Verônica Baker point of view
May: Meu. Deus. Verônica. Baker.-ela fala, pausada e dramaticamente, assim que eu termino de contar -em mínimos detalhes- sobre meu "encontro" com Judd ontem, antes da nossa briga no ginásio- Não sei nem o que te dizer! Em uma manhã você me deu mais orgulho do que a vida inteira! Fumando maconha, matando aula, saindo com o bad boy gostoso... caramba, quem é você?
Eu: Maybel!-exclamo, a dando um empurrão de leve, rindo da sua reação exagerada.
May: E não rolou beijo?-sinto minhas bochechas queimarem só de pensar na possibilidade. Ou melhor, de sentir que -infelizmente- não aconteceu.
Eu: Não... é o Judd, May.
May: E pelo visto você gosta, não é?
Eu: Não sei, estamos sempre nos enfrentando, discutindo, ainda mais depois do...-me enrolo com as palavras, tentando entender exatamente o que acontecia entre Judd e eu, mas May pressiona os lábios, parecia ter lembrado de algo.
May: Do Jake?-ela pergunta e eu balanço a cabeça, confirmando.
Eu: É, eu vi os dois brigando no corredor e, sei lá, nos estranhamos de novo... mas, como você sabe?
May: Antes de você chegar, Louis estava me contando que também viu essa briga dos dois no corredor.-ela conta, se aproximando como se tivesse compartilhando um segredo de estado- Disse que o Jake estava furioso, mas quando Louis perguntou o motivo, ele se fez de maluco, recuou completamente. Nem mencionou a discussão. Estranho, né?
Eu: É...-concordo, pensativa- Judd me disse que eu não conhecia o Jake.
May: Ué, o que ele quis dizer com isso?-ela questiona, com a sobrancelha arqueada.
Eu: Fiz a mesma pergunta.-falo, apoiando a cabeça na mão- E ele não me disse. Estava magoado com a nossa briga de ontem.
May: Judd Birch magoado.-ela repete, rindo sozinha- Estranho. Realmente muito estranho.
Eu: Isso tudo é tão confuso!-exclamo, esfregando as mãos no rosto, completamente perdida.
Louis: O que é confuso?-nosso amigo pergunta, se juntando a nós, com um sorriso. Provavelmente aliviado que tínhamos feito as pazes.
May: Estava contando para Vero sobre a briga do Judd e do Jake.
Louis: Você viu também?-ele pergunta, o tom de voz mudando para versão fofoca.
Eu: Eu vi!-conto, abrindo espaço para ele sentar ao meu lado- E quando perguntei para o Judd, ele só me disse que eu não conhecia o Jake.
Louis: Olha, eu conheço o Jake tanto quanto o Judd,-ele começa, dizendo o quão pouco conhecia os dois para opinar, mas claro que tinha uma opinião sobre- mas ele fingir que nada aconteceu foi no mínimo estranho. Ainda mais depois de peitar o Judd no meio de todo mundo.
May: O que será que rolou entre aqueles dois, ein?
Eu: Boa pergunta...-murmuro, tentando pensar em todas as teorias possíveis, mas sem chegar a uma conclusão sequer.
Louis: Você não vai dar monitoria para o Judd hoje?-ele pergunta, com a típica expressão de quem tinha um plano- Bota esse cabelinho loiro e olhos de cachorrinho pidão pra jogo, gata.
Eu: Louis!-o repreendo, tentando segurar a risada, em vão- Você não existe.
May: Será que não seria mais fácil tirar informações do Jake?-ela sugere, com a sua própria versão do plano- Uns beijinhos e ele te conta tudo, certeza.
Eu: Maybel!-estendo a repreensão, os encarando como se estivessem loucos.
May: Só uma ideia!-ela se defende, apontando com a cabeça para o campo, onde Jake e outros garotos jogavam bola- Aquele ali não parece nem um pouco difícil de driblar.
Louis: Independente de quem você escolher,-ele completa, me cutucando e guiando nosso olhar até debaixo das arquibancadas, onde Judd e os amigos bolavam um baseado, entre risadas- alguma coisa você deve descobrir.
