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Naquela manhã, o sol já se projetava pelas janelas, espalhando uma luz dourada pelo quarto ainda silencioso. A claridade suave tocava os móveis, criando sombras delicadas nas paredes. Han, porém, parecia alheio a tudo aquilo. Ele havia se entregado ao sono tarde demais, e agora se encontrava deitado, completamente acomodado na cama. O corpo relaxado estava coberto parcialmente pelos lençóis, que se arrumavam ao seu redor, enquanto alguns travesseiros estavam espelhados no chão, como se tivessem sido abandonados durante a noite, após uma busca incansável por uma posição mais confortável.
O som repetido do celular vibrando sobre sua cabeceira interrompia sua paz, era o tipo de barulho que tentava afastar, mas não conseguia ignorar completamente. Han estava em um estado de sonolência profunda, os olhos pesados e o rosto ainda marcado pela pressão do travesseiro. Demorou alguns segundos até finalmente virar a cabeça, como se o movimento exigisse um esforço hercúleo, e pegou o celular com a mão ainda desajeitada. O aparelho iluminou sua face, destacando os traços cansados e os fios de cabelo bagunçados. A tela exibia uma notificação que imediatamente o chamou atenção. "Hyunn - Open house da minha nova mansão KKKK às 20:00 endereço .... ." Han leu rapidamente, os dedos ainda sonolentos deslizavam pela tela, sem muita pressa de compreender todos os detalhes da mensagem. Apenas o suficiente para saber que seria um evento à noite e, provavelmente, exigiria sua presença. No entanto, o convite não despertou o entusiasmo esperado. Sua mente ainda estava nas nuvens, na camada espessa do sono que teimava em não deixá-lo acordar por completo. Um leve suspiro escapou de seus lábios, e o garoto , de forma quase mecânica, soltou o celular na cama novamente, decidindo que o mundo poderia esperar. O conforto da cama o chamava, como um abraço acolhedor que o convidava a fechar.

O som suave do relógio marcando as horas foi o primeiro indicativo de que o dia, aparentemente interminável, já estava longe de ser o começo. Han acordou aos poucos, sentindo a realidade se infiltrar em seus pensamentos nebulosos. Quando finalmente se virou na cama, seus olhos se fixaram no relógio de parede, que marcava impiedosamente as três da tarde. Ele ficou ali por alguns segundos, olhando o teto com um olhar distante, como se os minutos que passavam fossem desprovidos de importância, imersos naquela sensação de lentidão que só o cansaço profundo poderia proporcionar. Cada respiração sua parecia pesar um pouco mais, a mente ainda relutando em abandonar os vestígios do sono.
Tomando coragem, o garoto finalmente se sentou na cama, um movimento lento, quase relutante. O corpo, ainda marcado pela posição de descanso, estalou em vários pontos — ombros, costas, pescoço — como se exigisse uma reorganização interna para poder funcionar. Com os pés tocando o chão frio, se levantou, arrastando-se até o banheiro. Ali, o tempo pareceu passar de forma rápida , como se a água quente da ducha o envolvesse em um abraço relaxante, levando com ela a última parte do torpor. Passou cerca de uma hora no cômodo, entre os cuidados pessoais e os momentos de reflexão silenciosa. Quando finalmente saiu, o ambiente mais claro e o ar fresco o acolheram. Estava agora com uma toalha enrolada na cintura, os cabelos ainda molhados, escorrendo pequenas gotas de água que caíam em seu rosto e pescoço. Seus movimentos eram automáticos enquanto ele caminhava até o armário, abrindo as portas de correr com um leve estrondo. As opções eram simples e diretas. Escolheu uma regata preta e uma bermuda da mesma cor, peças que já se haviam tornado parte de sua rotina diária, as vestiu rapidamente, o tecido macio deslizando sobre a pele ainda úmida.

De volta ao corredor, a toalha foi deixada de lado, e seus passos o levaram até as escadas. A casa estava em um silêncio morno, típico daquelas tardes preguiçosas que se estendem até o entardecer. Ao descer as escadas, os olhos de Han se fixaram em sua mãe e em seu pai, ambos em suas respectivas rotinas. Seu pai, que passava pela cozinha com o telefone nas mãos, parecia envolvido em uma conversa importante, provavelmente mais uma de suas intermináveis reuniões com seus funcionários. Já sua mãe, alheia a qualquer interrupção, estava na área externa, sentada sob a sombra de um guarda-sol, tomando o sol da tarde enquanto bebia um suco de abacaxi e folheava uma revista com um olhar absorto. Han foi até a geladeira, pegou a jarra de suco de abacaxi que sua mãe estava degustando, e serviu-se generosamente em um copo. Não estava com muita fome, rapidamente, ele preparou um sanduíche, um lanche quase instintivo, que poderia ser chamado de café da manhã, almoço ou até mesmo um lanche da tarde , todos os horários do dia se confundiam em seu ritmo descompassado. Sentou-se à mesa da cozinha, sozinho, e ali, sem pressa, começou a saborear a refeição, os pensamentos vagando por caminhos dispersos. A comida desceu com facilidade, o sabor doce do suco misturado com o gosto simples do pão. Não havia pressa, não havia nada a ser feito além de existir ali, naquele instante. Após de alguns minutos, levantou-se, recolheu a louça e levou-a à pia, suas mãos, agora mais firmes, passaram pela rotina diária de lavar e enxugar, enquanto a casa parecia seguir seu curso em torno dele. Em seguida, o garoto voltou para seu quarto, caminhando com os passos suaves. O celular estava ao alcance das mãos, e, sem pensar duas vezes, pegou-o, decidindo que agora era hora de encarar o mundo novamente, ou ao menos de se perder nele por alguns minutos.

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