DRAKAR
O FOGO NA LAREIRA CREPITA, lançando sombras dançantes nas paredes de pedra do salão. Meus olhos vagam pelos mapas espalhados sobre a mesa de carvalho maciço, cada linha e símbolo representando territórios, tropas, vida e morte. Do lado de fora, a noite envolve o castelo como um pesado manto de veludo negro, mergulhando as muralhas ancestrais em escuridão e mistério. No silêncio profundo, apenas o som distante dos sentinelas em suas rondas quebra a quietude. Estamos no ápice da estratégia, cada movimento é uma peça num jogo mortal, meticulosamente calculado para garantir nossa vitória na iminente guerra.
Um som abrupto ecoa pela sala, cortando a tensão como uma lâmina. Todos se viram na direção da porta, onde um guarda surge apressado, arrastando um homem amarrado e coberto de sangue seco.
— Majestade. — começa ele, ofegante, os olhos ardendo com um misto de triunfo e urgência. — Encontramos este homem enviando mensagens aos inimigos.
O prisioneiro é Galen. Meu coração aperta ao reconhecer o rosto familiar, agora marcado pela dor e pelo medo. Ele serviu sob meu comando por anos, um soldado de confiança, alguém que nunca hesitei em enviar para missões cruciais.
Aproximo-me lentamente, cada passo ecoando no silêncio pesado da sala. Meus olhos fixam os dele, buscando algo, talvez um arrependimento, traição, ou apenas uma explicação.
— Galen. — Minha voz sai baixa, mas carregada de intensidade, como uma lâmina afiada prestes a cortar. — Diga-me que isso é um engano.
Ele não responde de imediato, o olhar vacilando entre mim e o chão, enquanto a tensão cresce ao nosso redor como uma tempestade iminente.
— Galen, por quê? — Minha voz treme de frustração e dor enquanto encaro seus olhos, cheios de medo e desespero, lutando para entender a traição de alguém em quem confiei.
Ele me encara, os lábios trêmulos ao responder.
— Não tive escolha, Majestade — murmura ele, os olhos lacrimejando. — Eles ameaçaram minha família. Eu nunca quis trair o reino.
Sua confissão me atinge como um golpe surdo no peito. Não é apenas traição, é algo mais profundo, mais podre. A Syndarion não se contenta em nos enfrentar de frente, nas trincheiras cobertas de gelo e sangue. Ela se move pelas sombras, silenciosa e letal, sondando nossas rachaduras, nossas falhas, e plantando sementes de corrupção onde menos esperamos.
Ela não conquista apenas territórios. Conquista mentes.
Transforma aliados em armas. Lealdade em fraqueza.
Meu olhar se crava em Galen, ajoelhado no chão como uma sombra quebrada do homem que um dia confiamos. O sangue seco em seu rosto não esconde a vergonha que transborda de seus olhos, é como se ele já estivesse condenado antes mesmo da sentença ser dita.
Não há espaço para hesitação. Nem para piedade.
— Eu sinto muito... — ele sussurra, tão baixo que apenas eu ouço. Palavras frágeis demais, tarde demais.
Dou um passo à frente. O silêncio da sala pesa como neve antes do desmoronamento.
— Leve-o à praça. Agora. — Minha voz não se altera. É firme, cortante, inegociável. — Que todos vejam o preço da traição.
Os guardas hesitam apenas por um momento antes de arrastá-lo para fora da sala. A tensão no ar é palpável enquanto os conselheiros trocam olhares, mas ninguém ousa contestar.
A decisão é fria, calculada, mas necessária. Não há espaço para fraquezas quando estamos cercados por inimigos de todos os lados.
— Drakar, isso mostra o quanto nossa inimiga é perigosa. Ela está disposta a tudo para nos derrotar — diz ele, colocando uma mão reconfortante no meu ombro.
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Hydrazar: O Despertar do Gelo (EM REVISÃO)
Aksi→PRIMEIRO LIVRO! O frio é a sua coroa. O trono foi roubado. A vingança, forjada no gelo. Em um reino que pune a magia com a morte, Eleanor não é apenas a última herdeira: ela é um segredo vivo que pode congelar o mundo inteiro. Forçada a correr e a...
