XXI

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Verônica Baker point of view

Acabada. Desesperada. Perdida.
Três palavras que jamais deveriam coexistir comigo. Muito menos numa maldita manhã de quinta-feira.
Mas foi exatamente assim que me senti quando, antes mesmo de conseguir resolver a briga entre as meninas da torcida e o time de atletismo que discutiam quem ocuparia a quadra mais tarde para treinar, o sinal tocou e Jake me chama:
Jake: Vamos, Vero? Não podemos nos atrasar.
Eu: Mas...
May: Pode ir, Vero, eu resolvo aqui...!-ela me interrompe, cerrando os punhos enquanto encarava a capitã do time de corrida.
Eu: Mas gente, nós temos aula juntos ago...
Jake: Vero, nós temos prova de física avançada agora, esqueceu?
May arregalou os olhos.
May: É, e nessa aula eu não entraria nem como a maçã que caiu na cabeça do Einstein.
Jake riu.
Jake: Newton, May.
Eles riram juntos.
Eu não.
Porque ele só podia estar brincando. Eu nunca esqueceria uma prova. Nunca.
O papel está sobre minha carteira.
Questões de física avançada em branco. Teoremas que normalmente eu recitaria como oração decorada. Mas hoje, cada número parece flutuar. Cada símbolo me encara como se soubesse que eu não pertenço a esse estado de confusão.
Como eu pude esquecer dessa prova?
Eu giro a caneta entre os dedos. Uma, duas, três vezes. Tic nervoso. Inaceitável.
A professora passa entre as fileiras. O salto ecoa no piso como sentença. O tempo corre. E eu não escrevo nada.
E o pior, minha cabeça só pensava em Judd Birch.
O beijo. O encontro tímido no corredor. A promessa de uma conversa.
Entre pensamentos, Petra dentro de mim sentencia:
Irresponsável.
Eu respiro fundo. Forço a primeira questão. Escrevo algo. Apago. Escrevo de novo. Não tenho certeza. Não de nenhuma.
E isso nunca acontece comigo.
Meu estômago revira. Não pelo cálculo. Mas pela constatação cruel:
Eu me deixei sentir.
E agora estou pagando o preço.
A caneta treme levemente na minha mão.
Quando o tempo acaba, entrego a prova sabendo — com clareza absoluta — que, se não zerei, cheguei perigosamente perto.
Saio da sala sem olhar para ninguém.
O corredor segue seu ritmo normal. Gente rindo. Portas batendo. Vida acontecendo.
E eu me sinto fora de tudo.
Petra não diz nada. Nem precisa.
Minha mãe já tinha dito por ela.
O futuro não espera.
Yale não espera.
Eu não posso errar agora.
Fecho os olhos por um segundo.
O beijo.
O jeito que Judd disse meu nome.
O calor da mão dele na minha nuca.
Meu peito aperta.
Mas a decisão vem, dura e clara, mesmo doendo:
Eu preciso me afastar de Judd.
Não porque eu não sinto.
Mas porque sentir, agora, custa caro demais.
Abro os olhos.
E continuo andando até onde sabia que iria encontrá-lo.

