O cheiro de mofo e sujeira impregnava o ar, mas nada se comparava ao cheiro de sangue que eu sentia em minha mente, mesmo que ele ainda não estivesse derramado.
Ainda.
Meus passos eram silenciosos enquanto me movia pela casa abandonada, minha varinha firme entre os dedos. O local era escuro e apertado, a madeira podre rangendo sob meu peso. Não me importava.
Eu sabia que ela estava aqui.
Meu coração martelava no peito com tanta força que era um milagre Paul ainda não tivesse ouvido. Minha mente estava tomada por imagens dela—sozinha, machucada, com medo.
Com medo dele.
Cerrei os punhos, tentando conter o ódio que queimava em minhas veias como fogo líquido. Cada cômodo que revirei, cada porta que abri, cada canto vasculhado apenas aumentava minha fúria.
Onde ele a escondeu?
Então, na mesa de madeira rachada da cozinha, algo brilhou.
Um pequeno reflexo prateado, como um fantasma do passado.
Meu sangue gelou.
Lá estava o colar. O colar que eu dei a ela.
Minha mão tremeu quando o peguei, a corrente fria contra minha pele quente. O pingente de prata, que antes repousava sobre o peito dela, agora estava jogado ali como se não significasse nada.
Mas significava.
Significava tudo.
A corrente estava quebrada, como se tivesse sido arrancada.
Meus olhos queimavam.
Paul tocou nela. Ele arrancou isso dela.
Senti minha respiração acelerar.
Eu o mataria.
Eu o mataria da pior forma possível.
— PAUL !— minha voz ecoou pela casa, carregada com toda a ira que eu sentia.
Nenhuma resposta.
Mas eu sabia que ele estava aqui.
Ele era um rato, e eu ia caçá-lo até o último suspiro.
Comecei a subir as escadas, cada passo carregado de um propósito mortal. Minha varinha ardia em minha mão, pedindo por sangue.
Então, ouvi um ruído.
Um leve arrastar de pés no andar de cima.
Meus lábios se curvaram em um sorriso frio.
Encontrei você, desgraçado.
Arrombei a porta do quarto com um feitiço explosivo, e os destroços voaram para todos os lados.
E lá estava ele.
Paul se virou para mim com um sorriso insolente no rosto.
— Ora, ora… — ele riu, inclinando a cabeça. — Achei que ia demorar mais.
Não respondi.
Só apontei a varinha.
— Crucio!
O feitiço atingiu seu peito e o jogou contra a parede. O grito de dor que rasgou sua garganta foi música para os meus ouvidos.
Ele caiu no chão, se contorcendo, os músculos travados pelo feitiço. Mas eu não o soltei tão cedo.
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𝐇𝐞𝐫𝐚𝐧ç𝐚 𝐃𝐚𝐬 𝐓𝐫𝐞𝐯𝐚𝐬
FanfictionLaya é uma garota que nunca teve a sorte de conhecer a mãe biológica e nem o pai. Ela foi abandonada no orfanato de londres "Lar dos Sonhos" com apenas alguns dias de vida . Teve algumas experiências estranhas para ela, e era chamada de "aberração"...
