A chuva caía forte, transformando a areia em um tapete escuro e úmido sob meus pés.
O vento chicoteava meu rosto, e eu abraçava meu próprio corpo, tentando conter o frio que começava a se instalar.
Minha mãe e Donna já tinham corrido para casa, mas eu fiquei.
E Travis também.
Ele estava ali, parado alguns passos à frente, deixando a chuva encharcar seus cabelos, sua camiseta, como se nada disso o incomodasse.
– Você gosta de se molhar ou só quer pegar um resfriado? – perguntei, tentando soar leve, mas minha voz saiu trêmula, por causa do frio.
Ele riu baixo, virando-se para mim.
Travis passou a mão pelos cabelos molhados, bagunçando ainda mais os fios escuros.
– A gente acabou de chegar aqui na praia.
Revirei os olhos, abraçando meu próprio corpo.
– Sim, e agora estamos ensopados. Grande momento.
Ele sorriu de lado, aquele sorriso torto que sempre me desarmava.
– Eu acho meio... libertador. – disse, olhando para o céu nublado.
– Como se a chuva levasse tudo embora, sabe?
Cruzei os braços, fingindo impaciência.
– Filosófico demais para alguém que vai acabar espirrando daqui a pouco.
Ele riu, e eu não consegui evitar um sorriso também.
Mas então, Travis deu um passo à frente, e meu corpo enrijeceu levemente.
– Vem cá.
Fiquei parada por um segundo, hesitando, mas antes que pudesse reagir, ele me agarrou pela cintura, puxando-me para mais perto.
Assim que seus braços me envolveram, soltei um gritinho ao sentir sua pele gelada contra a minha.
– Você tá congelando! – exclamei, colocando a mão em seu peito, tentando afastá-lo.
Ele riu, ignorando minha tentativa de afastá-lo.
– E você tá quentinha.
– Acho que podemos resolver isso juntos.
Revirei os olhos, mas não consegui conter um sorriso.
– Isso não faz sentido nenhum, Travis.
– Faz sim. – ele disse, sorrindo outra vez.
– Vem cá me esquentar.
Ele me puxou de novo, e dessa vez, eu não resisti.
A chuva caía ao nosso redor, e tudo parecia em silêncio, como se o mundo tivesse parado.
Fechei os olhos por um segundo, sentindo seu corpo contra o meu, o cheiro do seu perfume misturado com a brisa salgada do mar.
Me permiti descansar a cabeça em seu peito, sentindo seu coração bater forte e constante.
Em resposta, Travis passou os dedos suavemente pelos meus cabelos cacheados e molhados, como se quisesse gravar aquele momento.
– A gente deveria voltar para casa. – murmurei, minha voz abafada contra seu peito.
Travis suspirou, mas não afrouxou o abraço.
– Só mais um minuto.
Mordi o lábio, tentando ignorar o arrepio que subiu pela minha pele ao ouvir o tom rouco da sua voz.
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Begin Again | Tayvis
Storie d'amoreSerá que uma viagem forçada pode fazer com que as chamas de um amor antigo renasçam? Será que a corda invisível entre um jogador de futebol americano e uma poeta algum dia foi realmente rasgada?
