Capítulo 18

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Deixamos o karaokê, passamos em casa apenas para trocar de roupa e seguimos para a praia.

Já era mais ou menos uma e meia da manhã.

A brisa noturna era fresca e trazia consigo o som suave das ondas quebrando na areia.

As ruas estavam quase desertas; o único ruído vinha da música do carro e da conversa entre mim e Travis.

De repente, enquanto conversava com Travis, recebi uma ligação de Blake.

– Blake me ligando a essa hora?

– Só pode ser algo sério – brinquei.

Atendi a chamada e levei o celular ao ouvido, tentando não demonstrar preocupação.

– Blake? Aconteceu alguma coisa?

– Taylor, olha a foto que eu te mandei agora!

– Ok. - respondi, confusa.

Desliguei a chamada e rapidamente abri a nossa conversa.

Ao abrir a foto, senti um nó se formar em minha garganta.

Era um print dos stories de John.

Ele estava beijando Chloe.

Fiquei olhando para a imagem por alguns segundos, como se não pudesse acreditar no que via.

Meu coração começou a bater mais rápido, e uma mistura de choque e raiva tomou conta de mim.

A semana toda eu estava tentando, e por incrível que pareça, conseguindo, esquecer todo esse lance de John.

Estava me esforçando para focar em outras coisas, me distrair, seguir em frente.

E, de certa forma, estava funcionando.

As dor parecia mais distante, como um ruído de fundo que eu conseguia ignorar.

Mas, por mais que eu tivesse achado que já havia deixado aquilo para trás, ver aquela foto ainda doeu.

Era como se tudo o que eu vinha tentando enterrar tivesse voltado à tona com força.

Respirei fundo, tentando impedir as lágrimas de caírem.

Mas não adiantou muita coisa.

Elas vieram de qualquer jeito, quentes e silenciosas, escorrendo pelo meu rosto antes que eu pudesse me controlar.

Virei meu rosto em direção à praia em um movimento rápido, buscando algum alívio na brisa fresca que soprava.

O vento parecia fazia meu rosto molhado parecer ainda mais frio.

Travis não disse nada, apenas segurou e acariciou minha mão.

Ele ficou ali, ao meu lado, quieto, respeitando meu silêncio.

Isso, de certa forma, me confortou.

Às vezes, não eram as palavras que ajudavam, mas a simples presença de alguém.

Quando chegamos, a praia estava iluminada pela luz prateada da lua cheia, que refletia nas águas escuras.

Travis estacionou o carro, mais nenhum dos dois saiu dele.

– É engraçado... – murmurei, sem saber se estava falando para mim mesma ou para Travis.

– Como alguém pode mexer tanto com a gente.

– E como dói perceber que, para eles, a gente nunca significou tanto assim.

Ele suspirou, encostando-se ao carro.

Begin Again | TayvisOnde histórias criam vida. Descubra agora