Laya é uma garota que nunca teve a sorte de conhecer a mãe biológica e nem o pai. Ela foi abandonada no orfanato de londres "Lar dos Sonhos" com apenas alguns dias de vida .
Teve algumas experiências estranhas para ela, e era chamada de "aberração"...
A escuridão já não me assustava tanto. Depois de dois dias presa nesse porão imundo, o medo maior não era do escuro, mas dele. De Paul.
Meus músculos estavam fracos, minha garganta seca. Meu corpo pedia descanso, comida, qualquer coisa. Mas o pior não era a fome ou o cansaço. Era o terror constante. A certeza de que, a qualquer momento, ele poderia decidir acabar comigo.
Ou pior… com meu bebê.
Ouvi passos pesados descendo as escadas. Meu coração disparou. Não demorou muito para ele aparecer, com aquele sorriso cruel estampado no rosto.
— Ainda viva, docinho? — sua voz tinha um tom falso de carinho, mas eu sabia que era puro veneno.
Eu não respondi. Mantive os olhos fixos no chão, tentando ignorá-lo, como se isso fosse possível.
Ele se agachou na minha frente e segurou meu rosto à força, me obrigando a encará-lo.
— Eu te fiz uma pergunta.
Engoli em seco. Minha boca estava amarga.
— Sim — murmurei, sentindo o aperto dos seus dedos na minha pele.
Paul sorriu, satisfeito.
— Você devia me agradecer. Eu poderia ter feito tanta coisa nesses últimos dois dias… poderia ter me divertido um pouco. Mas eu fui paciente. E sabe por quê?
Fiquei em silêncio. Ele continuou.
— Porque eu gosto de ver você assim. Fraca. Com medo. Isso me dá prazer.
Meu estômago se revirou.
Ele soltou meu rosto e passou a mão devagar pelo meu ventre, me fazendo encolher.
— Ainda não parece nada, mas tem um verme crescendo aqui dentro — sua voz ficou sombria. — Você realmente achou que ia construir uma família com aquele babaca do Mattheo?
Senti lágrimas queimando meus olhos, mas recusei-me a derrubá-las na frente dele.
— O que você quer de mim, Paul? — perguntei, minha voz tremendo.
Ele riu baixo e se levantou, começando a andar em círculos ao meu redor, como um predador.
— Quero que você sofra. Quero que entenda que nunca deveria ter me deixado. Você me fez parecer um idiota, e isso tem um preço.
Meus punhos se fecharam.
— Você é um monstro.
Ele parou abruptamente e chutou a cadeira onde eu estava amarrada. Meu corpo balançou, e um grito escapou dos meus lábios.
— E você é uma ingrata! — ele gritou de volta, seu rosto a centímetros do meu. — Eu fui o único homem que realmente te amou, e como você me retribuiu? Fugindo para os braços daquele desgraçado!
Minha respiração estava descontrolada.
Ele sorriu de novo, mas dessa vez seu olhar tinha algo mais sombrio.
— Mas sabe… ainda dá tempo de consertar isso. Se você quiser, eu até deixo você viver. Mas o bebê? — Ele balançou a cabeça, fazendo um som de negação com a língua. — Esse erro precisa ser corrigido.
Meus olhos se arregalaram.
— N-não…
Ele se inclinou e sussurrou no meu ouvido:
— E se eu te disser que Mattheo já sabe da gravidez? Que eu contei para ele do pior jeito possível?
Meus lábios tremeram.
— O que você fez com ele?
— Nada… ainda. Mas ele está desesperado. Sabe que se fizer qualquer besteira, eu posso muito bem… — Ele fez um gesto com a mão, como se esmagasse algo no ar. — Acabar com vocês dois.
Uma lágrima escorreu pelo meu rosto.
Paul pegou meu queixo entre os dedos e me forçou a olhá-lo de novo.
— Agora seja boazinha e reze para que Mattheo faça tudo certo. Caso contrário… — Ele sorriu, os olhos brilhando com pura maldade. — Seu bebê nunca vai nascer.
Eu queria gritar. Queria lutar. Mas tudo que pude fazer foi fechar os olhos e segurar meu ventre, como se pudesse proteger meu filho do monstro à minha frente.
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A sala estava um caos. Papéis espalhados pela mesa, mapas riscados, anotações apressadas. Meu peito subia e descia em um ritmo frenético, a respiração pesada. Eu estava há dois dias sem dormir, sem comer, sem conseguir pensar em mais nada além dela.
Laya.
Minha Laya estava nas mãos daquele desgraçado. E eu não sabia onde.
Passei as mãos pelos cabelos, tentando afastar o desespero que ameaçava me engolir. Eu precisava encontrá-la. Eu precisava salvá-la. Mas cada segundo que passava sem notícias me matava um pouco mais.
Sirius estava ao meu lado, com o olhar fixo em um ponto qualquer da parede. Ele parecia tão devastado quanto eu. O rosto marcado pelo cansaço, as olheiras fundas, o punho cerrado ao lado do corpo. Ele não dizia nada há minutos, apenas respirava fundo, como se tentasse se segurar.
Mas então, ele quebrou o silêncio.
— Eu devia ter matado aquele filho da puta quando tive a chance — sua voz saiu grave, carregada de ódio.
Apertei a mandíbula, sentindo o mesmo ódio queimando dentro de mim.
— Ele está brincando com a gente — murmurei, tentando conter a raiva. — Disse que me daria instruções, mas até agora… nada. Só quer me ver sofrendo.
Sirius socou a mesa, derrubando alguns papéis.
— Ele quer nos quebrar. Mas não vamos deixar.
Meu estômago revirou. Eu sentia que algo estava errado. Algo pior do que já era.
Minha mente não parava de repetir as palavras de Paul.
"Você vai ser papai."
Eu ainda não conseguia acreditar. Laya estava grávida. Eu deveria ter descoberto isso por ela, em um momento nosso, cheio de felicidade. Mas não. Descobri através de um psicopata que estava usando essa notícia para me torturar.
A ideia de que ele poderia machucá-la… machucar meu filho… fez um grito de raiva subir pela minha garganta.
Sirius olhou para mim, os olhos brilhando com a mesma fúria.
— Vamos encontrá-la. Nem que eu tenha que virar esse mundo do avesso.
Balancei a cabeça, cerrando os punhos.
— Eu juro que, quando eu encontrar Paul, ele vai se arrepender de cada segundo que respirou perto dela.
O relógio na parede marcava mais um minuto de angústia.
Mas eu sabia de uma coisa.
Paul podia achar que estava no controle agora.
Mas quando eu o encontrasse…
Ele conheceria o verdadeiro inferno.
— Vem cá – Fui até Sirius e ele me abraçou, pela primeira vez eu sentir um amor paterno..o qual nunca tive com meu pai – Laya vai ficar bem