DEZOITO: ELES VEM PRIMEIRO

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O sapato estava começando a me machucar, então eu os tirei quando entrei, andando descalço no hotel. 

Eu não tinha estado no quarto de Namjoon, mas eu lembrei dele ter mencionado o número e o encontrei sem dificuldade. Shane, o colega de quarto de Namjoon, abriu a porta alguns segundos depois que eu bati.

— Oi, Jimin.— Ele me deixou entrar, e eu entrei, olhando ao redor. 

Algum comercial estava passando na TV uma desvantagem da vida noturna era poucos programas de TV bom, e latas de soda vazias cobriam quase toda a superfície. Não havia sinais de Namjoon. 

— Onde ele está?— eu perguntei. 

Shane reprimiu um bocejo, — Eu pensei que ele estava com você.

— Eu não o vi o dia todo.— Ele bocejou de novo, então franziu em pensamento. 

— Ele estava colocando umas coisas numa mala antes. Eu pensei que vocês dois estavam fugindo para algum passeio romântico. Piquenique ou algo assim. Ei, lindo terno.

— Obrigado,— eu murmurei, sentindo um bocejo meu chegando. 

Arrumando uma mala? Isso não fazia sentido. Não havia onde ir. Não havia como ir, também. Esse hotel estava sendo vigiado fortemente pelos guardiões da Academia. Taehyung e eu só tínhamos conseguido fugir daquele lugar usando compulsão, e ainda sim tinha sido complicado. Ainda sim, porque diabos o Namjoon faria uma mala se ele não estava indo embora? 

Eu fiz a Shane mais algumas perguntas e decidi que essa era uma possibilidade, por mais maluca que fosse. Eu encontrei o guardião responsável pela segurança e horários. Ele me deu os nomes daqueles que estavam em serviço nas fronteiras do hotel quando Namjoon tinha sido visto pela última vez. A maior parte dos nomes eu conhecia, e a maioria não estava mais em serviço, o que fazia ser fácil encontrar eles. 

Infelizmente, os dois primeiro não tinha visto Namjoon por perto. Quando eles perguntaram porque eu queria saber, eu dei uma resposta vaga e sai correndo. 

A terceira pessoa na minha lista era um cara chamado Alan, um guardião que normalmente trabalhava na parte mais baixa do campus da Academia. Ele estava entrando depois de esquiar, levando seu equipamento. Me reconhecendo, ele sorriu quando me aproximei. 

— Claro, eu o vi,— ele disse, se curvando em direção as botas. Alivio tomou conta de mim. Até então, eu não tinha percebido o quão preocupado eu estava. 

— Você sabe onde ele está?

— Não. Eu deixei ele e Ahn Hyejin... e, qual era o nome dela, a garota Manoban, saírem pelo portão norte e não os vi depois disso.

Eu o encarei. Alan continuou desprendendo os esquis como se estivéssemos discutindo as condições da pista. 

— Você deixou Namjoon e Hyejin... e Lalisa sair?

— Sim.

— E... porque?— Ele terminou e olhou para mim, um olhar meio feliz e confuso no rosto. 

— Porque eles me pediram.

Um sentimento gelado começou a tomar conta de mim. 

Eu descobri que guardião tinha cuidado do portão norte com Alan e imediatamente o procurei. O guardião me deu a mesma resposta. Ele tinha deixado Namjoon, Hyejin e Lalisa saírem, sem fazer perguntas. E, como Alan, ele não parecia achar que havia nada errado com isso. Ele parecia quase deslumbrado. 

Era um olhar que eu já tinha visto antes... um olhar que vinha nas pessoas quando Taehyung usava compulsão. 

Acontecia particularmente quando Taehyung não queria que as pessoas lembrassem algo direito. Ele podia enterrar a memória neles, apagando tudo ou implantando para mais tarde. Ele era bom com compulsão, que ele podia fazer as pessoas esquecerem completamente. Para eles ainda terem alguma memória significava que alguém que não era bom em compulsão tinha usado neles. Alguém, vamos dizer, como Lalisa. 

2: AURA NEGRA [JIKOOK]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora