A sala da nossa casa nunca esteve tão barulhenta.
Victoria, Matias e Steven estavam espalhados pelo tapete, cercados por brinquedos e fazendo uma bagunça digna de três bebês hiperativos. Victoria segurava um chocalho e o balançava animadamente, fazendo Matias rir toda vez que o som ecoava. Steven, por sua vez, parecia mais interessado em tentar pegar um dos bichinhos de pelúcia espalhados pelo chão, enquanto Astória e Pansy vigiavam de perto, garantindo que nenhum deles fizesse algo perigoso — como tentar comer os brinquedos.
Eu estava sentado no sofá, com um braço ao redor de Laya, enquanto Theo e Draco ocupavam as poltronas próximas. Era raro termos um momento assim, todos juntos, sem nenhuma preocupação além de garantir que os bebês não fizessem alguma travessura.
— Você tem noção do caos que esses três vão causar quando começarem a andar? — Theo comentou, olhando para os pequenos com um misto de orgulho e terror.
— Se já estão destruindo a sala sem saber andar direito, imagina depois — Draco acrescentou, balançando a cabeça. — Acho que vamos precisar de feitiços extras de proteção.
Laya riu baixinho.
— Pelo menos eles vão crescer juntos. Vão se proteger e aprontar juntos.
— Como nós — Pansy completou, sorrindo.
Theo suspirou dramaticamente.
— O problema é que nós éramos um pesadelo. Se eles puxarem a gente… estamos ferrados.
Olhei para Victoria, que agora estava tentando alcançar Matias para puxar o cabelinho dele.
— Bom, pelo menos sei que minha filha vai ser a líder do caos.
— Como se houvesse dúvidas — Draco debochou. — Olha quem são os pais dela.
Revirei os olhos, mas antes que eu pudesse responder, um gritinho chamou nossa atenção.
Victoria finalmente conseguiu puxar o cabelo de Matias. O bebê fez uma carinha de confusão antes de rir, como se tivesse achado aquilo divertido.
— Ela não tem medo de nada — Astória disse, rindo.
— Isso é preocupante e admirável ao mesmo tempo — Pansy acrescentou.
Laya sorriu e olhou para mim.
— Será que a gente sobrevive até eles crescerem?
Segurei sua mão e a apertei de leve.
— Se não sobreviver, pelo menos vai ser uma aventura.
Ela riu, encostando a cabeça no meu ombro.
E ali, com nossa filha brincando ao lado da nossa família, percebi que o caos nunca foi tão bem-vindo.
Os risos e os gritos dos bebês preenchiam a sala, e eu não conseguia evitar sorrir ao ver a interação entre eles. Victoria, Matias e Steven estavam se divertindo tanto quanto podiam, e o que para os adultos parecia uma verdadeira bagunça, para eles era simplesmente uma grande brincadeira.
Victoria, agora um pouco mais esperta, começou a engatinhar em direção a Matias, que estava ocupado tentando pegar um brinquedo colorido. Ela se aproximou sorrindo e, com a habilidade de uma futura líder de travessuras, tentou pegar o brinquedo primeiro. Matias, com a paciência de um bebê de nove meses, apenas a observou, sem entender muito bem o que estava acontecendo, mas não demorou para dar um sorriso travesso. Ele começou a empurrar o brinquedo de volta para ela, como se já estivesse começando a aprender a “brincadeira de grupo”.
Steven, por outro lado, parecia mais focado em observar os outros dois, engatinhando devagar e tentando, com dificuldade, alcançar um dos bonecos de pelúcia. Ele olhava para Victoria e Matias com um interesse genuíno, como se já soubesse que eles seriam seus companheiros de bagunça por muito tempo.
Eu estava ali, de olhos fixos nos bebês, tentando absorver o momento. Não parecia real. Eu tinha uma filha. E não só isso, ela estava crescendo rodeada de amigos, com uma família que a amava. Mesmo Matias, apesar de não ser meu filho biológico, era meu sobrinho, filho do meu único irmão, e eu o amava como se fosse meu.
