Capítulo 13

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Olá! Só queria avisar que esse capítulo contém um pouco mais de violência que o comum na história. Por isso se for sensível a esse tema, leia com cautela ou até pule.

Caso não esteja abrindo o capítulo ou tenham algum erro de digitação é só avisar.
Boa leitura!

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Ernesto caminhava por entre as árvores, estava ávido, acelerado feito coelho. Dias atrás perseguia aquela mesma criatura, mas era humano e fraco, e não media forças com ela. Agora já corria muito mais rápido e a acompanhava bem de longe. Não podia farejar seu cheiro, mas ouvia o tremer que ela causava nas árvores, as folhas secas que ia quebrando no caminho.

E ele seguia feito louco, era na irmã que pensava, quase a escutava gritar novamente
“Ernesto! Socorro”. Achava estar ficando louco, mas podia ouvi-la. Jamais perderia aquela chance! Todos sabiam que era o Encourado. Ele avistara o casal momentos antes pela janela, espiou se escondendo, se aproveitou do fato de Miguel e Leonor estarem ocupados demais para percebê-lo.

E lá estava o bicho, o demônio que levou sua irmã, o demônio que muito provavelmente o matou também. Assim que o avistou, entrou em um êxtase tão forte que o seguiu sem nem pensar, e até onde pudesse ir, continuaria seguindo até que pudesse encontrar sua irmã, até que pudesse consertar tudo que aquele bicho havia destruído, até que pudesse ter sua vida de volta.
 
O Encourado, com um apego anormal, carregava o corpo morto do diplomata nas costas e corria em velocidade vampírica. E assim sucedeu-se a perseguição.
Se Ernesto não o farejava, o bicho não o via. Era aquele seu ponto fraco, enxergava mal, ouvia muito bem, mas como corria rápido e desengonçado, abafava os sons daquele rapaz que o estava perseguindo. Foi essa sorte que possibilitou Ernesto de seguir uma criatura que absolutamente todos dentro da floresta temiam.
 
Finalmente, logo a frente se aproximava um casebre muito pequeno, feito de madeira podre, de um cômodo só. Ali o Encourado desacelerou e entrou com o corpo. Ernesto se escondeu a um raio de meio quilômetro mantendo a visão sob o lugar. Passou quase uma hora ali, esperando o Encourado sair, enchendo o peito de esperanças acerca da irmã, acerca de encontrá-la viva.

E então a criatura finalmente saiu estremecendo o casebre com sua velocidade. Quando se certificou de que ele estivesse bem longe, se aproximou daquela casa. Respirou fundo antes de entrar lá, mas logo se arrependeu, pois nesse respiro entrou o cheiro forte de sangue seco. Algo lhe chamou a atenção lá no fundo e ele aspirou novamente notando um tom diferente entre tanta podridão. Havia uma nota de algo, sim... Ele conhecia aquela fragrância: Era de alfazema com pitadas longes de banha.

Não se demorou, era ela! Tinha que ser ela ali dentro. Assim que apressadamente adentrou o local, de cara já viu a cabeça do pobre indígena se exibindo em uma corrente presa ao teto. Por dentro, o lugar era ainda pior que por fora. Nas paredes ostentavam línguas, orelhas, dedos e tudo o mais que compõe o ser humano. Em bandejas acima de prateleiras haviam membros recém decepados que pareciam também ser do indígena. Havia uma mesa de madeira cheia de instrumentos e, por cima, estava regada de sangue fresco. Observando melhor a madeira, estava escura de tanto absorver sangue, mostrava nos detalhes que já havia sido usada muitas e muitas outras vezes. O Encourado comia carne humana e aquilo era óbvio.

Esse ambiente era muito chamativo, e, para um recém-nascido sem o menor controle, era impossível aguentar tamanha sede que crescia com urgência.  
Ernesto tossiu e salivou, e por força de sua natureza ainda jovem e incontrolável, acabou lambendo a mesa de madeira só para aferir o sabor. Tinha gosto de sangue velho com graxa o que fez ele se arrepender no mesmo instante.

— Diacho! — Praguejou cuspindo no chão.

Olhando ao lado da mesa, ali havia um grande baú sem chaves. E dali o cheiro ganhou potência desviando totalmente a atenção de Ernesto. Apressado abriu-o, e o fazendo, viu diversos pertences pessoais: Óculos, pulseiras, laços e até o osso que ficava no nariz do finado diplomada recentemente posto ali.

O EncouradoOnde histórias criam vida. Descubra agora