Eu: E só deixar para lá não é uma opção...?
Louis&May: Não!
Eu: Tudo bem, tudo bem!-cedo, erguendo as mãos em rendição- Vou pensar.
Então o assunto desvia para a aula da professora Turner, ou para o jogo de Louis, não presto atenção. Minha mente insistia em tentar decidir o que fazer. Algo me dizia que, independente qual fosse, essa história não parecia ter um final feliz.
Judd Birch point of view
A arquibancada cheira a grama velha, metal enferrujado e aquela mistura agridoce de maconha barata com desodorante vencido.
Meu habitat natural.
Hardin tá rindo de alguma coisa que o Travis falou — provavelmente nada — enquanto eu encaro uma formiga atravessando uma embalagem de salgadinho esmagada. O mundo fica meio mais lento quando eu tô chapado. Não mais bonito. Só... mais distante. O que ajuda.
Hardin:Então, Birch...-ele diz, cutucando meu ombro com o joelho-E o tal do grupo de teatro? Vai mesmo virar técnico de som agora?
Reviro os olhos, puxando o ar com calma demais.
Eu: Já virei.-respondo, já esperando pelas piadinhas-Fui aceito.
Travis solta um assobio exagerado.
Travis: Olha só, o Judd indo pro teatro. Quem diria. Vai usar boina agora ou isso fica pra segunda fase?
Eu:Cala a boca.-cuspo, sem nenhuma emoção real-É só som.
Hardin: Só som.-o mané repete, rindo-Aham. E por que você não pode só aparecer lá e apertar uns botões?
Eu: Porque eu tenho que fazer as aulas também.-explico, dando de ombros. Nem sóbrio entendi o porquê dessa baboseira, mas foi a condição que a doidona da professora de teatro me deu para me aceitar na turma depois do período de inscrições.
O silêncio dos dois durou por meio segundo. Até explodirem em gargalhadas.
Travis: Aulas? Tipo... exercícios de respiração? Teatro experimental? Você chorando em roda?
Hardin: Eu pagaria pra ver isso.-ele completa.
Ignoro. Não porque não me incomoda — incomoda — mas porque já aprendi que reagir só alimentaria suas brincadeiras estúpidas. Dou mais uma tragada, deixo a fumaça sair devagar.
O sinal toca ao longe, estridente, estragando o clima.
Hardin: Merda.-ele reclama, levantando-Aula.
Travis: De verdade, viu, Judd? Não precisa pegar sua boina ainda.
Me limito a revirar os olhos. Idiotas.
Eu: Por que eu ando com vocês mesmo?
A gente se arrasta pra fora debaixo da arquibancada, cada um ajustando a mochila como se isso fosse nos devolver alguma dignidade. No caminho, vejo o movimento normal de sempre: gente reclamando, gente gritando, gente sendo gente demais.
E então...
***: Judd.
Meu corpo reage antes da cabeça. Eu paro.
Viro devagar e vejo a Verônica apoiada no corrimão da arquibancada, nos últimos degraus. O cabelo preso de qualquer jeito, mas ainda assim perfeitamente ela. Como se o mundo tivesse decidido caprichar só naquela parte.
Hardin: Uuuh.-ele debocha, levantando as sobrancelhas para mim.
Eu: Vão andando.-digo, seco.
Travis: Boa sorte, Birch.-o outro provoca, antes de começarem a se afastar.
Fico ali, meio deslocado, com o coração batendo rápido demais pra alguém que não se importa. Ainda tô ressentido. Nosso confronto no corredor só deixou o clima entre nós ainda mais estranho. Não tinha sido exatamente uma briga, mas também não foi uma conversa, mas tinha deixado no ar aquele tipo de silêncio que pesa mais que grito.
Eu: O que foi?-pergunto, cruzando os braços. A defensiva já vem automática.
Ela hesita por um segundo.
Verônica: Eu... posso falar com você?
Dou um meio sorriso torto. Droga, era inevitável.
