DRAKAR
À MEDIDA QUE A MANHÃ se insinua no horizonte, a urgência se adensa no ar – pesada, quase sufocante – como se o próprio céu estivesse à beira de desabar em uma tempestade anunciada. O ranger distante das armaduras e o murmúrio rouco dos soldados invadem a sala do conselho, onde nobres e generais se enfrentam em debates acalorados, cada palavra afiada como uma lâmina. Ainda assim, em meio a toda essa febril movimentação, meu olhar permanece preso em Eleanor.
Há uma chama viva na determinação dela – ardente, teimosa, indomável – mas sob esse fogo percebo uma delicadeza escondida, como uma lâmina de vidro temperado: resistente, porém vulnerável ao menor excesso de pressão. E é esse contraste que me atormenta. Temo que o peso desta guerra a force a sacrificar mais do que a vitória... temo que a force a sacrificar a si mesma.
A cena na sala do conselho é um reflexo do momento: nobres e generais já estão reunidos, suas expressões uma mescla crua de determinação e ansiedade. O murmúrio de suas discussões é pesado, carregando o fardo das decisões cruciais. Sinto a pressão das expectativas sobre nossos ombros, como se o próprio espaço estivesse sob tensão compressiva.
Eleanor posicionada diante da mesa, exalando autoridade inquestionável. O vestido azul-escuro é rico em bordados prateados que capturavam as luzes tênues; seu cabelo platinado, trançado e coroado, cai sobre os ombros. Mas é seu olhar que domina a sala: uma chama indomável que arde, revelando a coragem inabalável que carrega consigo.
— Nobres de Frosthaven e Thalador! — A voz de Eleanor corta o burburinho, potente e clara, como uma lâmina que desmantela a confusão. — Os Caçadores estão à porta. Estabelecemos nossas defesas e a barreira de gelo nos dará a margem de tempo que precisamos.
Os olhares se voltam para ela, e percebo como sua presença é magnética, como um farol resplandecente em meio à escuridão que ameaça nos consumir. O ar está impregnado de respeito, uma reverência que brota da bravura que ela está demonstrando. O que antes era uma sala carregada de tensão agora vibra com uma nova energia, pulsando como um coração que recupera seu ritmo.
— E se não atacarem? — Outro nobre interverte, seu ceticismo lançando uma sombra sobre a determinação que começa a florescer. — E se a caçadores estiver apenas esperando que baixemos a guarda? Precisamos ser proativos.
Eleanor levanta a mão, pedindo silêncio com uma firmeza que silencia os murmúrios como um comando de uma rainha.
— Nós seremos proativos. Mas também precisamos proteger nossas linhas. Thalindra e eu podemos criar uma barreira de gelo que limitará os movimentos do inimigo. Isso nos dará tempo para reagir, não importa o que eles façam.
O debate continua, ideias surgindo e sendo refutadas, mas o espírito de união que Eleanor havia instaurado começa a florescer entre os nobres. Eu a observo, admirando a força e a determinação que ela exibe, desafiando a pressão com graça. Ela não está lutando apenas por seus reinos; está lutando por cada um de nós, e essa sensação é palpável, como um laço invisível que nos une.
— E quanto aos aliados? — Pergunto, levantando uma questão que ainda paira em minha mente, a urgência pulsando em minhas veias. — Precisamos buscar apoio de reinos vizinhos. Quanto mais fortes estivermos, mais chances teremos de enfrentar os caçadores.
— Temos que enviar mensageiros imediatamente. Precisamos que eles saibam que estamos preparados para lutar e que precisamos deles ao nosso lado. — Eleanor responde, seu olhar ardendo com a mesma determinação que eu sentia
A energia da tensão dá lugar a um propósito fervoroso e tangível. Todos se levantam, não como indivíduos isolados, mas como uma só frente unida sob a mesma bandeira. O espírito de unidade é tão palpável quanto o calor que as tochas exalam, contrastando com o frio que vem das montanhas.
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Hydrazar: O Despertar do Gelo (EM REVISÃO)
Action→PRIMEIRO LIVRO! O frio é a sua coroa. O trono foi roubado. A vingança, forjada no gelo. Em um reino que pune a magia com a morte, Eleanor não é apenas a última herdeira: ela é um segredo vivo que pode congelar o mundo inteiro. Forçada a correr e a...
