Capítulo 33

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Travis dormia calmamente no meu colo, com os braços envoltos na minha cintura, e eu juro que tentei não me mexer.

Meu celular vibrou algumas vezes no modo silencioso, as notificações se acumulavam, o relógio corria, mas eu simplesmente não conseguia interromper aquele momento.

O jeito como ele respirava tranquilo, como se estivesse em paz ali, com o rosto afundado no meu moletom, me dava uma vontade egoísta de não ir a lugar nenhum.

Meus dedos deslizavam devagar pelos fios do seu cabelo úmido, ainda um pouco bagunçados do banho que ele tinha tomado antes de se jogar no sofá da sala.

Sorri sozinha ao lembrar da nossa discussão de cinco minutos sobre qual série iríamos assistir.

No fim das contas, acabamos não vendo nada, como sempre.

Na mesinha de centro, duas canecas vazias de chocolate quente e um saco de marshmallows quase pela metade pareciam testemunhas silenciosas daquela tarde incrível.

Mas então meu celular vibrou novamente, e dessa vez eu conferi a tela: três mensagens de Ed, perguntando se a gente já tinha saído.

A última era bem direta:

"Vocês vão me fazer passar vergonha com todo mundo esperando?"

Suspirei, tentando manter a calma.

– Travis... – chamei baixinho, encostando o queixo no topo da cabeça dele.

Nada.

– Travis... a gente tá atrasado. – repeti, agora com os dedos fazendo um leve carinho no topo de sua nuca.

Ele resmungou algo incompreensível, apertando ainda mais os braços ao meu redor.

– Você tá tentando me convencer a não ir? – brinquei, sorrindo apesar da pressa.

– Talvez... – murmurou, a voz rouca de sono.

– Aqui tá mais confortável. – ele disse, enquanto acariciava minha cintura com o polegar por cima do moletom.

– Mas se a gente não for, o Ed vai vir buscar a gente à força.

Ele soltou um suspiro dramático e, finalmente, se mexeu.

Se sentou devagar, piscando os olhos como se estivesse tentando lembrar em que planeta estava.

– Que horas são?

– Horas demais. – respondi, me levantando de vez.

– Vai se arrumar. Eu vou ver se minha maquiagem ainda tá inteira.

– Você tá linda, Tay.

– Não precisa mudar nada. – disse ele, ainda meio sonolento.

Mesmo que tenha falado quase no automático, senti minha respiração falhar subitamente.

Dei um sorrisinho tímido com o elogio, tentando não deixar transparecer o quanto aquilo ainda me afetava no fundo.

– Só vai logo, antes que Ed mande um carro de resgate – falei, jogando uma almofada nele.

Travis pegou a almofada no ar com um reflexo rápido e jogou de volta com delicadeza, acertando meu joelho.

– Agressão passiva não vai nos livrar do atraso, senhorita Taylor.

Revirei os olhos, dando língua e o dedo do meio para ele, o que fez Travis soltar uma gargalhada gostosa, daquela que fazia meu peito vibrar um pouquinho por dentro.

– Maturidade passou longe hoje, hein? – ele disse, ainda rindo, enquanto se espreguiçava e caminhava lentamente em direção à escada.

– Ah, porque dormir no meu colo por quase uma hora foi super adulto da sua parte. – provoquei, pegando meu celular para responder as últimas mensagens desesperadas do Ed.

Begin Again | TayvisOnde histórias criam vida. Descubra agora