C a p í t u l o 19

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O telefone tocou e tocou, até que a chamada caiu na caixa postal. Selene apertou o botão de discagem novamente, sentindo a ansiedade crescer como um incêndio que ela não conseguia controlar.

— Vamos, pai... — murmurou, apertando o celular contra a orelha como se isso pudesse acelerar a resposta.

Ela se sentou na beirada da cama, o olhar fixo no chão. "Ele sempre atende. Sempre." Essa constatação só serviu para alimentar seu nervosismo. Por que agora seria diferente?

A raiva não era dele. Não podia ser dele. Mas a frustração de não ouvir a voz tranquilizadora de seu pai só fazia as mentiras que ela descobrirá parecerem ainda mais insuportáveis.

Suas mãos começaram a tremer. Seu coração se pôs a acelerar com mais rapidez como se fosse matá-la. E assim que o telefone vibrou em suas mãos, a encapuzada quase o deixou cair. Ao ver o nome de seu pai na tela, ela atendeu rapidamente.

— Selene, estou em uma reunião — a voz grave e familiar ressoou. — Aconteceu alguma coisa?

— Pai, eles mentiram pra mim. — Sua voz tremeu, mas não era fraqueza, era raiva. — Preciso falar com você agora — aquilo não foi um pedido, e sim uma ordem.

Houve uma pausa do outro lado da linha, mas, em vez de dúvidas, ele respondeu com a firmeza de sempre:

— Diga — Selene pode ouvir ele se reenconstar em sua cadeira.

— Eles mentiram pra mim — ela repetiu — Esses filhos da puta estavam me enganando.

— Quem? — a voz dele soou como um trovão abafado, carregada de uma raiva que ele não fazia esforço para esconder.

— Todos eles, Alejandro, Simon, Soap... — ela cuspiu os nomes como se fossem maldições. — Disseram que o amigo estava desaparecido, porém não está.

Do outro lado, o som de um objeto sendo empurrado — talvez a cadeira ou algum papel caindo — indicava que ele havia se levantado.

— Eu vou cuidar disso — a declaração foi firme, como uma promessa gravada em pedra.

— Não, pai. Eu mesma vou cuidar disso — a mulher se levantou, andando de um lado para o outro como um lobo enjaulado

A raiva dele agora estava em sintonia com a dela, e, por um momento, ela sentiu aquela conexão familiar, quase reconfortante. Selene sabia que seu pai era extremamente louco e violento quando precisava.

— Eles têm noção do que fizeram? — ele fez uma pausa, e Selene quase podia visualizar o rosto dele se fechando.

— É melhor terem — sua voz saiu cortante — Porque se não tiverem, vão descobrir da pior forma.

O pai suspirou, e o som parecia carregar não cansaço, mas algo sombrio.

— E tem mais, pai. Alejandro mandou eu e Simon ir atrás de informações sobre o míssil — falou com desprezo, como se a simples menção do nome dele fosse suficiente para fazer sua pele ferver.

Houve uma pausa do outro lado da linha, e Selene sabia que o pai estava processando tudo. Ele sempre foi calculista, jamais tomaria uma decisão sem analisar cada palavra dela.

— Você vai sim — o tom de sua voz não deixou margem para discussão.

Selene parou de andar, paralisada. Seu coração bateu mais forte.

— O que? — sibilou, incrédula — Eu não sou uma maldita marionete, pai!

— Você vai, e quando estiver lá com ele, aproveita o momento. Rasgue a garganta dele, acabe com ele de uma vez — Selene ouviu ele dar um tiro em algo — Mostre que você está no controle.

Simon Riley - 𝔇𝔢𝔳𝔦𝔩'𝔰 𝔈𝔶𝔢𝔰Onde histórias criam vida. Descubra agora