XXII

68 3 4
                                        

Verônica Baker point of view

Diretora: Entendo, querida... ele deu muito trabalho?-a voz da Diretora Lauren soa cansada, automática, assim que aviso que não seria mais a monitora de Judd.
Eu: Não, senhora...-respondo, a deixando surpreendentemente confusa- Ele foi ótimo, só que... não posso...
Diretora: Tudo bem, senhorita Baker, você pode voltar a monitorar os outros alunos normalmente. Já solicitei que a senhorita Jones te substitua com o Ju...
Eu: Não!
A diretora pisca. Me observando como se tivesse encontrado, pela primeira vez, uma falha microscópica na minha armadura.
***: Chegamos em uma hora ruim?
Meu corpo inteiro gela.
A voz de Judd atrás de mim corta o ar.
Viro lentamente e o vejo encostado no batente, com a mochila sobre o ombro e o olhar soberbo de sempre. E, ao seu lado, Samantha Jones, com seu cabelo verde e estilo gótico que me faziam duvidar se ela era mesmo a segunda garota mais inteligente do nosso ano, quando mais parecia uma vampira assassina de virgens e bodes.

 E, ao seu lado, Samantha Jones, com seu cabelo verde e estilo gótico que me faziam duvidar se ela era mesmo a segunda garota mais inteligente do nosso ano, quando mais parecia uma vampira assassina de virgens e bodes

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.

Diretora: Não, senhor Birch. Justamente cheguei à conclusão de que precisamos conversar sobre sua situação na monitoria. Mas ao que parece, a senhorita Baker discorda da minha escolha para substituí-la.
Judd não diz nada. Já Samantha sorri, com o mesmo ar competitivo que nos cercava desde a quinta série.
Samantha: Pode ficar tranquila, Verônica, eu vou ser uma monitora ainda melhor que você para o Judd.
A frase é doce. O tom não.
Por um instante, sinto vontade de responder. De dizer qualquer coisa. De lembrar a ela que competição nunca foi um problema pra mim.
Mas então eu vejo Judd e o olhar dele não é de desafio. É de mágoa.
E isso me desmonta mais do que qualquer provocação.
Eu inspiro devagar e recolho meus livros contra o peito.
Eu: Boa sorte.-minha voz sai baixa, controlada, impessoal-Vocês vão se dar bem.
A diretora parece surpresa. Samantha também. Judd, não. Ele apenas desvia o olhar, como se tivesse acabado de perder algo que não queria admitir que queria.
Eu passo por eles.
Abro a porta.
E saio da sala.
Sem olhar para trás.
Mesmo que cada parte minha queira.
No corredor, o barulho era de uma sexta-feira normal: um bando de adolescentes que aguardavam ansiosamente pelo final de semana e eu caminho por eles como se nada tivesse acontecido.
Mas, antes mesmo que eu alcance meu armário, Jake surge ao meu lado, gentil demais para esse horário da manhã.
Jake: Ei... sobre a prova de física. Como foi?
Eu abro a porta metálica. O rangido parece alto demais.
Eu: Fui mal.
Jake: Você? Mal? Até parec...
Eu: Eu tô falando sério.
Curto. Seco. Sem espaço para piedade.
Jake franze a testa, solidário, mas também satisfeito por não ter sido ele.
Jake: Se quiser... posso te ajudar a revisar. A gente pode estudar juntos depois das aulas.
O tom é casual. Mas o sorriso é calculado.
Eu fecho o armário devagar. Respiro fundo. E uso a deixa como fuga.
Eu: Na verdade... acho que preciso de um tempo.
Jake pisca.
Eu: Pra mim. Pra escola. Pra colocar as coisas em ordem.
Ele tenta esconder a decepção.
Jake: Claro... se é o que você quer.
Eu balanço a cabeça. Agradecida. Distante. Mas diante ao silêncio, ele retoma a palavra.
Jake: Só não me diga que isso é um fora amigável para você ficar com... ele.-ele murmura, apontando com a cabeça sobre meu ombro.
E então me viro.
O corredor inteiro parece abrir espaço automaticamente.
Porque Judd está lá. Ao lado de Samantha, que falava e apontava para, o que me pareciam, ser planilhas de estudo e ele não dava a mínima.
Até que ele nota minha presença. E a de Jake.
O olhar dele me atravessa — ferido, irritado, orgulhoso demais pra chamar meu nome.
Por um segundo, penso em parar. Dizer qualquer coisa.
Mas não digo.
Apenas desvio meu olhar de volta para Jake.
Eu: Não, Jake, não tem nada a ver com o Judd.-garanto e ele suspira, quase aliviado.
Jake: Ótimo. Nesse caso... amigos?
Eu: Amigos.-repito, forçando um sorriso.
Jake: Então, como amigos... posso te acompanhar até a aula de matemática?-ele pergunta, com um meio sorriso e olhar esperançoso.
Dessa vez o sorriso que se abre é genuíno.
Eu: Claro que pode.

