Capítulo 14

258 14 10
                                        

Me avisem em caso de algum erro.
Boa leitura e obrigada por estarem interagindo!

═───────◇───────═

— A gente tem que contar... — Luca sugestionava em voz baixa para o irmão gêmeo. A cena que ele presenciara minutos atrás encheu seu coração de revolta, e ele seria capaz de voar contra Tomás se fosse necessário.

Mateo era o oposto. Contido até o final, temia as consequências que dedurar Tomás pudesse trazer para eles.
— Não sei, Luca... Se Tomás descobrir, ele vai bater na gente. Você bem sabe.

Luca rangeu os dentes socando uma mão contra a outra.
— Ora... Ele que tente só!
— Eu acho melhor não...
— Veja o que ele falou pra mamãe? Ela até CHOROU! Ele é um babaca!
— A mamãe vai falar pro papai. Não tem que ser da gente pra ele saber.

— Seu frouxo! Pois eu mesmo conto pro papai! — Sentenciando, Luca se virou pronto para ir procurar pelo pai. Mateo o puxou pelo braço com força.
— Melhor não, Luca... Tomás vai ficar bravo...
— Me solte!

Os dois começaram um pequeno embate. Mateo puxava o irmão, Luca tentava se soltar, os dois discutiam quem estava certo, quem deveria contar. Até que a porta da sala se abriu em um estrondo, a madeira se chocou contra a parede e Miguel surgiu.

O homem direcionou um olhar pesado para os meninos, e eles retribuíram avaliando seu estado. Olhando de baixo acima o pai, a roupa estava bagunçada, os ombros baixos mostravam desesperança e os cabelos fartos que cobriam as orelhas estavam bagunçados. O homem parecia fora de órbita, cabisbaixo.

— Que há pra contar?... — Perguntou com um rosto pouco amigável aos meninos.
Mateo soltou Luca no mesmo instante engolindo um goto a seco, e Luca deu um passo à frente juntando as palavras para falar exatamente tudo que viu e ouviu.

Miguel não se aguentou em ouvir até o final, pois as coisas que seu mais velho havia dito eram difíceis de serem digeridas até mesmo por ele.

Todo aquele abuso, aquela audácia em tocar no nome de Ana, tudo aquilo soava como uma piada de muito mal gosto para o homem, e agora ele não podia esperar para pôr as mãos em Tomás.

Assentiu interrompendo finalmente a narrativa de Luca.
— Certo, meu filho. Muito obrigado por contar. Façam companhia à vossa mãe.

Ordenou recebendo um aceno dos dois e se retirou com pressa seguindo o odor de Tomás.
Bastou um minuto e meio e ele já tinha a gola do garoto pelas mãos, o empurrava e puxava ao mesmo tempo ao carregá-lo de dentro da floresta para sua propriedade novamente. Apesar de sempre ser pego, Tomás tinha um costume tolo de se esconder quando fazia algo de errado.

— ESPERA! ESPERA PAPAI! NÃO FOI DO JEITO QUE ELES ESTÃO CONTANDO!
— CALADO!
Miguel sacudiu o garoto, e parou no meio do caminho puxando com violência uma vara da primeira árvore que viu.

Quando chegou nas suas terras deu um safanão no menino jogando-o no chão. Tomás caiu trêmulo, já chorando muito antes. Assim pensava que comoveria o pai a ponto de se livrar mais rápido da sua ira. O homem voltou com a mão na orelha do filho o arrastando pelo chão.

— AJOELHE-SE! AJOELHE-SE E PEÇA PERDÃO A DEUS PELAS BARBARIDADES QUE DISSE À SUA MÃE! VAMOS, PEÇA!
— NÃO, POR FAVOR! NÃO ME BATE, PAPAI. POR FAVOR! — Tomás se virou para o pai de joelhos com as mãos juntas, implorava desesperadamente.

Aquilo só aumentou a fúria do homem pois o seu filho sabia ser dissimulado. Não havia uma gota de arrependimento nele, até mesmo o choro era em benefício próprio. Miguel se sentiu explodir por dentro, e sabia que não estava nas melhores condições de castigar aquele menino.
Deu um tapa afastando as mãos do rapaz de perto de si.

Você leu todos os capítulos publicados.

⏰ Última atualização: Dec 19, 2024 ⏰

Adicione esta história à sua Biblioteca e seja notificado quando novos capítulos chegarem!

O EncouradoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora