→PRIMEIRO LIVRO!
O frio é a sua coroa. O trono foi roubado. A vingança, forjada no gelo.
Em um reino que pune a magia com a morte, Eleanor não é apenas a última herdeira: ela é um segredo vivo que pode congelar o mundo inteiro.
Forçada a correr e a...
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A BATALHA RUGE AO MEU REDOR, mas é o silêncio que me consome por dentro. O silêncio ensurdecedor deixado pela morte de Arthur. Ainda posso sentir o peso de seu corpo em meus braços, o calor de seu sangue escorrendo pelos meus dedos, eu havia perdido meu irmão. O querer a vingança arde em meu peito é mais forte do que qualquer dor, mais forte do que a perda de alguém que um dia foi tudo para mim.
O campo de batalha é um caos gelado, refletindo a tempestade que devasta minha alma. Thalindra paira no céu, sua sombra colossal cobrindo o terreno. A cada avanço dos Nihilithos, minha raiva cresce. Eles irão pagar. Todos. Por cada tortura, por cada dor, por cada lágrima que não derramo. Eu não os matarei apenas por dever. Eu os matarei por Arthur.
As águas ao meu redor se agitam, como se compartilhassem da minha fúria. Um rio próximo se ergue, serpenteando pela linha inimiga, arrastando-os sem piedade. Seus gritos se perdem no gelado abraço da correnteza. Eu não sou mais apenas Eleanor. Eu sou a vingança, a tempestade que eles jamais puderam domar.
— Majestade! — A voz de Lyran corta a tensão da batalha, mas não me fez desviar do meu caminho. — Eles estão tentando flanquear pelo leste!
Assinto com um gesto curto. O leste? Não importa. O único flanco que eu quero derrotar é o da Inquisição. As águas respondem ao meu chamado, tremendo e se erguendo como um muro de fúria. A muralha de gelo que forma-se para esmagá-los como a força de um cataclismo. Nenhum deles sobreviverá. Eu não darei essa chance.
— Quero que nenhum deles sobreviva! — ordeno, minha voz fria e cortante. Cada palavra é uma sentença de morte. Eu sei o que estou fazendo, e não há espaço para fraqueza. Eles pagaram pelo que fizeram, e eu serei a justiça que Frosthaven nunca teve.
O som estridente de metal contra metal corta o ar às minhas costas, um aviso urgente que dispara meu instinto de sobrevivência. Viro-me a tempo de ver um cavaleiro da Inquisição investindo, sua armadura negra que reflete o brilho gélido ao redor, como se desafiasse o próprio frio que nos cerca. Sua lâmina desce em um arco mortal, faminta por sangue, mas não tem a chance de me atingir. Thalindra surge dos céus como um vendaval vingativo, suas garras dilacerando o cavaleiro com a força implacável de uma divindade em fúria. A morte não hesita. É rápida. Brutal. Absoluta.
Meus olhos encontram os de Thalindra, um azul glacial que parece penetrar minha alma. O ar ao redor de nós está denso, carregado com a promessa de destruição, e naquele instante sinto algo quebrar dentro de mim – uma barreira, uma hesitação. Não somos mais a rainha e a Glacithor, separadas por títulos e destinos. Somos unidas por algo maior. Tornamo-nos uma só entidade, um vendaval de fúria e poder. A tempestade.
— Lath'nar uthariel (Vamos acabar com isso). — Murmuro, minha voz sai baixa, mas firme como o gelo. As palavras soam como uma profecia, uma sentença inevitável. Num único movimento fluido, escalo a crina cristalina de Thalindra, o frio de sua pele gélida queimando contra meus dedos. O gelo estala sob meu toque, como se ela também estivesse viva debaixo da superfície. Cada músculo de seu corpo imenso está tenso, pulsando com energia. Montada em sua nuca, sinto o mundo abaixo de nós parecer insignificante.