XVII.

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 A ALVORADA RASGA O HORIZONTE como uma lâmina afiada, banhado na neve das montanhas com um brilho tênue e escarlate

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 A ALVORADA RASGA O HORIZONTE como uma lâmina afiada, banhado na neve das montanhas com um brilho tênue e escarlate. É como se o céu, ciente do que está por vir, chorasse sangue antes da batalha. O vento cortante carrega consigo os ecos distantes de cascos e o farfalhar de estandartes. A Inquisição estava aqui.

Do alto da colina, o vale abaixo se estende como uma arena preparada para o massacre. Minhas mãos, envoltas em luvas de couro e metal, seguram firmemente o cabo da minha lança. Sinto o peso da responsabilidade sobre meus ombros – mais pesado do que a couraça de ferro que me envolve. A cada respiração, o ar gelado queima meus pulmões, uma lembrança cruel de que ainda estou viva.

Thalindra ruge no céu, sua silhueta imensa cortando as nuvens como uma força da natureza. Suas escamas de gelo refletem a luz nascente, criando um brilho quase sobrenatural. Abaixo de mim, meu exército se alinha. Camponeses armados com foices e machados dividem espaço com guerreiros experientes em armaduras gastas, mas resolutas. Cada rosto carrega medo, mas também determinação – a expressão de quem sabe que lutar é a única escolha.

O som dos cascos fica mais próximo. Então, eles aparecem.

Primeiro, os estandartes negros, adornados com o símbolo da Inquisição: uma cruz estilizada, envolta em chamas. Atrás, uma horda de cavaleiros montados em bestas grotescas, suas patas e garras afundando na neve com uma graça sombria. Os elmos metálicos refletem o brilho do nascer do sol, mas são os olhos que me prendem – buracos negros que parecem sugá-lo para um vazio sem alma.

O primeiro grito ecoa, um som gutural que rasga o silêncio. Não é humano. Meu corpo congela por um instante, e então sinto a onda de medo varrer meus soldados como uma rajada de vento. Não há tempo para hesitar.

— Formação! — A voz de Arthur corta o ar como um açoite. Ele está ao meu lado, montado em um cavalo negro, o semblante duro como pedra. Seus olhos esverdeados, transbordam intensidade, mas também algo mais profundo: uma promessa de que não nos renderemos.

Os primeiros disparos surgem como trovões. Flechas negras, tingidas de veneno, rasgam os céus. Muitos de nós caem antes de erguer os escudos. Um dos meus homens, um garoto que mal tinha idade para segurar uma espada, desaba ao meu lado, a flecha cravada em sua garganta. Ele tenta gritar, mas tudo o que veio foi um borbulhar fraco enquanto o sangue escorre pela neve.

— Avancem! — Grito, minha voz rompendo o terror.

A linha da frente corre, um caos de passos pesados e armaduras tilintando. O som de espadas se encontrando com metal e carne começa a preencher o vale. Os gritos de agonia, a fúria dos choques. O cheiro de sangue fresco misturado à fumaça e ao suor preenchem o ar.

Eu desço a colina, o peso da minha lança firme na mão. O primeiro inquisidor que encontro é um gigante, uma muralha de músculos coberta de aço negro. Ele avança com um machado duplo, sua força esmagadora. Giro a lança com precisão, desviando do golpe e enfiando a ponta em sua axila desprotegida. Ele grita, mas antes que pudesse contra-atacar, puxo a lança e golpeio novamente, desta vez na garganta. O sangue espirra quente no meu rosto, tingindo minha visão com vermelho. Ele cai pesadamente, um som surdo contra a neve manchada.

Hydrazar: O Despertar do Gelo (EM REVISÃO)Onde histórias criam vida. Descubra agora