Capítulo 31

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A chuva caía forte, transformando a areia em um tapete escuro e úmido sob meus pés.

O vento chicoteava meu rosto, e eu abraçava meu próprio corpo, tentando conter o frio que começava a se instalar.

Minha mãe e Donna já tinham corrido para casa, mas eu fiquei.

E Travis também.

Ele estava ali, parado alguns passos à frente, deixando a chuva encharcar seus cabelos, sua camiseta, como se nada disso o incomodasse.

– Você gosta de se molhar ou só quer pegar um resfriado? – perguntei, tentando soar leve, mas minha voz saiu trêmula, por causa do frio.

Ele riu baixo, virando-se para mim.

Travis passou a mão pelos cabelos molhados, bagunçando ainda mais os fios escuros.

– A gente acabou de chegar aqui na praia.

Revirei os olhos, abraçando meu próprio corpo.

– Sim, e agora estamos ensopados. Grande momento.

Ele sorriu de lado, aquele sorriso torto que sempre me desarmava.

– Eu acho meio... libertador. – disse, olhando para o céu nublado.

– Como se a chuva levasse tudo embora, sabe?

Cruzei os braços, fingindo impaciência.

– Filosófico demais para alguém que vai acabar espirrando daqui a pouco.

Ele riu, e eu não consegui evitar um sorriso também.

Mas então, Travis deu um passo à frente, e meu corpo enrijeceu levemente.

– Vem cá.

Fiquei parada por um segundo, hesitando, mas antes que pudesse reagir, ele me agarrou pela cintura, puxando-me para mais perto.

Assim que seus braços me envolveram, soltei um gritinho ao sentir sua pele gelada contra a minha.

– Você tá congelando! – exclamei, colocando a mão em seu peito, tentando afastá-lo.

Ele riu, ignorando minha tentativa de afastá-lo.

– E você tá quentinha.

– Acho que podemos resolver isso juntos.

Revirei os olhos, mas não consegui conter um sorriso.

– Isso não faz sentido nenhum, Travis.

– Faz sim. – ele disse, sorrindo outra vez.

– Vem cá me esquentar.

Ele me puxou de novo, e dessa vez, eu não resisti.

A chuva caía ao nosso redor, e tudo parecia em silêncio, como se o mundo tivesse parado.

Fechei os olhos por um segundo, sentindo seu corpo contra o meu, o cheiro do seu perfume misturado com a brisa salgada do mar.

Me permiti descansar a cabeça em seu peito, sentindo seu coração bater forte e constante.

Em resposta, Travis passou os dedos suavemente pelos meus cabelos cacheados e molhados, como se quisesse gravar aquele momento.

– A gente deveria voltar para casa. – murmurei, minha voz abafada contra seu peito.

Travis suspirou, mas não afrouxou o abraço.

– Só mais um minuto.

Mordi o lábio, tentando ignorar o arrepio que subiu pela minha pele ao ouvir o tom rouco da sua voz.

Begin Again | TayvisOnde histórias criam vida. Descubra agora