Finney Blake
Caminho de um lado para o outro, quase abrindo um sulco bem no meio da sala. Meu coração dispara, descompassado, enquanto minha boca seca e minhas mãos suadas tremem como nunca antes.
Minha mente não me dá trégua. Não consigo parar de pensar, nem por um segundo, que algo pode ter acontecido com Robin.
Se eu não o conhecesse tão bem, talvez fosse mais fácil acreditar que ele simplesmente está me ignorando. Essa possibilidade seria, de certa forma, mais confortável. Mas eu o conheço. Conheço o suficiente para me preocupar, e agora, tudo o que preciso é de notícias.
05:34 AM
Já perdi a conta de quantas vezes me revirei no colchão. Minha cabeça lateja com uma dor insuportável, e tudo o que consigo fazer é me enrolar no cobertor, cobrindo-me dos pés à cabeça, como se pudesse me esconder de algo. Talvez seja exatamente isso que estou fazendo. Meu corpo treme incontrolavelmente, mas não sei se é pelo frio ou pelo medo que me domina, sem motivo algum.
O silêncio parecia pulsar, preenchido apenas pelo som ocasional da TV do quarto ao lado, aonde minha mãe também deve lutar contra sua insônia.
Me mexo só mais uma vez, mas paraliso quando um som seco e ritmado pode ser escutado da minha janela.
Fecho os olhos com força e abraço meu corpo como se quisesse proteger a mim mesmo, como se fosse possível.
Tento, em vão, me convencer de que foi apenas coisa da minha cabeça, ou talvez algum ruído comum vindo de fora. Mas, antes que possa relaxar, ouço novamente.
Dessa vez, é mais alto, mais pesado. Algo está sendo arremessado contra minha janela.
Meu coração dispara, batendo tão forte que parece querer escapar do peito. Um nó sufocante se forma na minha garganta, tão apertado que mal consigo respirar. O gosto salgado das lágrimas escorre até meus lábios, e só então percebo que estou chorando. Meu corpo treme, dominado por um medo paralisante.
Com os músculos tensos, me sento na cama com uma coragem desconhecida. Minhas mãos permanecem tremendo, me ponho de pé e me dirijo até a janela, cada passo até a janela pesado, quase arrastado.
Olhando pela janela, tudo o que vejo é a rua mal iluminada. A luz amarelada dos postes que iluminam muito pouco. Meu peito aperta, e minha respiração se descontrola outra vez. Baixo os olhos e percebo alguém parado em frente a uma moto.
— Achei que nunca ia acordar, meu bem — diz com as mãos nos bolsos e uma voz que conheço bem demais.
— Robin? — Minha voz sai trêmula, quase um sussurro. Só consigo pronunciar seu nome antes de ser vencido pelas lágrimas.
— Pensei que ficaria feliz em me ver, mas não esperava tanto. — Ele responde com seu típico tom sarcástico. O sorriso ladino em seus lábios se desfaz no instante em que ouve meu soluço.
— Finney, calma. O que aconteceu? — ele pergunta, aproximando-se da janela.
— Robin... — murmuro novamente, como se fosse a única palavra que minha mente consegue formar. Robin está bem, penso. Robin está aqui. Meu peito aperta, e só percebo que perdi o controle da respiração quando o tremor no meu corpo se torna incontrolável.
— Droga, Finney, me deixa entrar! — ele insiste, apressado. Minha visão começa a se turvar, e por um instante tudo ao meu redor parece desaparecer.
Quando volto a mim, a luz suave de um abajur preenche o ambiente, projetando sombras tênues nas paredes. Levo um segundo para entender onde estou. Meu corpo parece pesado, e há um zumbido constante em minha cabeça.
— Se você me der um susto desse de novo, eu não respondo por mim. — Robin fala suspirando pesado enquanto mantém seus braços cruzados.
— Foi você quem me assustou, seu cretino idiota. Você sabia que achei que tinha sido sequestrado, ou pior, morrido? — Falo dando um tapa no braço dele e vejo um sorriso crescer nos lábios dele.
— Do que você está falando? Porque acharia isso? — Ele pergunta, seu rosto coberto de confusão, sinto vontade de acerta-lo com um soco.
— Você está realmente me perguntando isso? Você não responde a nenhuma das minhas mensagens e simplesmente some, sem dar sinal de vida! — digo, com o sangue fervendo, enquanto me levanto da cama e começo a andar de um lado para o outro.
— Relaxa, Blake. — Ele fala se esticando na cadeira e pondo seus pés na minha cama.
— É isso que você tem a dizer para mim? Seu babaca. Você me dá todos os motivos para me preocupar com você, porque eu o conheço, Robin. Sei parte do que você está passando e me preocupo. E você vem me dizer para relaxar enquanto some? Olha, se você não quer me responder, se não está a fim de dar satisfação ou se está cansado da nossa amizade, tudo bem. Mas, pelo menos, avise antes para eu não ficar aqui feito um tonto esperando por você. — Falo irritado, sentindo minha voz cada vez mais embargada.
— Eu... eu não sei o que dizer. Me desculpa. Eu queria, eu só... — Ele tropeça nas palavras, e minha paciência se esgota de vez. Fecho os punhos, sentindo o sangue ferver nas veias. Qual é a dificuldade de simplesmente dizer o que aconteceu? — Fui expulso de casa.
Minhas mãos congeladas no ar, e a raiva que queimava em mim dá lugar a um frio que atravessa o peito. Minha boca se abre, mas não consigo dizer uma palavra.
Me digam como vocês estão, meus bebês! Eu tenho muitaa saudades de vocês 🧡.
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Mission letters
RomanceOnde Finney Blake é o garoto mais inteligente de sua escola e presidente do grêmio estudantil. Ou onde Robin Arellano é o pior aluno da escola e está mandando cartas de amor para Finney. Tudo isso por vingança,pela sede que o mexicano tem de ver Fin...
