46- Um novo começo

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O quarto do hospital estava silencioso, exceto pelo som suave da minha filha mamando. Era um som doce, reconfortante, que enchia meu peito de felicidade e alívio. Depois do que passei, da dor de perder um bebê antes mesmo de tê-lo em meus braços, segurar Victoria nos meus braços agora parecia um sonho realizado.

Eu olhei para Mattheo ao meu lado, os olhos fixos na nossa bebê com tanta ternura que meu coração quase transbordou. Ele segurava sua mãozinha minúscula, como se estivesse com medo de soltá-la e ela desaparecer.

— Ela é perfeita - ele murmurou, sorrindo de um jeito que só eu conhecia, um sorriso verdadeiro e cheio de amor.

Eu não respondi, apenas deixei que as lágrimas silenciosas escorressem pelo meu rosto. Não eram lágrimas de tristeza, mas de pura gratidão. Eu passei tanto tempo com medo de que esse momento nunca chegasse, que agora que estava aqui, parecia um milagre.

Mattheo se inclinou e beijou minha testa com carinho.

— Você foi incrível, minha guerreira.

Eu soltei uma risada fraca, ainda me sentindo cansada do parto, mas completamente tomada pelo amor.

Antes que eu pudesse responder, a porta do quarto se abriu, e eu vi Theo entrar primeiro, carregando Matias no colo. O bebê estava risonho, com os olhos brilhantes de curiosidade. Pansy veio logo atrás, os braços cruzados, mas o sorriso nos lábios mostrava que ela estava emocionada.

—  Olha só quem finalmente chegou ao mundo! - Theo brincou, se aproximando. - E você, Laya, está incrível para alguém que acabou de ter um bebê.

Revirei os olhos, rindo.

— Você sempre exagerado, Theo.

Pansy se inclinou para ver Victoria.

— Ela é tão pequenininha - ela sussurrou, como se tivesse medo de quebrar o encanto.

— Nem tanto - brinquei. - Depois de carregá-la por nove meses e tê-la saindo de mim, posso dizer que não é tão pequena assim.

Mattheo soltou uma risada e Theo fingiu uma careta.

— Eu já disse que sou muito feliz por nunca precisar passar por isso?

— Covarde - Pansy murmurou, revirando os olhos.

A porta se abriu novamente, e Astória entrou segurando Steven, com Draco logo atrás. Ela sorriu ao me ver e caminhou até a cama.

— Parabéns, Laya - ela disse, me olhando com tanta felicidade que eu quase chorei de novo.

Steven, em seu colo, balbuciou alguma coisa incompreensível, mas sua expressão de bebê feliz fez meu coração se derreter.

— Olha só quem veio conhecer a priminha - Astória brincou, olhando para seu filho e depois para Victoria, que ainda mamava tranquila.

— Dois futuros melhores amigos - Mattheo disse, sorrindo.

Draco parou ao lado da namorada, observando a cena com um olhar mais sério, mas ainda assim cheio de carinho.

— Como você está se sentindo? - ele perguntou.

Suspirei.

— Cansada, mas muito feliz.

Ele assentiu.

— Você fez um ótimo trabalho.

Agradeci com um sorriso antes de voltar minha atenção para minha bebê, que finalmente terminava de mamar. Mattheo estendeu os braços para pegá-la, e eu deixei, observando o jeito delicado com que ele segurava nossa filha.

— Olá, pequena Victoria - ele sussurrou. - Você não faz ideia de como já é amada.

Ela se mexeu um pouco, como se entendesse, e ele sorriu ainda mais.

— Você está tão diferente, Mattheo - Theo zombou, cruzando os braços. - Nunca achei que veria o dia em que você estaria assim, todo babão.

Mattheo apenas deu de ombros.

— Acho que ser pai faz isso com a gente.

— Bom, então bem-vindo ao clube - Theo brincou, olhando para Matias.

Eu sorri ao ver como todos pareciam completos agora. Nosso pequeno grupo de amigos tinha crescido, e nossos filhos formariam sua própria família juntos.

Astória se sentou ao meu lado, observando Steven, que parecia curioso com Victoria.

— É estranho, não é? - ela comentou. - Pensar que há pouco tempo éramos só nós, e agora temos essas vidinhas para cuidar.

Assenti, sentindo meu peito aquecer.

— Sim, mas não trocaria isso por nada.

Ela sorriu.

— Nem eu.

Ficamos ali por um tempo, conversando e aproveitando o momento. Os meninos revezavam entre segurar os bebês, e Pansy até tentou segurar Victoria, mas a bebê começou a chorar, preferindo ficar com Mattheo.

— Ótimo, já temos uma menininha apaixonada pelo papai - Pansy brincou.

Mattheo sorriu satisfeito.

— Sempre soube que seria o favorito.

Revirei os olhos.

— Só espere até ela crescer e precisar de mim para tudo.

Ele riu.

A noite foi passando e, aos poucos, os visitantes foram se despedindo, deixando apenas Mattheo e eu com nossa filha.

Ele se sentou na beira da cama, me observando.

— Você ainda está bem?

Peguei sua mão e apertei.

— Sim. Muito bem.

Ele se inclinou e me beijou suavemente.

— Eu amo vocês duas.

Sorri, sentindo meu coração explodir de felicidade.

— E nós amamos você.

Naquele momento, enquanto Victoria dormia tranquila nos meus braços e Mattheo nos observava com carinho, eu soube que tudo pelo que passei valeu a pena. Eu finalmente tinha minha família. Meu novo começo.

𝐇𝐞𝐫𝐚𝐧ç𝐚 𝐃𝐚𝐬 𝐓𝐫𝐞𝐯𝐚𝐬Histórias para pegar e não largar. Descubra agora