O silêncio do porão era sufocante. O cheiro de mofo e madeira podre grudava na minha pele, e o frio me fazia tremer, mas não era só isso. Era o medo. Um medo tão profundo que me fazia sentir como se estivesse me afogando.
Paul estava ali. Sempre estava.
Desde o momento em que ele me sequestrou, não me deu um segundo de paz. Ele não me machucava fisicamente - ainda -, mas sua presença era uma tortura por si só. Seus olhares, seus sorrisos doentios, as palavras venenosas que ele sussurrava para me quebrar aos poucos.
Mas algo estava diferente hoje.
Ele estava mais inquieto, andando em círculos ao meu redor como um predador. Meu corpo inteiro estava tenso, cada músculo preparado para uma ameaça que eu sabia que viria.
- Você está tão quieta hoje, Laya - sua voz ecoou pelo porão.
Fingi que não ouvi.
Ele riu, agachando-se à minha frente. Seus olhos analisavam cada detalhe do meu rosto, como se estivesse se divertindo em me ver assim, indefesa.
- Sabe, eu estava pensando... - Ele inclinou a cabeça, fingindo estar pensativo. - Eu fui um bom namorado para você, não fui?
Meu estômago se revirou.
- Você foi um pesadelo - murmurei, sem conseguir me conter.
O tapa veio rápido e forte. Minha cabeça virou para o lado, e a dor explodiu na minha pele.
Paul suspirou, como se estivesse frustrado.
- E você continua tão ingrata...
Minha respiração estava pesada, meus olhos ardiam com lágrimas que eu me recusei a derramar. Não ia dar esse prazer a ele.
Ele pegou meu queixo com força e me fez olhar para ele. Seu rosto estava perto demais, e o cheiro dele me enojava.
- Você acha que Mattheo vai te salvar? - ele zombou. - Ele nem sabe onde você está. E quando descobrir... já vai ser tarde demais.
Minha garganta se apertou.
- Você não vai machucar meu bebê.
Paul sorriu de lado, passando o polegar pelo meu lábio inferior, e meu corpo inteiro se arrepiou de nojo.
- Quem disse que eu estava falando do bebê?
Meu coração parou.
Paul se aproximou ainda mais, e eu tentei recuar, mas não havia para onde fugir. Minhas costas já estavam contra a parede fria do porão.
- Eu sempre amei você, Laya - ele sussurrou. - E você me deve.
Minha respiração ficou presa no peito.
- Eu não devo nada a você.
Ele riu baixinho, mas seus olhos estavam sombrios.
- Ah, mas deve. Eu te dei tudo. Você era minha. E então me trocou por aquele babaca do Mattheo.
Ele se inclinou, sua boca pairando sobre a minha, e o desespero tomou conta de mim.
- Não me toca! - gritei, tentando afastá-lo.
Ele segurou meus pulsos com força, me imobilizando.
- Você nunca soube seu lugar, não é? - Ele pressionou seu corpo contra o meu, me deixando sem saída. - Mas eu posso te ensinar.
Eu me debati, meu coração martelando contra o peito.
- NÃO!
Paul apertou mais forte meus pulsos, e a dor fez lágrimas escorrerem pelo meu rosto.
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𝐇𝐞𝐫𝐚𝐧ç𝐚 𝐃𝐚𝐬 𝐓𝐫𝐞𝐯𝐚𝐬
FanfictionLaya é uma garota que nunca teve a sorte de conhecer a mãe biológica e nem o pai. Ela foi abandonada no orfanato de londres "Lar dos Sonhos" com apenas alguns dias de vida . Teve algumas experiências estranhas para ela, e era chamada de "aberração"...
