O mundo era realmente extraordinário. A vida era mais ainda. Os bruxos poderiam viver muito mais que os humanos, os lobos e os vampiros poderiam viver muito mais que os bruxos porque podiam viver eternamente, mas se morressem, suas almas ainda estariam vivas em algum lugar e esse lugar seria o eterno deles. Mas os humanos... eles tinham a vida muito curta em comparação às demais raças. Porém, suas almas também eram eternas e por serem desprovidos de poderes, depois de mortos eles tinham algo que nenhuma outra raça tinha; a chance de renascer em um novo corpo. As memórias, por serem gravadas na alma e não no corpo, poderiam seguir com eles para a nova vida a fim de guiá-los. Para que assim, pudessem continuar o que precisava ser continuado.
_ Lilá... _ Eu cobri minha boca com as duas mãos tomada pela emoção. Eu estava diante do grande amor do meu melhor amigo. Um amor como o deles não terminaria com a morte dela. Se os laços eram eternos, o reencontro entre as almas afins era certo. Lilá jamais poderia escutar meu chamado porque ela não era uma criatura noturna. Mas sua alma buscou incessantemente por àquele que permaneceu vivo; Jungwon.
_ Isso faz algum sentido para você? _ Ela me olhou esperançosa.
_ Sim. Muito sentido. _ Eu sorri._ Posso te dar um abraço?
_ Pode..._ Ela abaixou os ombros relaxando um pouco e nós nos abraçamos. Eu quis agradecer aos céus por aquilo. Por mais que a história entre eles dois pudesse se repetir, já que ela era humana e ele vampiro, eles se encontrariam novamente e teriam a certeza da força daquele amor.
Sunghoon podia agir rápido na cura se algo acontecesse a ela e eu também aprenderia com ele se fosse possível. Eu só queria garantir que Lilá tivesse a melhor vida possível e mais longa possível ao lado de Jungwon. Talvez eu estivesse pensando demais envolvida naquele abraço, mas era impossível não desejar que meu amigo tivesse sua felicidade completa.
Senti dois vampiros se aproximando, mas não me incomodei com isso, soltei Lilá, que nessa vida se chamava Amélia, e olhei em seus olhos mostrando o afeto que eu tinha por ela sem nem mesmo conhecê-la de verdade. Tudo o que eu sabia, era de sua existência passada em breves resumos que Jungwon foi capaz de contar e recentemente mostrar através das lembranças de Joana e Augusto.
_ Você conhece ele, não conhece? _ Ela se sentiu tocada pela minha reação.
_ Sim. _ Afirmei sorrindo. _ Te levarei até Jungwon.
_ Jungwon... _ Os olhos de Amélia se encheram de lágrimas._ Eu não me lembro do nome,mas eu tenho vontade de chorar ao ouvir. _ E assim ela fez. Eu esfreguei seu ombro para confortá-la. Eu tinha perdido minhas memórias quando me foi dado o anel, e foi difícil conviver com apagões, ela por outro lado, tinha memórias até demais. Devia ser muito confuso.
_ Pode chorar...
_ Você... acha que ele vai me achar uma doida ? Eu não sei se ele vai entender meus sentimentos ou..._ Ela respirou fundo de novo._ Agora que estou perto de encontrá-lo, estou com medo.
_ Amélia, suas memórias são reais porque você as viveu de fato. _ Comecei a explicar. Ela certamente foi vista como louca desde seu nascimento e ainda poderia duvidar de seus sentimentos por esse motivo. Mesmo tendo a comprovação da existência dos vampiros e outras criaturas, seu envolvimento nesse meio poderia causar dúvidas e eu estava ali para ajudá-la. _ Meu amigo Jungwon tinha uma namorada chamada Lilá. Eles se amavam muito, um amor tão forte que o tempo jamais foi capaz de apagar. _ Ela me escutava com olhos brilhando.
_ E se eu ... e se ele não me reconhecer, eu tenho outro nome, outro corpo, eu não me lembro do meu rosto, mas eu sei que eu gostava de vestidos e ... eu sou uma nova pessoa agora s/n.