Eu: Você já tá falando.
Ela suspira, como se estivesse se preparando pra algo maior do que realmente é. E isso me irrita um pouco. Porque, contra tudo que eu queria, eu fico.
Ainda chapado.
Ainda de mau humor.
Mas ficando.
Porque, no fundo, quando a Verônica me chama pelo nome daquele jeito, parece que ignorar dá mais trabalho do que ouvir.
Eu: Então...?-pergunto, a vendo se aproximar, tímida e lentamente- O que você quer, princesinha?
O apelido atinge em cheio. As bochechas dela ficam vermelhas, queimando de vergonha. Mas eu sei. No fundo, ela gosta.
Verônica: Ãhn...-ela enrola, parecendo pensar no que dizer- Sobre nossa monitoria...
Ah, claro, monitoria. Que cabeça minha pensar que ouviria um pedido de desculpas de Verônica Baker.
Eu: O que tem?-pergunto, um tanto mais seco do que gostaria.
Verônica: Pensei em termos uma aula de matemática hoje, a prova está quase aí, né...-ela sugere, desviando o olhar para os próprios pés.
Eu: Hoje não posso.-digo, cruzando os braços- Tenho aula de teatro.
Verônica: Ah, eu soube...-cerro o olhar, como ela soube?
Ainda mais distante, vejo seus dois chaveirinhos nos observando. Ambos com o mesmo olhar curioso que Maybel tinha quando me encontrou com a professora de teatro hoje mais cedo. Garota fofoqueira.
Verônica: Fiquei feliz por você. De verdade.-ela continua, roubando novamente minha atenção.
Eu: Valeu.-agradeço, tentando conter o verdadeiro sentimento que toma meu coração. Emoção essa acompanhada de um brilho cor-de-rosa intenso que surge por de trás da loira. Droga, ele de novo não...
Walter: Meu Deus! Você ouviu isso, garoto? Ela está orgulhosa de você!-ele exclama, dando cambalhotas no ar- Maury! Me diga que não estou sonhando!
Maury: Tá, e quanto tempo depois de ficar orgulhosa ela fica com tesão?-ele indaga, apoiando a cabeça monstruosa sobre a mão, totalmente entediado.
Walter: Que mané tesão, Maury! Isso é amor!
Balanço a cabeça, tentando ignorar a discussão absurda entre um besouro gigante e um tarado profissional.
Eu: Acho...-olho pros dois monstros quase saindo no soco-Acho ótimo.
Verônica: Ótimo o quê?-ela pergunta, desconfiada.
Eu: Isso...-aponto vagamente- O que você falou.
Ela me observa por um segundo, claramente tentando entender minha mudança repentina de humor.
Verônica: Tenho time de debate depois da aula.-continua-Posso esperar você sair do teatro e a gente ir junto pra sua casa estudar. O que acha?
Eu: Claro. Acho ótimo.-repito, rápido demais.
Verônica: Certo...-ela murmura- Então... nos vemos depois?
Eu: Nos vemos depois.-respondo, já virando de costas e seguindo em direção à sala. Eu tava chapado demais pra processar tudo aquilo.
Verônica:O que deu nele?-ouço ela sussurrar, provavelmente pra Maybel e Louis.
Atrás de mim, os dois idiotas continuam discutindo.
Maury: Fala pra ele que você só quer dar uma dentro na loirinha!
Walter: NÃO!-ele rebate, estridente- Diz pra ele que você está perdidamente apaixonado pela Verônica!
Aperto o passo.
Talvez eu não soubesse ainda o que eu queria.
Mas, pela primeira vez em muito tempo, alguma coisa no meio daquele caos... parecia valer a pena escutar.
VOCÊ ESTÁ LENDO
pretty little problem | judd birch
FanfictionNessa fanfic do universo de "Big Mouth", Verônica Baker é a garota mais popular da Escola Bridgeton Middle School, a típica patricinha de currículo exemplar e aparência invejável. E com o início do seu último ano escolar, tudo deveria continuar assi...
