VII

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Judd Birch point of view

Garota estúpida. Penso, enquanto guardava meus materiais na mochila de acordo com o horário que Verônica, a estúpida em questão, pregara no meu mural. Como uma garota como ela se interessa por caras como aquele playboy? Que dúvida.. são todos farinha do mesmo saco, afinal.
Diane: Judd, querido, sobrou um pedaço da torta que a Verônica adorou, quer levar para ela...?-ela pergunta, invadindo meu quarto como sempre, mas se surpreendendo com a cena- Você está arrumando seu material para a escola? Nem sabia que você ainda tinha cadernos! Nossa, essa menina fez um milagr...
Eu: Ela não fez nada, tá legal?-retruco, mas nem eu mesmo acreditava nisso, infelizmente, sem a monitoria, nem saberia que aulas teria amanhã.
Diane: É, tudo bem... mas e a torta? Acho que ela merece.
Eu: Tô fora, ela tem quem dê tortas pra ela ou sei lá o que.-digo, jogando minha mochila recém arrumada sobre a mesa e me jogando na cama.
Diane: Está falando do menino que ela foi encontrar? Meu filho, você está com ciúme?-dito isso, meu monstro hormonal surge batendo em um gongo ensurdecedor.
Maury: Bingo!-ele exclama- A gostosa da sua mãe sabe das coisas.
Eu: Que tal vocês dois me deixarem em paz?
Diane: Judd?-ela chama, certamente confusa com minha resposta no plural.
Eu: Vou dormir, ok, Diane, boa noite.-digo, a conduzindo para fora do meu quarto e voltando para a cama, bufando.
Maury: Qual foi, cara? Até parece que você não sabe que tá gamadinho na Vero de novo.-fecho meus olhos com força e minha mente viaja para o corredor da minha casa há algumas horas atrás, quando a puxei para meus braços e pude sentir seu perfume doce, não não não... não pode ser-Viu, seu pau ta durasso.
Eu: Porra.-ele estava certo. Me sentia um pirralho de 13 anos de novo- Tá, e daí? Ela é gostosa, só isso.
Maury: Vamos resolver isso e ir dormir, que amanhã vamos ver a gatinha de novo...-ele diz, esfregando as mãos animado.
Eu: Não bato uma pensando nessa patricinha nem fodendo...-falo, decidido, caçando meu celular e procurando algum contato interessante na agenda.
Maury: Boa, vai direto pro ataque!
Eu: Não com quem você está pensando.
Maury: Se tiver uma cinturinha igual a Verônica tá valendo.-ele fala, dando de ombros, lógico que não tinha, mas dá pro gasto. Quando recebo a confirmação que esperava, me levanto e pego minha mochila.
Eu: Você vem?-pergunto a Maury, que levanta de prontidão. Abro a janela e dou o fora, como de costume, sendo seguido pelo meu monstro hormonal.

