45- minha princesinha

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A casa estava silenciosa, o único som era a respiração tranquila de Mattheo ao meu lado. Ele dormia profundamente, um braço protetor sobre minha barriga enorme, como se até em sonhos quisesse garantir que eu e nosso bebê estávamos bem. Eu estava confortável e quente, envolta pelo cheiro dele e pelo cobertor macio, mas algo dentro de mim me fez despertar de repente. 

Uma pontada forte tomou conta do meu ventre, me fazendo prender a respiração. Arqueei levemente o corpo, tentando não acordar Mattheo, mas a dor era intensa. Fechei os olhos, esperando que passasse, mas outra contração veio logo em seguida, arrancando um gemido baixo dos meus lábios. 

Mattheo se mexeu ao meu lado, murmurando algo incompreensível. Seu rosto estava relaxado, completamente alheio ao que estava acontecendo. Por um segundo, pensei em deixá-lo dormir mais um pouco. Talvez fosse um alarme falso, talvez as dores sumissem em minutos... mas outra contração me fez mudar de ideia. 

— Mattheo — chamei baixinho, tocando seu braço. 

Ele não respondeu. 

— Mattheo! — Repeti, agora apertando seu ombro. 

Ele resmungou, virou-se na cama e piscou algumas vezes antes de focar o olhar em mim. Seu cabelo estava uma bagunça, e ele parecia perdido entre o sono e a realidade. 

— Hm...? Que foi, amor? Você tá bem? — Sua voz saiu rouca e preocupada ao mesmo tempo. 

Engoli em seco, sentindo outra contração. Respirei fundo antes de responder. 

— Eu acho que... acho que está na hora. 

Os olhos dele se arregalaram no mesmo instante. 

— O quê?! — Ele se sentou num pulo, completamente desperto agora. — Você tá falando sério?! Mas... mas já?! 

— Acha que eu brincaria com uma coisa dessas?! — retruquei entre dentes, apertando minha barriga quando outra onda de dor me atingiu. 

— Merda, tá doendo muito?! Como eu posso ajudar?! O que eu faço?! — Ele já estava saindo da cama, andando de um lado para o outro do quarto, completamente em pânico. 

Apesar da dor, eu quase ri. 

— Você pode parar de surtar e me ajudar a levantar, pra começar. 

Ele congelou por um segundo, depois correu até mim, segurando minhas mãos e me ajudando a sair da cama com cuidado. 

— Ok, certo, certo. Respira, amor. Eu tô aqui. Eu tô aqui. — Ele falava tanto que parecia estar tentando se acalmar também. 

Segurei firme em seus braços enquanto ficava de pé, sentindo o peso da barriga me puxar levemente para a frente. Mattheo passou um braço ao redor da minha cintura, sustentando meu corpo como se eu fosse feita de vidro. 

— Ok, precisamos pegar as malas do bebê! Onde tá a chave?! E seu casaco?! — Ele olhou ao redor como se as coisas fossem simplesmente aparecer por mágica. 

— O casaco tá no armário, e a mala já está na porta há semanas, lembra? Você ficou me fazendo arrumar tudo com antecedência — respondi, ofegante. 

— Ótimo! Ótimo! Tá vendo? Sou um gênio! — Ele falou, correndo para pegar o casaco e depois vestindo-o em mim com uma delicadeza exagerada. — Agora, os sapatos! Você precisa de sapatos! 

— Eu sei, Mattheo. Eu não vou descalça pro hospital. 

Ele se ajoelhou à minha frente e, sem hesitar, começou a calçar meus sapatos. O gesto era tão carinhoso que meu coração apertou no peito, mesmo em meio à dor. 

𝐇𝐞𝐫𝐚𝐧ç𝐚 𝐃𝐚𝐬 𝐓𝐫𝐞𝐯𝐚𝐬Onde histórias criam vida. Descubra agora