Laya, ao meu lado, estava tão concentrada nos pequenos quanto eu. Eu podia sentir a felicidade dela emanando, e eu sabia que ela estava pensando o mesmo que eu. Esses pequenos momentos de simplicidade eram os que mais importavam.
Do outro lado da sala, Draco e Theo estavam tendo uma conversa sobre negócios. Eu já tinha ouvido esse tipo de conversa dezenas de vezes, e às vezes me perguntava se algum dia conseguiria fugir dessas discussões de "negócios" e "estratégias". Porém, eu sabia que fazia parte do nosso mundo e que era um reflexo da segurança que tentávamos proporcionar para os nossos filhos.
Pansy estava conversando com Hermione sobre coisas mais leves, como novos feitiços e dicas de cuidados com os bebês. E, entre risos e olhares de ternura, podíamos ouvir Astória e Draco discutindo o que faria de diferente na educação de Steven, que parecia ser uma combinação perfeita entre os pais: travesso, mas com um toque de doçura.
De repente, Victoria, já cansada de brincar, tentou pegar a mão de Matias. Ela o puxou, e os dois começaram a engatinhar juntos pela sala. Matias, mais lento que Victoria, tentava acompanhar, mas ela estava mais rápida. Ri baixinho e me inclinei para Laya.
— Ela vai ser a líder, não vai?
Laya sorriu e deu uma risada suave.
— Se já não é.
E eu sabia que estava certo. Victoria era mais do que uma criança travessa; ela tinha algo dentro de si, uma energia que todos ao redor dela sentiam. Ela era nossa filha, e o mundo parecia se moldar ao redor dela com uma naturalidade surpreendente.
Lá no fundo, algo dentro de mim se aquecia com a certeza de que, mesmo com todas as dificuldades, com todas as mudanças e com todo o caos, minha família estava ali, crescendo e prosperando.
Foi quando uma pequena confusão começou a acontecer. Victoria, em sua típica curiosidade, puxou um brinquedo de Steven e o fez chorar, algo que era inevitável em nossa casa. Steven, com lágrimas nos olhos, fez uma cara de desgosto, e Matias, vendo o que acontecia, rapidamente se aproximou de Victoria para tentar pegar o brinquedo de volta.
Eu me levantei rapidamente, mas antes que eu pudesse intervir, Laya já estava agachada, acalmando Steven com um carinho suave e uma palavra tranquilizadora. Ela olhou para Victoria e disse:
— Filha, vamos compartilhar, certo?
Victoria olhou para ela com uma expressão de leve confusão, mas logo percebeu que estava contrariando a regra. Com um suspiro, entregou o brinquedo de volta para Steven, que imediatamente parou de chorar e sorriu, grato.
Foi um daqueles momentos pequenos, mas tão significativos. As lições que estamos ensinando aos nossos filhos não são sobre grandes feitos, mas sobre os gestos simples de bondade e compreensão. E, ao ver aquele pequeno gesto, eu soube que estávamos fazendo algo certo.
Olhei para Laya e, sem palavras, trocamos um olhar de cumplicidade. Tudo estava dando certo. A nossa família estava crescendo de uma maneira que nunca imaginamos, mas da melhor forma possível.
Os bebês, então, se acalmaram e voltaram a brincar, ignorando o pequeno incidente, como se nada tivesse acontecido. Eu me recostei no sofá, aliviado, enquanto Laya se aninhava ao meu lado, com um sorriso sereno no rosto.
E, ali, com todos os amigos e familiares ao nosso redor, com o barulho dos pequenos rindo e engatinhando pelo chão, eu senti a paz. Tudo o que sempre quis estava ali, naquele instante.
VOCÊ ESTÁ LENDO
𝐇𝐞𝐫𝐚𝐧ç𝐚 𝐃𝐚𝐬 𝐓𝐫𝐞𝐯𝐚𝐬
FanfictionLaya é uma garota que nunca teve a sorte de conhecer a mãe biológica e nem o pai. Ela foi abandonada no orfanato de londres "Lar dos Sonhos" com apenas alguns dias de vida . Teve algumas experiências estranhas para ela, e era chamada de "aberração"...