Judd Birch point of view

O lápis desliza pelo papel no último traço.
O contorno do rosto dela já estava pronto desde a aula de artes. Mas eu passei as primeiras aulas inteiras debaixo da arquibancada ajustando detalhes que ninguém além de mim perceberia: a curva da sobrancelha, o jeito levemente torto do sorriso, o olhar que parecia sempre estar pensando três coisas ao mesmo tempo.
Verônica Baker em grafite.
Ridiculamente bonita.
Ridiculamente complicada.
Walter, meu besouro do amor, flutua ao meu lado, vibrando como um celular no silencioso.
Walter: Ela está vindo. Eu sinto! O ar tá carregado! Tipo... filme indie com orçamento baixo mas roteiro premiado!
Eu reviro os olhos, mas meu pé não para de balançar.
Até que eu vejo.
Ela aparece no topo da escada da arquibancada.
E minha ansiedade muda de forma na hora.
O jeito que ela anda.
O jeito que segura a mochila.
O jeito que não olha ao redor.
Algo está errado.
Antes que eu pense duas vezes, eu dobro o caderno e escondo o desenho dentro da mochila.
Ela desce os últimos degraus.
Para na minha frente.
E fala sem respirar.
Verônica: A gente precisa se afastar.
Silêncio.
Nem o vento sabe o que fazer.
Eu: ...Oi pra você também.
Ela não ri. Não suaviza. Não pede desculpa.
Verônica: Judd, eu esqueci uma prova hoje. Física avançada. Eu nunca esqueci uma prova na minha vida. E eu fui mal. Muito mal.
Eu observo. Sem interromper.
Verônica: E eu sei exatamente por quê.-a voz dela treme, mas não quebra-Porque eu deixei você... entrar na minha cabeça. No meu tempo. No meu foco.
Ah.
Então é isso.
Eu solto uma risada curta. Sem humor.
Eu: Uau. Então o problema sou eu.
Verônica: Não foi isso que eu...
Eu: Foi exatamente isso que você disse.-a interrompo, e ela aperta a alça da mochila com força.
Verônica: Eu tenho Yale. Eu tenho meu futuro. Eu não posso...
Eu: ...não pode se distrair com o garoto problema, não é?
As palavras saem antes que eu segure.
E eu vejo.
Ela sente o golpe.
Mas não recua.
Verônica: Não vou discordar disso...
Agora eu levanto.
Ficamos próximos. Próximos demais pra quem decidiu "se afastar".
Eu: Então vai lá, princesinha Baker.-minha voz baixa, mas se mantem firme-Corre pro Jake. Pro capitão perfeito. Pro sorriso de comercial de pasta de dente. Vai ser a garota perfeita das notas perfeitas. Combina com você.
Os olhos dela brilham.
Não do jeito que eu gosto.
Mas de raiva, mágoa e algo mais perigoso.
Verônica: Você não sabe nada sobre mim.
Eu: Sei o suficiente pra ter corrido pela cidade ontem à noite atrás de um livro idiota porque achei que...
Eu paro.
Quase digo.
Quase entrego.
Ela prende a respiração.
Eu também.
O espaço entre nós fica carregado. Elétrico. Tenso de um jeito que não tem nada a ver com briga comum.
Verônica: Você acha que isso é um jogo?
Eu: Eu acho que você veio aqui pra dizer que vai embora... mas não consegue se afastar de mim por mais de meio metro.
Ela abre a boca.
Fecha.
Porque sabe que é verdade.
O silêncio agora é diferente.
Quente.
Perigoso.
Walter sussurra ao meu ouvido:
Walter: Beija. Beija. Beija.
E nós ficamos ali.
No meio das arquibancadas.
Com raiva.
Com desejo.
Com tudo que nenhum dos dois quer admitir em voz alta.
Então, o silêncio pesa entre nós.
Verônica abaixa a guarda.
Literalmente.
Os ombros relaxam.
As mãos soltam a alça da mochila.
A voz dela sai menor do que antes.
Verônica: Eu não vou atrás do Jake.
Eu arqueio uma sobrancelha, mas não digo nada.
Verônica: Nem poderia.-ela engole em seco-Porque eu... eu gosto de você, Judd.
As palavras ficam no ar, simples. Sem drama. Sem desculpa.
Meu peito aperta. Forte.
Mas ela continua.
Verônica: E é exatamente por isso que eu preciso parar agora. Antes que vire algo que eu não consiga controlar. Antes que eu me perca.
Ela dá um passo para trás.
Depois outro.
Eu não a seguro.
Não porque não quero.
Mas porque sei que, se tocar nela agora, ela não vai embora.
E talvez nunca fosse embora.
Mas eu só quero que ela fique se ela quiser ficar comigo da mesma forma que eu quero ficar com ela.
Verônica: Então... é isso. Vou achar um ótimo monitor para me substituir.
Ela vira.
Sobe os degraus da arquibancada sem olhar para trás.
Eu fico parado, com o vento frio batendo no rosto e o desenho dela escondido na mochila, pesado como se fosse concreto.
Walter não diz nada.
Pela primeira vez, nem ele tem piada.
E eu penso, sem querer:
Ela gosta de mim.
Mas mesmo assim foi embora.
E isso dói mais do que qualquer rejeição.

NOTA DA AUTORA: comentem, comentem, comentem! tô com ideias mas preguiça de escrever, preciso de motivação!!!!!!!

pretty little problem | judd birchHistórias para pegar e não largar. Descubra agora