Capítulo 32

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Mesmo com as janelas fechadas, o frio da tarde parecia tomar todo o meu quarto, se infiltrando nos cantos como uma lembrança silenciosa de que o verão estava se despedindo aos poucos.

Como o clima não havia mudado desde ontem, aqui estava eu, enrolada na coberta, escrevendo no meu caderninho que estava apoiado no colo.

A caneta deslizando pelas páginas era o único som além da chuva fina batendo contra a janela.

Meu quarto estava mergulhado em uma penumbra suave, iluminado apenas pela luz amarelada do abajur ao lado da cama.

Eu escrevia sem parar, até porque, com tudo o que vinha acontecendo entre mim e Travis, eu precisava mais do que nunca das palavras para entender o que sentia.

Era como se cada linha no papel revelasse um pedacinho do que meu coração tentava esconder.

O medo, a ansiedade, a felicidade inesperada... tudo se misturava em frases soltas e rabiscos apressados.

Escrever sobre ele era como reviver nossos momentos.

O jeito como ele sorria, como me olhava, como dizia meu nome como se fosse a coisa mais bonita do mundo.

Fechei os olhos por um segundo, deixando a cabeça cair para trás no travesseiro.

Pensar nele me deixava mais alegre do que eu gostaria.

Era aquele tipo de felicidade que vinha sorrateira, quase sem aviso, e tomava conta do meu peito antes que eu pudesse me proteger.

E então, três batidas suaves na porta me tiraram dos pensamentos.

– Tay? – a voz de Travis soou do outro lado, baixa, quase hesitante.

Meu coração deu aquele pulo familiar.

– Pode entrar. – respondi, ajeitando o caderninho ao meu lado.

A porta se abriu devagar, revelando ele com os cabelos ainda um pouco bagunçados e um moletom que parecia recém-saído da gaveta.

Ele sorriu ao me ver, e foi como se o quarto tivesse aquecido um pouco, apesar do frio do lado de fora.

– Trouxe chocolate quente que sua mãe fez, já que você não sai da toca. – ele disse, entrando com uma caneca fumegante nas mãos e aquele sorriso debochado que ele adorava usar comigo.

– Eu tô me protegendo do frio, se você quer saber. – estendi as mãos, pegando a caneca e sentindo o calor se espalhar pelos meus dedos.

– E, tecnicamente, essa toca é meu quarto. – completei, levando a caneca até os lábios com um meio sorriso.

Travis se encostou no batente da porta, cruzando os braços.

– É, mas você sabe que eu invado mesmo assim. Já é tradição.

– Invasão de propriedade é crime, sabia? – provoquei, arqueando uma sobrancelha.

– Só se você chamar a polícia. – ele deu de ombros, entrando e fechando a porta atrás de si.

– E como você nunca me expulsou de verdade, acho que tô seguro.

Revirei os olhos, mas não consegui segurar o sorriso.

Ele veio até minha cama e se sentou na beirada, os olhos vagando pelo quarto, até pousarem em mim de novo.

– Tá escrevendo? – ele perguntou, espiando meu caderninho sobre as cobertas.

– Tô tentando. – respondi, com um suspiro.

– É muita coisa na cabeça. Escrever ajuda a organizar... tudo.

Begin Again | TayvisOnde histórias criam vida. Descubra agora