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A garrafa de bourbon estava pela metade quando eu tropecei na mesa de centro da sala, derrubando o abajur

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A garrafa de bourbon estava pela metade quando eu tropecei na mesa de centro da sala, derrubando o abajur. Não me importei com o som do vidro quebrando ou com o barulho ensurdecedor da minha própria respiração descompassada. Eu não me importava com nada.

A bebida queimava minha garganta como fogo, mas, de alguma forma, era o único calor que eu sentia. Sabrina tinha me destruído, e eu estava me encarregando de acabar com o que restava.

— Por que você fez isso comigo? — gritei para o vazio, minha voz ecoando pelas paredes da casa que agora parecia mais fria e vazia do que nunca.

A garrafa escorregou da minha mão e caiu no chão, espalhando o líquido âmbar pelo mármore branco. Eu me ajoelhei, pegando os cacos de vidro com as mãos trêmulas, sem me importar quando um deles cortou minha pele. O sangue escorria, misturando-se ao álcool no chão, e eu apenas olhei, como se estivesse hipnotizada.

A dor física era quase um alívio. Era uma distração do buraco negro no meu peito, aquele que Sabrina deixou quando decidiu que eu não era suficiente.

— Você me destruiu, Sabrina! — gritei novamente, jogando um pedaço de vidro contra a parede. Ele quebrou em mil pedaços, assim como eu estava por dentro.

A raiva me consumiu, e eu comecei a destruir tudo ao meu redor. O vaso caro que minha mãe tinha me dado? Quebrei ele contra a parede. O quadro que Kendall tinha pintado para mim? Rasguei em pedaços. Minha guitarra favorita? Arrebentei ela no chão.

Cada golpe parecia aliviar a pressão no meu peito, mas o alívio era momentâneo. Logo, o vazio voltava, mais forte do que nunca.

Eu me joguei no chão, entre os destroços, e comecei a chorar. Não era um choro silencioso. Era um lamento profundo, desesperado, como se eu estivesse tentando expulsar toda a dor do meu corpo.

— Eu te odeio, Sabrina… — sussurrei, minha voz quebrada. — Eu te odeio por me fazer te amar tanto.

Peguei meu celular, minhas mãos trêmulas enquanto digitava seu número. Claro, ainda estava bloqueada. Mas isso não me impediu de deixar uma mensagem de voz.

— Parabéns, Sabrina. Você conseguiu. Você me destruiu. Eu espero que você e aquele desgraçado estejam muito felizes juntos. Porque eu? Eu tô acabada. Eu nunca vou me recuperar disso. Nunca.

Joguei o celular longe, ouvindo o som dele bater na parede. Meu corpo estava fraco, minha mente exausta, mas a dor não dava trégua.

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Horas depois, ouvi alguém bater na porta. Ignorei, pensando que era só minha mãe ou Kendall, mas a pessoa não desistiu.

— Kalyah! Abre essa droga de porta agora! — Era a voz de Kim.

Levantei-me com dificuldade, tropeçando nos cacos de vidro e no caos que eu mesma criei. Quando abri a porta, Kim entrou como um furacão, seus olhos se arregalando ao ver o estado da casa.

ℝ𝕀𝕋𝕄𝕆𝕊 𝔼 𝕊𝔼𝔻𝕌ℂ𝔸𝕆 | ˢᵃᵇʳᶦⁿᵃ ᶜᵃʳᵖᵉⁿᵗᵉʳOnde histórias criam vida. Descubra agora