Judd Birch point of view

Samantha fala enquanto caminha ao meu lado pelo corredor, gesticulando com uma animação que não combina nem um pouco com o estilo que muitos julgariam como assustador. Eu até que acho maneiro.
Samantha: Então, a gente pode começar revendo os exercícios-base, depois partir pros teoremas que mais caem nas provas...-ela enumera, empolgada-E eu pensei em usar uns métodos alternativos, nada daquele blá-blá-blá engessado.
Eu concordo com a cabeça. Ou finjo que concordo.
Na real, minha atenção já foi embora.
Porque, alguns metros à frente, perto dos armários, Verônica está encostada na parede. Jake está à frente dela, falando rápido, como sempre faz quando se sente útil demais.
Eles estão próximos. Não demais. Mas próximos o suficiente.
Vejo Jake sorrir. Vejo Verônica responder com um sorriso curto, educado. Aquele que ela usa quando não quer parecer rude, mas também não quer parecer disponível.
Meu maxilar trava sem que eu perceba.
Samantha continua falando ininterruptamente.
Samantha: ...e se você topar, a gente pode marcar dois dias fixos na semana...
O sinal toca.
Alto. Estridente. Cortando o corredor como uma lâmina.
Verônica ergue o olhar e, por um segundo, nossos olhos se encontram. O sorriso dela desaparece. Fica algo neutro. Controlado. Distante.
Jake diz alguma coisa no ouvido dela. Eles passam por nós.
Ela passa por mim.
Nem me olha de novo.
O ar fica estranho no meu peito, pesado demais pra um corredor cheio de gente. Ciúme não é a palavra certa. Ciúme é pequeno. O que eu sinto é outra coisa. É aquela sensação idiota de estar sendo substituído por algo mais limpo. Mais seguro. Mais... aprovado.
Nisso, meu besouro do amor aparece, em prantos:
Walter: Oh Verônica!-ele exclama, dramático, como se tivesse levado uma facada no coração- Por que está fazendo isso com a gente, Verônica?
Sam: Judd?-Samantha chama, franzindo a testa-Você tá me ouvindo?
Eu: Tô.-minto, me adiantando em mudar de assunto- Tenho aula agora, você tem meu número, né? Me chama e a gente marca.
Antes mesmo que ela respondesse, já me direcionava para a sala de aula. A aula de matemática começa como qualquer outra: professor sério demais, quadro cheio demais, minha cabeça tentando acompanhar.
Até que a professora começa a entregar as provas que fizemos no início da semana.
Uma por uma.
Quando a minha cai sobre a carteira, viro rápido, sem expectativa nenhuma. Aquele reflexo de quem já se acostumou a notas medianas no melhor dos cenários.
B-.
Eu encaro o papel por alguns segundos, achando que li errado.
Professora: Fiquei impressionada, senhor Birch. Continue assim.
Apenas abro um sorriso amarelo em resposta, até porque estava sem palavras.
B menos.
Não é um A.
Mas também não é um C.
Muito menos um D.
É... bom.
É ótimo, considerando quem eu era antes.
Sinto um riso curto escapar pelo nariz. Involuntário. Enquanto professora segue em frente e a sala se preenche de murmúrios.
Maury: Caramba, moleque, tirou onda!-meu monstro hormonal exclama, surgindo ao meu lado- A loirinha te ajudou mesmo, ein?
Walter: Verônica!-meu besouro do amor geme em agonia, atirado no chão como quem tinha levado um tiro.
Encosto na cadeira, ainda olhando pro papel.
Verônica.
A paciência dela explicando.
O jeito que ela não me tratava como um caso perdido.
As broncas discretas quando eu desviava assunto.
O orgulho contido quando eu acertava.
Walter: Você precisa reconquistar ela, garoto!-ele incentiva, brilhando feito um globo de festa e com as mãos em meus ombros como um treinador.
Maury: Ah, que se dane essa garota também.-ele resmunga- Chame a Cassandra e vamos comemorar.
Walter: Você não entende que é a Verônica que faz bem para ele?
É, ela faz.
Mas agora, sentada algumas fileiras à frente, concentrada demais na própria prova, fingindo que eu não existo, ela parece determinada a provar o contrário.
Eu dobro a folha com cuidado e guardo na mochila.
Talvez ela esteja errada sobre muitas coisas.
Mas numa, ela acertou em cheio:
Depois que Verônica Baker entrou na minha vida, nada ficou exatamente igual.

Você leu todos os capítulos publicados.

⏰ Última atualização: Jan 30 ⏰

Adicione esta história à sua Biblioteca e seja notificado quando novos capítulos chegarem!

pretty little problem | judd birchHistórias para pegar e não largar. Descubra agora