→PRIMEIRO LIVRO!
O frio é a sua coroa. O trono foi roubado. A vingança, forjada no gelo.
Em um reino que pune a magia com a morte, Eleanor não é apenas a última herdeira: ela é um segredo vivo que pode congelar o mundo inteiro.
Forçada a correr e a...
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A LUZ DOURADA DA MANHÃ esgueira-se pelos vitrais do salão do trono da Fortaleza de Valebris, atingindo o mármore com um calor que eu não sinto. Eu estou aqui, parado diante do trono ancestral dos Drakaris, um símbolo de poder que deveria me inspirar, mas que agora parece pesar como uma âncora em meu peito. O leão dourado esculpido no encosto me observa, sua expressão de imponência quase zombeteira, como se soubesse que o herdeiro da casa Drakaris hesita.
O som firme dos passos da Rainha-Mãe Seraphina Valorian ecoa pelo salão vazio. Minha mãe não precisa de trombetas ou anunciantes. Sua presença é suficiente para preencher qualquer espaço com autoridade e expectativas.
— Drakar, — começa ela, sua voz tão cortante quanto a lâmina que eu carrego na cintura. — até quando vai adiar o inevitável?
Eu me viro lentamente, encarando-a. A Rainha-Mãe é uma tempestade contida: cada fio de cabelo no lugar, cada dobra do vestido ajustada com perfeição, e aqueles olhos – olhos que veem tudo, julgam tudo e perdoam quase nada.
— Não estou adiando nada, — respondo, minha voz mais áspera do que pretendo. — apenas não vejo motivo para pressa.
Ela arqueia uma sobrancelha, como se minha resposta fosse uma ofensa pessoal.
— Pressa? Três semanas de conversas sobre isso, e ainda acha que estou sendo precipitada?
Eu respiro fundo, desviando o olhar para as janelas. Lá fora, os jardins do castelo balançam sob o vento frio, as flores de inverno lutando contra o gelo.
— Não é Ilara quem hesita. — ela continua, aproximando-se. — É você. E por quê? Porque ainda pensa nela?
O nome de Eleanor não é dito, mas paira entre nós como um espectro. O ar parece mais pesado, cada batida do meu coração ecoando como um tambor de guerra.
— Não é sobre Eleanor. — minto, minha voz falhando ligeiramente.
Minha mãe dá um passo à frente, seus olhos fixos nos meus como se tentasse desvendar cada pensamento.
— Não minta para mim, Drakar. Eu conheço você melhor do que ninguém. Sei o que ela significa. Mas também sei que ela nunca será mais do que uma distração. Uma rainha sem reino, uma mulher sem futuro.
Cada palavra é um golpe, mas eu permaneço imóvel. Seraphina tem razão, ao menos em parte. Eleanor é um fogo que me consome, uma lembrança que arde mesmo na distância. Mas como explicar à minha mãe que esse fogo é a única coisa que me faz sentir vivo?
— E Ilara? — pergunto, tentando mudar o rumo da conversa. — Você acha que ela está interessada?
A sombra de um sorriso curva os lábios de Seraphina.
— Interesse não é relevante. O que importa é que ela entende o que está em jogo. Ela é uma Valorian, e você um Drakaris. E, diferente de Eleanor, ela sabe onde seu dever reside.