— Frosthaven está sob ataque.

Por um momento, o mundo parece parar. Frosthaven. As palavras soam distantes, como se ecoasse por um túnel.

— O quê? — Minha voz sai seca.

— A Inquisição marchou sobre a cidade. As forças de Eleanor estão resistindo, mas... o relato que recebi não é promissor.

Minha mente explode em mil imagens: Eleanor em batalha, o brilho de sua armadura prateada refletindo as chamas de Frosthaven; Thalindra rugindo nos céus. Mas junto com a urgência vem outra sensação – impotência. Eu não posso fazer nada.

— Não podemos intervir — Alaric continua, percebendo minha expressão. — A rainha-mãe já deixou claro que nosso foco deve permanecer aqui. Um movimento em direção ao Norte... seria desastroso politicamente.

— Politicamente. — A palavra sai amarga de meus lábios.

Antes que eu possa responder, a porta do salão de armas se abre novamente. O som dos passos delicados ecoa como um trovão nos meus ouvidos, e então ela aparece.

Ilara.

Ela entra como se tivesse nascido para ser o centro de qualquer sala. Seu vestido verde profundo parece uma extensão da natureza que tanto ama, contrastando com os cabelos presos em uma trança que mais parece uma obra de arte. As esmeraldas em suas joias brilham sob a luz das tochas, como olhos que observam e guardam segredos. Ela caminha com elegância, mas cada movimento tem um propósito, uma força velada.

Hydrazar: O Despertar do Gelo (EM REVISÃO)Onde histórias criam vida. Descubra agora