CAP 10- OS SINAIS DE KEVIN

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26/03
[12:30]

— Com Eric na ACADEPOL e você de preguiça em casa, obviamente não terá comida! — afirmou com humor Luiza, mãe de Sophia, enquanto passava pela filha e Kevin na cozinha. — É por isso que te chamei!

Rindo enquanto cuidava dos frangos na frigideira, o único homem presente na casa entrou na brincadeira:

— Ou foi porque eu sou especial e você me ama?

— Ai, que convencido! — Luiza colocou um pano de prato no ombro e revirou os olhos, indo até seu quarto em seguida.

— Pelo menos ele está ajudando com o almoço, não é, mãe? — Sophia aumentou o tom de voz para que ela pudesse ouvir e se aproximou de Kevin no fogão.

Olhou-o de cima a baixo, não deixando de reparar em sua camisa de mangas longas e gola alta e seus anéis. Arqueou a sobrancelha e indagou-o:

— Precisa desse luxo todo para fritar um frango?

— Só os profissionais entendem! — respondeu, dando uma piscadinha. Sophia riu. — Está tudo pronto. Já pode colocar no prato?

— Claro!

Kevin desligou o fogão, e com cuidado, serviu os pedaços de frango nos três pratos já cheios em cima da mesa.

— Pronto.

— Coloque os talheres sujos na pia, por favor — pediu Sophia.

Assim que Kevin pegou o garfo e a faca usados da mesa, uma nova reportagem da televisão começou a ser anunciada, chamando a atenção do jovem. Seus olhos se encontraram com imagens censuradas do assassinato de seus pais, enquanto a repórter informava sobre o tal assassino responsável e seus crimes cometidos.

"Reckoner..."

Com o olhar se escurecendo, ele pressionou seus dentes e começou a tremer. Com as veias pulsando, fechou os punhos, ainda segurando a faca. Deu um soco na mesa e permaneceu com a mão direita fechada, abrindo assim um ferimento.

Ao notar o silêncio de Kevin e pequenas gotas de sangue caindo, Sophia andou depressa até ele, logo pegando um pano de prato branco, tirando a faca de sua mão e cobrindo seu ferimento. Pediu para que Kevin fizesse pressão enquanto pegava o controle e desligava a televisão.

— Você está maluco, Kevin?! — questionou em alta voz. — Olha isso!

Com dificuldade na respiração, sendo socorrido pela amiga, Kevin pontuou:

— Você viu as fotos que eles colocaram? Eram os meus pais...

— Sim, eu vi. — Pegou uma caixa vermelha com curativos na dispensa.

— E pensar que esse assassino tem um nome agora... Ele deve estar bem feliz com a fama dele! A morte dos meus pais só serviu para o ajudar nisso...

— Kevin, por favor — pediu Sophia, preparando um curativo e tirando o pano manchado com sangue da mão dele. — Não fique pensando nessas coisas! Reforçar essa visão que você tem de Reckoner só vai piorar tudo, e para você!

Se acalmando aos poucos, Kevin olhou para Sophia ao seu lado. Prestou atenção nos detalhes de seu rosto enquanto a ouvia:

— Porque quem está sofrendo com tudo isso não são eles! Somos nós que temos que nos manter firmes e com a cabeça sã! — Olhou intrépido para o amigo por breves segundos, tornando a fazer o curativo e suspirando fundo. — Precisa aprender a se controlar... ter raiva a ponto de se machucar assim não é saudável.

Um silêncio pairou pela cozinha enquanto Sophia terminava o curativo de Kevin. Focada no que estava fazendo, não notou o olhar vidrado do jovem nela, que esquadrinhou seus cabelos castanho-escuros e ondulados e seus lábios harmoniosos que pareciam formar um coração.

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