O silêncio pesado da madrugada envolvia a casa como um cobertor espesso, quebrado apenas pelas respirações lentas e o ocasional rangido da madeira sob alguns corpos largados no chão. Garrafas vazias e copos esquecidos disputavam espaço com almofadas fora do lugar, sapatos espalhados e restos de risadas que ainda pareciam ecoar pelas paredes. Uns dormiam encolhidos no sofá, outros, entregues ao cansaço, jaziam jogados pelos cantos, como marionetes largadas após o espetáculo. A festa havia terminado, mas sua bagunça ainda preenchia o ar com o cheiro doce do álcool, da música e de memórias recentes que mal haviam começado a se apagar.
Han era o único acordado. Encontrava-se sentado na cadeira de antes, com seu copo pela metade nas mãos, após um breve cochilo. Embriagado, levantou-se e seguiu até a porta, decidido a se retirar dali, sem se lembrar de que havia chegado com seu carro. A temperatura do lado de fora estava fria; os galhos das árvores se remexiam ao sabor da ventania. Começou a caminhar sem rumo pela longa calçada, dando goles em seu copo, que havia enchido novamente antes de sair da casa do alto rapaz. Cambaleava e tropeçava de vez em quando.
Com o copo já nas últimas, virou-o, deixando o líquido rosado descer, ardendo por sua garganta. Olhou ao redor à procura de uma lixeira, avistou uma e jogou o copo ali. Continuou a caminhar por um tempo, cantarolando uma música aleatória que lhe vinha à mente. Fazia pequenas danças enquanto cantava, certo de que a essa hora ninguém estaria na rua — e, se estivesse, ele não se importava.
Até que sua atenção foi chamada por um carro preto que se aproximava lentamente em sua direção. Ele ignorou e continuou com seu espetáculo, até perceber que o veículo havia parado ao seu lado, com o vidro sendo abaixado aos poucos.
— Jisung? — chamou uma voz familiar.
Ele parou o que estava fazendo e virou-se confuso para o veículo. Logo sorriu ao reconhecer quem o chamava.
— Tony!! Há quanto tempo! O que faz aqui? — perguntou, animado.
— Eu é que pergunto... o que você faz aqui a essa hora, sozinho? — retrucou, confuso, observando o garoto de cima a baixo.
— Oh, eu? Estou bem, mesmo sozinho. Não tenho medo do perigo — respondeu, assumindo uma pose de guarda. — Estava voltando da festa do Hyun. Estava ótima, você devia ter ido! — disse entusiasmado. — Ah... é verdade, vocês não se falam... — o sorriso de Jisung desapareceu na hora.
— Entra aí — sugeriu Tony, fechando os vidros e esperando que o garoto entrasse.
Jisung não hesitou. Entrou no veículo e acenou novamente para o que estava ao volante.
Tony dirigia em silêncio, os olhos focados na estrada, mas a mente longe, presa em pensamentos que há dias giravam em torno de Jisung. No banco do carona, o garoto ria sozinho, embriagado o suficiente para cantar com alma cada música que tocava, mesmo totalmente fora do tom. Gesticulava, sorria, errava a letra e recomeçava como se estivesse num palco imaginário. Tony, lançando olhares discretos de canto, sorria. O garoto era adorável — talvez até mais assim, bêbado, solto, sincero, sem o peso da timidez ou insegurança que às vezes o prendia quando sóbrio.
Ao chegarem, Tony saiu do carro e correu para o outro lado, abrindo a porta com cuidado. Jisung murmurou algo incompreensível, mas deixou-se guiar, os passos trôpegos, a cabeça tombando sobre o ombro de Tony.
— Vamos devagar, tá? — murmurou Tony, segurando seus ombros com uma mão e sua cintura com a outra.
Entraram na casa, que contrastava com o frio de fora — quente e confortável. Subiram as escadas em silêncio, o único som sendo os sapatos sobre a madeira e a respiração arrastada de Jisung. Ao entrarem no quarto, Tony o ajudou a sentar na beira da cama e se afastou, apoiando-se em uma das colunas do cômodo, observando-o.
— Tem roupas e toalhas limpas no armário — apontou com o dedo indicador.
— Você sempre cuida de mim assim? — perguntou Jisung, olhando o moreno à sua frente. — Foi mal...
Tony hesitou, depois sorriu de leve, arrumando a postura.
— Só quando você merece — respondeu com um sorriso fraco. — Não é a primeira vez, e não precisa se desculpar. Sempre te ajudo com cuidado... esqueceu? — brincou.
