nova york
1987
— Não, Jungkook, você não pode dizer que nos conhecemos no backstage de um dos seus shows.
Diana está praticamente surtando, andando de um lado para o outro na sala de estar, enquanto eu tento não me perder na visão. Ela é uma bagunça linda, ainda meio amassada pelo sono, com esse pijama que parece que foi roubado da sua avó e a voz rouca de quem acordou a poucos minutos. A luz preguiçosa do sol da manhã atravessa as cortinas esvoaçantes, pintando seu cabelo castanho com um reflexo dourado.
E eu, bem, estou afundado no seu sofá minúsculo, dividindo o pouco espaço com uma pilha de roupas dobradas e um gato obeso que se chama Jeremiah, enquanto tento não soltar uma gargalhada vendo Diana arrancar o esmalte do piso com os pés descalços.
— E por quê não? Faz sentido para mim. — Levanto as mãos, tentando parecer convincente. — Você foi cobrir um show, eu te lancei um olhar devastador e você desmaiou nos bastidores. Pronto. É clássico.
Ela pára no meio do cômodo e se vira como se eu tivesse acabado de insultar toda uma geração da sua linhagem. Com essa expressão, olhos faiscando e bochechas vermelhas de raiva e eu juro que essa é a coisa mais adorável que eu já vi. Diana coloca a mão na cintura e aponta a outra, com o dedo indicador levantado para mim. Se ela tivesse poderes mágicos, eu estaria queimando agora.
— Você tem alguma noção de como as pessoas presentes nesse casamento são? Elas vão querer saber até a marca do vinho que estávamos bebendo no dia em que nos conhecemos. — Ela passa as mãos no cabelo em frustração. — E, sinceramente, se você disser algo como "desmaiar nos bastidores", eu vou socar a sua cara.
Solto uma risada baixa, levando o cigarro aos lábios numa tragada discreta. Ela ainda não notou que eu o acendi. Vê-la tão fora de controle é divertido e um tanto viciante. Eu sei que ela me acha um completo ignorante quando o assunto é etiqueta e boas maneiras, mas é isso que torna tudo tão divertido. A realidade é que eu conheço bem esse mundo — riquinhos metidos, jantares formais e conversas supérfluas. Eu cresci nesse ambiente, embora mil vezes a bagunça do Rock and Roll. Essa é uma das razões pelo meu pai me odiar: deixei uma vida que ia além do conforto na Coreia para tentar a sorte na música.
— Ok, princesa. Que tal isso: nos conhecemos num mercado? Eu estava pegando algumas cervejas, você apareceu para pegar um pote de Ben and Jerrys, nossos olhares se cruzaram, faíscas voaram. É poético.
— Poético? Isso é ridículo. Você tem o dom de tornar tudo absolutamente patético. — Ela suspira e se joga no sofá, ocupando o espaço que restava ao meu lado. Seu corpo encosta de leve no meu, e eu preciso de toda a minha disciplina para não olhar para a sua boca. — Por Deus, como eu pensei que isso poderia ser uma boa ideia?
— Deve ter sido porque eu sou irresistível. — Dou um sorriso de canto a canto, me inclinando um pouco mais para ela. — E, claro, porque Mason merece levar uma rasteira.
Diana não pensa duas vezes antes de jogar uma almofada na minha cara. Eu desvio com facilidade, rindo.
— Não me provoque. — Ela pegou Jeremiah e o aninhou no colo, como se o bichano fosse algum tipo de talismã para controlar os nervos. — Isso é sério. Se a gente não acertar uma história convincente, eles vão perceber na hora que estamos mentindo. Vou ser assunto de fofoca para sempre.
Apaguei o cigarro no pires do conjunto de chá dela — para meu próprio entretenimento, claro. — Relaxa, Diana. A gente improvisa. Você é boa com palavras, e eu sou... bem, eu sou eu. O que pode dar errado?
VOCÊ ESTÁ LENDO
𝑻𝑯𝑬 𝑷𝑬𝑶𝑵𝑰𝑬𝑺 / 𝗝𝗞
Romance✦ Diana Harrison precisa de uma entrevista com os Peonies, mas Jungkook, o rockstar, não vai facilitar. ↳ Iniciada em: 17/08/2024 🥇#groupie 19/08/2024
