Laya é uma garota que nunca teve a sorte de conhecer a mãe biológica e nem o pai. Ela foi abandonada no orfanato de londres "Lar dos Sonhos" com apenas alguns dias de vida .
Teve algumas experiências estranhas para ela, e era chamada de "aberração"...
Quando a porta do dormitório se abriu, o ar parecia mais pesado. Era como se o quarto tivesse ficado preso no tempo, congelado em uma versão que agora doía olhar. As cortinas ainda estavam abertas, a luz do final da tarde entrando suavemente, mas nada disso parecia capaz de suavizar a angústia que eu sentia.
No canto, sobre a pequena poltrona perto da janela, estavam as roupinhas. Pequenas e delicadas, dobradas com tanto cuidado que pareciam quase intocadas. Do lado, os sapatinhos. Tão pequenos... Tão impossivelmente pequenos. Passei os olhos por eles, sentindo o nó na garganta apertar.
Do outro lado, na prateleira, estavam os brinquedos que eu tinha escolhido com tanto carinho. Um ursinho marrom de pelúcia, uma pequena pipa colorida que Theodore insistiu em me ajudar a comprar, dizendo que "seria uma ótima primeira lição de magia". E agora... tudo aquilo parecia tão fora de lugar.
Respirei fundo e fechei a porta atrás de mim, mas o som ecoou pelo quarto como um lembrete cruel de que não havia escapatória.
Me sentei na cama, os olhos presos naquele canto do quarto que, por semanas, eu tinha olhado com tanto amor e expectativa. Agora, olhar para ele era como encarar o fantasma de um futuro que nunca existiria.
Peguei um dos sapatinhos nas mãos. Ele era macio, branco com pequenos detalhes em azul. Era impossível segurá-lo sem imaginar como teria sido colocá-lo nos pezinhos de quem nunca tive a chance de conhecer. Minhas mãos tremiam, e as lágrimas começaram a cair antes que eu pudesse tentar contê-las.
- Eu sinto muito... - Mattheo me abraçou fortemente. A nossa dor estavam juntas. Me deixei cair nos braços dele, chorei o que eu tinha segurado por tanto tempo. Um choro de dor, ódio, angústia, e principalmente tristeza por não ter meu filho ali comigo - Isso, chora, faz bem - Ele se sentou na cama e me puxou para o lado dele com delicadeza. Eu chorei tanto, como nunca tinha chorado na minha vida
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- Filha - não tive forças para encarar meu pai. Ele estava tão feliz com a idéia de ser vovô - Filha por favor olha pra mim. Eu sei que você está sentindo muita dor, e eu sinto muito minha pequena. Se eu pudesse eu arrancaria toda essa dor do seu coração e jogaria fora
- Me desculpa
- Não tem razões para se desculpar...não foi sua culpa, apenas não era a hora. Vocês são jovens, vão conseguir de novo - Não é assim...eu queria ele, eu queria o meu bebê
- Só leva embora a caixa - tinha colocado tudo que seria do bebê lá, tudo mesmo, não deixado nada
- Você realmente quer que eu me livre de tudo?
- Sim. Doe, queime, faça o que quiser...mas tire isso da minha frente
- Fica com uma coisa pelo menos - Ele retirou um ursinho, o ursinho que Astória me deu. O ursinho estava enfeitado com o primeiro sapatinho que Mattheo comprou - fique com isso - peguei o ursinho com as mãos trêmulas e coloquei na cama