— Obrigado, amigo — Jisung sorriu e seguiu em direção ao banheiro, fechando a porta.
O sorriso de Tony desapareceu. Voltou à sua expressão habitual e deixou o cômodo, indo ao seu próprio quarto.
Han retirou as roupas com alguma dificuldade e entrou no box, sentindo a água morna tocar sua pele. Era a temperatura ideal, então ficou ali por um bom tempo. O cômodo estava úmido, tomado pela fumaça quente, e o espelho embaciado. Ao sair, parou em frente à pia, limpou o espelho e se observou fazendo algumas poses. Voltou sua atenção para o quarto, vestiu-se com as roupas limpas e puxou uma das cobertas, deitando-se nos confortáveis lençóis e travesseiros. Em pouco tempo, seus olhos pesaram, e ele adormeceu.
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Na manhã seguinte.
O quarto onde Jisung acordou ainda estava frio. O sol filtrava pelas frestas da janela sem conseguir aquecer o ambiente. Despertou com preguiça, os olhos pesados e a cabeça latejando como se tivesse passado a noite em claro — ou bebido mais do que devia. Sentou-se na cama, levando a mão à testa, tentando se recompor. Foi então que percebeu: aquele não era o seu quarto. As paredes eram de uma cor estranha, mais pálidas, e os móveis tinham cheiro de madeira nova. Tentou puxar pela memória os eventos da noite anterior, mas tudo vinha em flashes borrados: risadas, uma rua deserta, o carro...
Levantou-se devagar, os pés tocando o chão gelado. Procurava por pistas que indicassem onde estava. A única coisa familiar eram suas roupas jogadas sobre a cadeira — as mesmas que usava quando saiu na noite anterior. Já de pé, com a mão ainda na testa pela forte enxaqueca, abriu a porta devagar. A luz do corredor ofuscou seus olhos. Caminhou até as escadas, descendo-as devagar, a outra mão deslizando pelo corrimão.
Ao chegar no primeiro andar, olhou ao redor. O cômodo lhe parecia familiar, mas não conseguia lembrar de quem era a casa. Deu de ombros e virou-se em direção à cozinha, dando de cara com o moreno à sua frente, que tomava uma xícara de café e estava concentrado no celular.
Sentindo a presença, Tony ergueu o olhar.
— Oh, olá, Han — sorriu, largando o celular na mesa. — Sente-se. Bom dia.
Jisung apenas forçou um sorriso frustado e sentou-se à frente do rapaz.
— Bom dia — respondeu, retirando a mão da testa e observando a mesa posta à sua frente.
— Pedi que preparassem essa mesa imaginando que você acordaria por agora. Como foi sua noite? — perguntou Tony, indicando a mesa com um gesto.
Jisung era do tipo que acordava de mau humor e detestava ser bombardeado por perguntas. No entanto, para não parecer mal-educado, sorriu levemente e respondeu:
— Dormi bem. E não precisava de tudo isso, mas agradeço — disse, curto e direto, servindo-se de café.
O silêncio tomou conta do ambiente. Tony voltou sua atenção ao celular, desviando o olhar de vez em quando para o garoto à sua frente, que tomava seu café sem olhar diretamente para o outro.
— Já estou satisfeito. Obrigado pelo café — disse Han, levantando o olhar. — Espero não ter causado nenhum incômodo — completou, se retirando, até ouvir seu nome.
— Han — chamou Tony. Han parou, esperando.
— Já vai? Hum... quer uma carona? Posso levá-lo, se quiser — ofereceu-se, esperando uma resposta.
— Agradeço a gentileza, mas não. Tenho compromissos agora cedo — respondeu, com um leve sorriso, e continuou a caminhar em direção às escadas para se trocar.
No quarto, arrumou a cama, trocou de roupa e desceu novamente. Saiu da casa de Tony, pegou o celular no bolso e pediu um carro para levá-lo de volta, já que se deu conta de que não estava com seu veículo. Em menos de cinco minutos, o carro chegou. Han entrou, fechou a porta e esperou que o motorista o levasse.
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Aposta de risco
FanfictionHan Ji-Sung, herdeiro de uma das famílias mais ricas da cidade, vive uma vida de luxo e privilégios. No entanto, sua busca por emoções fortes o leva a um lugar sombrio: o cassino clandestino de Lee Know, um mafioso temido e enigmático. Só não imagin...