Verônica Baker point of view

Louis: Você tinha que ter visto, Vero, o Jake aqui,- diz ele, empolgado, batendo no ombro do amigo- não errou um passe sequer!
Eu: Você realmente deve ser muito bom, Jake, nunca vi Louis elogiar tanto alguém além de si mesmo...-brinco, tentando quebrar o gelo que havia entre mim e Jake, que brincava com as batatas da lanchonete sem muita animação. Depois de Judd me deixar na porta da escola e basicamente me expulsar do carro, mal tive tempo para improvisar uma desculpa boa o suficiente para justificar minha ausência no teste. Todas pareciam péssimas, principalmente envolvendo o Judd.
May: E o time está cheeeio de gatinhos novos!-ela exclama, tão animada quanto Louis. Como já tinha dito pelo menos umas três vezes durante o caminho da escola até a lanchonete mais próxima, que íamos com bastante frequência pós treino do time -as vezes que eu assistia, claro.
Louis: Pena que são mais gatinhos que competentes.-resmunga, me fazendo soltar uma risadinha nasal. Louis se definia como pansexual e, com certeza, já ficou com mais caras do próprio time do que qualquer garota da escola, mas isso não o impedia de ser o capitão carrasco.
Jake: Relaxa, cara, agora estamos juntos nessa.-ele diz, esticando a mão cumprimentando Louis.
May: Bom, meninos, foi muito legal todo o jogo, o suor, os gatinhos...-diz ela, recolhendo suas coisas da mesa e guardando na bolsa- Mas já está tarde, hora de ir.
Eu: Já?-digo, fazendo beicinho, mas ao olhar o relógio vejo que ela estava certa.
Louis: É, se a senhorita tivesse chegado antes...-ele provoca, me dando um peteleco, que eu respondo lhe mostrando a língua- Precisa de carona?
Eu: Imagina, somos lados opostos.-falo, apontando pro celular- Vou pedir um uber.
Jake: Deixa disso, eu te levo.-ele diz, sem nem me olhar ou deixar que eu relutasse. Tudo bem, agora era a hora de concertar as coisas entre nós e garantir que ele entendesse que eu não sentia nada pelo Judd...
Connie: E não sente mesmo?-minha monstra hormonal sussurra, interrompendo meus pensamentos e me distraindo enquanto os meninos pagavam a conta.
Eu: É claro que não, Connie, está maluca? É o Judd.
Connie: É. O Judd gostosão Birsch.-ela diz, com um sorriso imenso e me envolvendo com seu cabelo imenso- Lembra quando ele te agarrou no corredor? O clima esquentou...
Eu: Ele só estava zoando com a minha cara.-retruco, me desvencilhando do seu cabelão, irritada- Você sabe que minha quedinha por ele já passou.
Connie: Se você diz...-ela fala e eu reviro os olhos. Era até estranho admitir em voz alta que algum dia na minha curta existência eu já sentira algo pelo Judd. Algo que não seja repulsa.
May: O que está ai falando sozinha? Pronta para dar uns amassos no carro do Jake?-ela pergunta, com as mãos em meus ombros, me sacudindo, animada.
Eu: Estava pensando sobre o Judd.-respondo tão honestamente que até me surpreendo. E, com a expressão da minha melhor amiga, me arrependo imediatamente de ter contato.
May: No Judd? Sério?-ela pergunta, torcendo o nariz- O que está rolando entre vocês, ein? Vai dizer que seu crush pelo garoto problema voltou?
Eu: Shh.. fala baixo.-a repreendo. Além de Connie, May era a única que sabia da minha paixão platônica pelo Judd no primeiro ano do ensino médio. Depois de vê-lo consolar a irmã, Leah, enxerguei um Judd que nunca tinha visto antes. Além da faceta de garoto problema. Acho que estava na fase de adolescente que se apaixona pelo bad boy complicado, mas diferente dos livros, na vida real ele era só problemático mesmo. No fim das contas nunca descobri o motivo pelo qual estava consolando Leah, muito menos do porquê eu ter alimentado esse sentimento. Enfim, como disse, faz tempo- Pelo contrário, preciso que Jake entenda que não tem nada a ver.
May: Meio difícil, né?-ela fala e eu a encaro como se fosse louca- Anda pra cima e pra baixo falando no cara, se atrasa, chega no carro dele...
Eu: Ei..-protesto, mas sem muitos argumentos, acho que no fim das contas eu estava mesmo deixando Judd alugar um espaço muito grande na minha vida. Mas posso garantir que isso não vai mais acontecer.
Jake: Vamos?-ele fala, me tirando dos meus pensamentos- Coloca seu endereço no meu celular.
Eu: Claro.-falo, me despedindo de Louis e May, que faziam um monte de gestos obscenos pelas costas de Jake enquanto eu lhes mostrava o dedo do meio- Mas e aí.. feliz por ter entrado no time?
Jake: Bastante, mas acho que já esperava conseguir, então sei lá.-ele diz, dando de ombros enquanto abria a porta do carro pra mim. Um cavalheiro. Tão diferente do... deixa pra lá- E você? Como foi a monitoria?
Eu: Tranquila...-digo, mas logo lembro do meu objetivo e me corrijo- na medida do possível, Judd é complicado, demoramos para nos entender.
Jake: Imagino, e você curte dar aulas?
Eu: Bastante, me ajuda a aprender a matéria também.-respondo e ele balança a cabeça, concordando. Seguimos o caminho meio em silêncio, até eu tomar coragem e assumir a palavra- Você sabe que não tem nada rolando entre Judd e eu.. não sabe?
Jake: Ãhn..- droga, acho que peguei ele de surpresa, talvez ele nem tenha interesse nisso, caramba Anika sua burr...-Na verdade tinha minhas dúvidas. Mas fico feliz em saber disso.
Eu: É, tipo... ele não é meu tipo...-acrescento, não parecendo muito confiante.
Connie: Nem você acreditou nessa, né?-ela pergunta, do banco de trás.
Jake: Ah, é?-ele pergunta, estacionando em frente à minha casa e se virando para me olhar nos olhos- E quem faz seu tipo, gatinha?
Connie: Gatinha, ui...!-exclama a monstra, se abanando.
Eu: Hmm..-murmuro, fingindo estar pensativa enquanto me inclinava um pouquinho em direção a Jake, me mostrando tão interessada quanto de fato estava- Caras charmosos que fazem esportes.
Jake: Atletas?-ele repete, sorrindo- Algum esporte específico?
Eu: Sabe que eu gosto muito de lacrosse?-falo, observando seu sorriso aumentar ainda mais. Belo sorriso, a propósito.
Jake: Então acho que tenho a pessoa certa para te apresentar.-ele declara, se inclinando na minha direção.
Connie: Puta merda é agora! Ele vai te beijar!-mal podia ouvi-la de tanto que meu coração batia forte em meu peito. Termino a distância entre nós selando nossos lábios. Em um beijo calmo e tranquilo, que até fez meu coração se acalmar um pouco. Sinto as mãos de Jake deslizarem pelas minhas costas até minha cintura, em uma altura respeitosa. O aproximo ainda mais com minhas mãos em seus cabelos, o convidando a intensificar o beijo, mas ele recua.
Jake: Se continuarmos não vou te deixar entrar.-ele fala baixinho, ainda em uma curta distância entre nossas bocas.
Eu: Tudo bem. Já está tarde mesmo.-respondo, sorrindo sem mostrar os dentes. Será que fui oferecida demais? De uma visão panorâmica, pude ver de relance um carro que eu conhecia bem, sendo dirigido por um par de olhos verdes e cabelos azuis que eu também conhecia muito bem, passando pela rua em uma velocidade absurda. Droga, para onde ele estaria indo a essa hora? Será que tinha visto algo? Ao dizer pela velocidade que passara acho difícil, mas e se...
Jake: Ei, Vero, nos vemos amanhã?-ele diz, estralando os dedos em minha frente, como se me acordasse de um transe.
Eu: Ah, sim... claro. Até amanhã.-nos despedimos e em passos acelerados entro em casa. Já silenciosa e, muito provavelmente, sem ninguém. Me arrasto escada acima até o banheiro, para fazer minha higiene e, em seguida, meu quarto, me trocando e me preparando para dormir. Minha cabeça estava confusa. Tentava pensar no meu recente beijo com o Jake, mas a lembrança do Judd me repreendendo, ou a do corredor, ou as piadas sem graça durante as aulas me atrapalhavam. Acho que só estava paranoica que ele tivesse visto algo. Acho que não pegaria bem. Mas, de qualquer forma, ele não tinha nada a ver com isso, né? Aposto que se Jake tivesse me dado uns amassos de verdade, nem estaria ligando...
Me deito com o celular e coloco no silencioso, ignorando as inúmeras mensagens de Louis e May no nosso grupo perguntando sobre meu "after" com o Jake. Apesar de estar cansada, o sono não parecia vir, mas ainda sim não tinha energias para aguentar o turbilhão de perguntas que eles fariam assim que eu citasse a palavra beijo. Dessa forma, só ficava deslizando a tela do celular, enquanto assistia uns vídeos até meus olhos pesarem e... acordo em um salto. Meu celular apitava em minhas mãos freneticamente e eu já não fazia mais ideia de que horas eram, por um segundo nem me lembrava de onde estava e, muito menos, quem poderia estar me enchendo de mensagens a essa hora.

