Ana Flávia
Aurora, como qualquer criança saudável, cresceu, graças a Deus. Sim, porque por mais que bebês sejam fofos e lindos quando ainda não fazem nada sozinhos, eles dão um certo trabalho. E mesmo que nos arrependamos lá na frente por termos torcido para que eles tivessem crescido logo, no fundo sentimos uma alegria imensa por vê-los amadurecerem e se transformarem em pessoinhas cheias de saúde e prontas para conquistar o mundo.
Mas ela ainda não é uma adulta, nem uma adolescente. Está longe disso.
Aurora tem 6 anos, há precisamente dois dias.
Ainda não presenciamos a queda do seu primeiro dente de leite ou sua primeira formatura, mas estivemos lá quando ela andou de bicicleta pela primeira vez e a encorajamos no seu primeiro dia de aula. Trocamos muitas fraldas, compramos muitas bonecas, escutamos muitos choros vindos de joelhos ralados. A ensinamos a nadar e exercitamos o início da sua leitura. Fomos pais de primeira viagem, mas segundo Wendy, nos saímos muito bem. Eu concordo, apesar de não ter nenhuma base como referência.
Aurora é uma criança bastante agitada. Sua simpatia e seu jeito de parecer gostar de todo mundo são sua marca registrada. Ela quase nunca se irrita, e às vezes, quando não sabe como reagir a um determinado estímulo, opta por cair na gargalhada. Ela pode fazer amigos com uma simples saída, seja indo ao parque ou à padaria.
Para uma melhor educação, Gustavo e eu dividimos nossas obrigações como pais. Isso significa que ele é responsável pelos "sins", enquanto que dizer os "nãos" necessários sobra para mim. Felizmente (porque a última coisa que eu quero é me tornar uma mãe chata e repressora competindo com um pai engraçado e "maneiro"), Aurora é uma criança boa. Um anjo, por mais agitada que seja. Não precisamos (eu não preciso) reprimi-la duas vezes. Ela simplesmente entende que, caso eu não a deixe fazer alguma coisa, deve haver algum motivo, e magicamente obedece (o que é um tanto esquisito. Crianças de 6 anos não deveriam ter esse discernimento).
Eu realmente não tenho do que reclamar. Muitas crianças são umas pestes, mas não ela. E ela tem só 6 anos. Há precisamente dois dias. O que faz com que hoje seja um dia um pouco especial para mim.
- Emma? - Chamei, chegando na cozinha e encontrando-a no fogão.
- Oi, Ana Flávia! - Ela respondeu toda contente - Feliz aniversário!
- Obrigada... - Falei ainda morrendo de sono, abraçando-a e me jogando em cima dela - Que horas são?
- Quase 11h. Estou fazendo o almoço, daqui a pouco eles chegam...
- Merda... Dormi demais. - Falei, levando a mão à cabeça - Eu deveria estar te ajudando...
- Coisa nenhuma! É seu aniversário. E aniversariantes não trabalham.
Emma gosta de me dar ordens. A essa altura nós já temos esse nível de intimidade mesmo.
- Ei, eu gosto de cozinhar, e você sabe disso...
- Você - não - vai - cozinhar.
Bufei. Ela é teimosa como uma mula, e eu sabia que a única forma de chegar perto do fogão seria acertá-la com uma frigideira e deixá-la desacordada em um canto. Desisti de brigar.
- Ok. Onde está Aurora?
- Ela estava na casa da árvore da última vez que eu vi.
Uma casa na árvore. Gustavo deu a Aurora uma casa na árvore como presente de 6 anos. E não é uma daquelas casas na árvore feitas de tocos de madeira e cordas: É uma casa com porta e janelas de vidro, varanda, escada e dois andares. Uma família poderia facilmente morar ali.
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De repente...Amor / Miotela
FanfictionGustavo é um jovem de negócios, embora não saiba nem do que tratam os contratos que assina. Ana Flavia é uma prostituta de luxo, apesar de sentir-se extremamente mal por isso, não encontra uma saída para mudar a vida. Como havir de ser, os dois se e...
