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Seis meses haviam passado desde que minha irmã gêmea, Kalyah, finalmente parecia ter encontrado um pouco de paz na vida

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Seis meses haviam passado desde que minha irmã gêmea, Kalyah, finalmente parecia ter encontrado um pouco de paz na vida. Ela estava sóbria, se dedicando à sua música de uma maneira completamente diferente, e, mais importante, tinha a Sabrina ao seu lado, a pessoa que ela dizia ser o amor da sua vida. Mas, naquele dia, tudo mudou, e eu nunca havia visto minha irmã tão destruída.

Estávamos todos reunidos na casa da Mama Kris para um almoço em família. A energia estava boa, como sempre, e Kalyah, com seu jeito brincalhão, fazia piadas enquanto ajudava a organizar as coisas. Ela estava tão bem, tão feliz… Eu sentia um orgulho absurdo dela. Era como se a velha Kalyah, minha parceira de vida, estivesse finalmente de volta.

De repente, a porta da casa se abriu, e Sabrina entrou. Ela parecia nervosa, desconfortável até, mas ninguém deu muita atenção de início. Afinal, ela era parte da família agora, certo? Mas, logo, o clima começou a mudar.

— Kalyah, a gente precisa conversar — Sabrina disse, a voz baixa, mas carregada de uma firmeza que não combinava com o jeito carinhoso que ela normalmente tinha.

Kalyah sorriu, um pouco confusa, mas respondeu no mesmo tom leve de sempre:

— Claro, loirinha, fala aí. O que foi?

— Não aqui. Vamos para outro lugar — Sabrina insistiu, olhando para todos nós, que começamos a perceber que algo estava errado.

— Aqui tá bom — Kalyah respondeu, ainda sem perceber a gravidade do momento. — Tá todo mundo aqui, somos todos família.

Sabrina respirou fundo e olhou diretamente para Kalyah. Foi quando ela soltou a bomba.

— Eu não posso mais continuar com você, Kalyah. Acabou. Eu tô terminando.

A sala ficou em silêncio. Eu senti como se o ar tivesse sido sugado. Todos ao redor pararam o que estavam fazendo, os olhares fixos em Sabrina e minha irmã. Kalyah congelou, o sorriso no rosto desaparecendo num instante.

— O quê? — Kalyah murmurou, como se não tivesse entendido. — Sabrina, você tá brincando, né? Isso é pegadinha.

— Não, Kalyah, não é brincadeira — Sabrina respondeu, com frieza. — Eu não consigo mais. Eu não quero mais. Você é um problema grande demais pra mim.

As palavras dela foram como um tapa na cara. Eu vi o rosto da minha irmã desmoronar, o choque se transformando em dor.

— Um problema? — Kalyah repetiu, a voz começando a falhar. — Eu sou um problema?

— Sim, você é. Você acha que é fácil lidar com você? Seus surtos, sua abstinência, seu humor instável? Eu não quero mais carregar esse peso. Eu tô cansada de ser a babá de uma pessoa quebrada.

Eu não consegui mais ouvir. Minha irmã estava ali, parada, com os olhos marejados, sem conseguir reagir. Ela não merecia isso. Não depois de tudo o que ela passou, não depois de todo o esforço que fez para melhorar.

ℝ𝕀𝕋𝕄𝕆𝕊 𝔼 𝕊𝔼𝔻𝕌ℂ𝔸𝕆 | ˢᵃᵇʳᶦⁿᵃ ᶜᵃʳᵖᵉⁿᵗᵉʳOnde histórias criam vida. Descubra agora