"Judd: você chama aquilo de beijo?"

Sinto meu corpo gelar na hora. Me sento na cama, pensando o que diabos ele quer que eu responda.

Você: você viu?

Judd: infelizmente
achei que tinha te convencido a não dar mole para aquele otário

Você: você nem o conhece

Judd: mas eu TE conheço
sei o que você merece de verdade

Estremeço só de pensar na voz grossa de Judd me dizendo "o que eu mereço"...

Você: o que você quer dizer?

Judd: deixa eu te mostrar o que é um beijo de verdade, baker

Respondo inúmeros pontos de interrogação, tão rápido quanto as batidas em meu coração, que parecia que iria sair pela boca a qualquer momento. Ele visualiza minha mensagem e imediatamente um som rouba minha atenção... seria uma pedrinha na minha janela? O som se repete, confirmando minha teoria. Visto um roupão que deixo próximo a cama e me aproximo da janela, a abrindo silenciosamente, me deparando com ninguém mais, ninguém menos, que Judd Birsch no meu gramado. Tal qual a cena da sacada de Romeu e Julieta. Ok, piegas demais.
Eu: O que você quer?-falo baixinho, gesticulando, e ele aponta para o celular em minhas mãos, enquanto ele rapidamente digitava uma mensagem.

Judd: desce, princesa
agora

Olho em volta, procurando algum sinal de lucidez, ou dos meus pais, ou da Connie...
droga, onde ela estava quando eu preciso dela? Como se estivesse lendo meus pensamentos, Judd envia mais uma mensagem.

Judd: você sabe que quer.

Dane-se. Fecho a janela e largo o roupão sobre a cama, calçando meus chinelos e descendo até a porta da frente. A cada passo sentia meu corpo em uma guerra entre o frio da barriga e o calor que me percorria. Encaro a porta, tentando recuperar meu fôlego, não queria parecer tão desesperada quanto eu achava que parecia.
Judd: Eu sei que está aí.-ouço sua voz do outro lado, me incentivando de uma vez por todas a abrir a porta, encarando seus olhos verdes que pareciam sedentos. Por mim.
Eu: O que você acha que eu mereço, Birch?-o provoco, extremamente confiante, sabendo que a resposta seria exatamente o que eu mais queria. Ele dá um passo a frente e segura minha mão delicadamente,  mas com um sorriso perverso nos lábios.
Judd: Coisas que só eu...-ele responde em um sussurro, em um ato me puxando e prensando contra o batente da porta-posso te proporcionar.
Eu: Humm...-deixo escapar em um gemido e então ele me beija. Um beijo intenso. Sinto suas mãos passearem pelo meu corpo, nos aproximando ainda mais e me fazendo implorar mentalmente pelo seu toque aonde ainda não o tinha sentido.
Judd: Me diz o que você quer.-ele ordena, entre um beijo e outro, pressionando meu corpo com força contra o seu e, enquanto marcava meu pescoço com beijos molhados, eu disparava a resposta que parecia tão óbvia.
Eu: Quero que me foda, Judd.

pretty little problem | judd birchOnde histórias criam vida. Descubra agora