Eu não me importava com nada mais naquele momento. Nada além de Laya. O medo de perdê-la estava tão presente em minha mente, que, quando finalmente a levei até o hospital, uma sensação de alívio e terror se misturavam dentro de mim. Eu sabia que ela precisava de ajuda médica, mas também sabia que o que ela precisava era de mim. E isso me consumia, me apertava o peito a cada segundo.
O caminho até lá foi torturante. Ela estava tão fraca, e embora ela tenha tentado dizer que estava tudo bem, eu sabia que ela não estava bem. A cada suspiro dela, a cada tremor que percorreu seu corpo, algo dentro de mim se partia. Eu estava tentando ser forte, porque ela precisava disso. Mas a verdade era que eu estava mais perdido e desesperado do que nunca.
Quando chegamos ao hospital, as enfermeiras e médicos se moveram rapidamente. Laya foi levada para uma sala de emergência, e eu fiquei ali, esperando, sem conseguir parar de andar de um lado para o outro. A espera foi interminável. A angústia em meu peito se espalhava a cada segundo que passava sem saber como ela estava.
Eu não podia mais ser aquele Mattheo calmo e controlado. Não enquanto ela estivesse em perigo.
Finalmente, uma médica entrou na sala, e eu senti um calafrio atravessar meu corpo.
- Ela está estável - disse ela, com uma expressão séria, mas tranquilizadora. - Fizemos os exames, e o bebê também está bem. Ela passou por uma quantidade significativa de trauma físico e emocional, mas com repouso e cuidados adequados, ela vai se recuperar.
Eu senti um peso sair dos meus ombros, mas ao mesmo tempo, a imagem de Laya sofrendo de todas aquelas formas ainda estava gravada em minha mente. Ela não estava bem, e eu sabia que precisaria de mais do que apenas cuidados médicos.
- Ela vai precisar de muita alimentação e descanso - continuou a médica. - O corpo dela passou por muita tensão, mas com tempo, ela vai se recuperar. É importante que ela mantenha o mínimo de esforço possível nas próximas semanas.
Eu acenei, grato por suas palavras, embora meu coração ainda batesse acelerado. Eu não sabia como seria depois disso, mas uma coisa estava clara para mim: eu estaria ao lado dela, dia e noite. Não a deixaria sozinha em momento algum.
A médica me olhou com um olhar compreensivo e deixou a sala para que Laya pudesse descansar. Eu sabia que ainda havia muito a fazer. Eu tinha muito a dizer a ela, mas, por agora, a prioridade era garantir que ela tivesse paz.
Quando entrei no quarto de hospital, o cenário que encontrei me fez parar na porta por um momento.
Laya estava deitada na maca, sua pele limpa e fresca, e os cabelos, embora ainda um pouco bagunçados, estavam agora cortados até a altura dos ombros. Ela estava diferente. A fragilidade estava ali, mas também havia algo mais: força. Mesmo após tudo o que passou, ela estava ali, viva. E isso era tudo o que importava.
Ela me olhou quando entrei, seus olhos cansados, mas cheios de uma beleza que eu ainda amava, apesar de tudo.
Me aproximei devagar, sem fazer nenhum movimento brusco. Não queria assustá-la, mas o que vi me fez sorrir de uma maneira tímida. Ela estava tão vulnerável, mas ainda assim, ela estava ali. Eu a teria em meus braços para sempre, se fosse necessário.
- Olá, minha linda - murmurei, tentando esconder a emoção na minha voz. Eu sabia que ela poderia perceber, mas ainda assim, precisava falar.
Ela sorriu fravemente, um sorriso cansado, mas tão real.
- O que aconteceu com o meu cabelo? - Sua voz estava fraca, mas ela estava tentando manter uma leveza, como se brincasse.
Eu olhei para ela com carinho, tocando o cabelo cortado com a ponta dos dedos, tentando suavizar a expressão tensa em seu rosto.
- Você ficou ainda mais linda assim - falei, com um sorriso sincero. - Eu sempre amei seu cabelo, mas... você está linda de qualquer jeito, Laya.
Ela fechou os olhos por um momento, como se estivesse absorvendo aquelas palavras, e depois abriu novamente, olhando para mim com uma expressão suave.
- Obrigada - ela sussurrou.
Eu me inclinei mais perto, sentando na beira da cama. Ela parecia tão pequena, tão quebrada, mas ainda havia um brilho no fundo dos seus olhos. E isso foi o que me deu esperança. Eu não importava com o cabelo, com os cortes, com as cicatrizes que ela levaria. Eu importava com ela. Com o que restava de sua essência, e o que eu sabia que ela ainda tinha dentro de si.
- Você precisa descansar agora - falei suavemente, acariciando o topo de sua mão. Ela estava quente, e o contato era o único que eu poderia oferecer para aplacar um pouco do sofrimento que ela havia passado. Eu precisava ser forte por ela. Precisava ser a rocha que ela sempre foi para mim.
Ela sorriu mais uma vez, um sorriso frágil, mas cheio de gratidão.
- Eu sei. Vou descansar, Mattheo. Só... só me deixe sentir sua presença um pouco mais.
Eu não disse nada. Apenas fiquei ali, ao lado dela, o tempo todo que ela precisasse. Não importava quanto tempo levasse para ela se recuperar. Eu ficaria com ela até o fim, até que ela voltasse a ser a Laya que eu conhecia e amava.
Eu a acariciei suavemente e, sem dizer mais nada, fiquei ali, silencioso, observando-a adormecer. Ela estava segura agora, e isso era o suficiente. Eu só queria que ela soubesse uma coisa: nós dois sairíamos disso. Juntos.
- Por que escondeu a gravidez de mim? - Perguntei acariciando a barriga dela
- Não ia esconder..eu ia te falar, naquele dia eu tinha saído para uma consulta. Eu ia te contar naquele dia, mas...eu fui pega por ele
Respirei fundo, tudo foi culpa daquele desgraçado. Se não fosse por ele eu já teria descoberto a gravidez dela com muita felicidade
VOCÊ ESTÁ LENDO
𝐇𝐞𝐫𝐚𝐧ç𝐚 𝐃𝐚𝐬 𝐓𝐫𝐞𝐯𝐚𝐬
FanfictionLaya é uma garota que nunca teve a sorte de conhecer a mãe biológica e nem o pai. Ela foi abandonada no orfanato de londres "Lar dos Sonhos" com apenas alguns dias de vida . Teve algumas experiências estranhas para ela, e era chamada de "aberração"...
