Judd Birch point of view
***: Ei, qual foi, Judd?-escuto a voz familiar de Cass me chamar e, assim que fecho a porta do meu armário, me deparo com sua expressão nem um pouco amigável.
Eu: Bom dia para você também, Cass.-respondo, naturalmente, guardando meus livros na mochila.
Cass: Bom dia? Você me mandou mensagem e me deixou esperando igual uma tonta.
É, isso era em parte verdade.
Assim que meti o pé da cena embaraçosa com o novato, não tinha mais clima nenhum para transar, até porque não sabia ao certo o que fazer a respeito. Verônica não acreditaria em mim sem provas. Mas como eu poderia deixar ela cair no papo furado daquele otário? Ainda que uma estúpida, a Verônica era... a Verônica.
Mas, apesar de ter custado a me lembrar de avisar a Cass, depois que eu voltei para casa, tomei um banho gelado, jantei, irritei o Nick, fiz a lição de casa, irritei o Nick de novo, f1... aí eu me lembrei de enviar uma mensagem dizendo que não iria mais.
Eu: Eu te avisei, não avisei?
Cass: Está me zoando?
Eu: Qual a tua, Cass? Tá achando que é minha namorada agora?
A pergunta caiu por terra acompanhada de um silêncio ensurdecedor. Cass apenas vira as costas e vai embora. Maluca.
Mas antes que eu tomasse meu rumo para o caminho oposto, tenho o caminho bloqueado por um brutamontes de uniforme de lacrosse. Jake.
Eu: Tá precisando de ajuda para sair da minha frente ou...?
Jake: Escuta aqui, esquisitinho,-ele diz, engrossando a voz, com o dedo no meu peito- eu não sei o que você acha que viu ontem, mas se você falar qualquer coisa para a Verônica eu juro que eu...
Eu: Ei, esquisitinho doeu.-debocho, mas tirando com firmeza seu dedo imundo da minha frente- Não dou a mínima para o que você tem para dizer. Se você não fez nada de errado, por que está tão preocupado?
Jake: Está avisado.-ele conclui, me empurrando contra o armário para seguir o caminho.
Meu sangue ferve. Cerro os punhos.
Mas quando estou prestes a segui-lo, uma mãozinha segura meu ombro, me impedindo.
***: Onde você pensa que vai?-quando me viro para encarar a dona da voz, sinto meu coração vacilar.
Eu: O que você quer, Verônica?
Verônica: Eu vi o Jake te empurrando, o que você fez?-ela pergunta, cruzando os braços.
Eu: Você mesma disse que viu ele me empurrando, e fui eu que fiz alguma coisa?-rebato e, por um segundo, ela abaixa a guarda, mas continua desconfiada- Você não o conhece, Verônica.
Verônica: O que quer dizer?
Eu: Você não acreditaria em mim se eu contasse.-respondo, dando de ombros, mas com a mente gritando para contar toda a verdade a ela- E, como você disse ontem, você não me pediu ajuda.
E assim eu saio, a deixando sozinha.
Verônica Baker point of view
"Como você disse ontem, você não me pediu ajuda."
E, mais uma vez, a voz de Judd não saía da minha cabeça. Se não bastasse todos os conflitos internos que eu estava tendo, ele estar mais uma vez com a razão caía sobre minha cabeça como uma bigorna.
Louis: E quando eu cheguei ele...-quando entro na sala e me aproximo de Louis e May, eles se calam imediatamente. Não costumávamos brigar com frequência e, quando acontecia, normalmente as coisas se ajeitavam naturalmente, mas dessa vez as coisas pareciam diferentes.
Eu: Não precisam parar de falar só porque eu cheguei.-comento, me sentando em meu lugar de sempre, só que ele estava longe de parecer o mesmo. May abaixa o olhar, com a expressão indecifrável, parecia ressentida e culpada ao mesmo tempo. Já Louis respira fundo, nitidamente de saco cheio da situação.
Louis: Não vou tolerar drama feminino a essa hora da manhã.-ele anuncia, cruzando os braços e endireitando a postura em sua classe. Mas, com o silêncio denso que se instaura, ele retoma a palavra.-Vocês não vão conversar?
May e eu nos entreolhamos, caladas, mas conversando mentalmente.
Faço um sinal com a cabeça para convida-lá para irmos conversar em outro lugar antes da aula.
Ela suspira e balança a cabeça, lentamente concordando.
Louis: Ótimo.-ele diz, mexendo as mãos como quem nos incentivava a levantar- Se estiverem vivas até o intervalo, encontro vocês no lugar de sempre.
Dito isso, nos levantamos de fato e nos encaminhamos ao nosso lugar secreto. Tá, nem tão secreto assim. Mas no topo das arquibancadas do campo de futebol, o ponto estratégico que sempre nos excluíamos para conversar sobre assuntos importantes, ou só pegarmos um sol em paz entre uma aula e outra.
Assim que nos sentamos, o ar parecia sentir a tensão e fica ainda mais rarefeito, como se só o nó gigantesco em minha garganta não fosse o suficiente. Encarávamos nossas mãos, sem dizer uma palavra, até que o silêncio se torna insuportável e as duas disparam tudo que estava engasgado.
Eu: Me desculpa, May! Eu não sei o que houve com você, mas eu sei que eu...
May: Desculpa, Vero, eu não tinha o direito de...
Sem nos entender, interrompemos o desabafo com risadas aliviadas. Sabíamos que, apesar de tudo, íamos nos resolver.
May: Você primeiro.
Eu: Eu sinto muito por estar sendo uma amiga de merda, May.-digo, com a voz trêmula- Eu estou acostumada a ter tudo sob controle, e toda essa confusão com meus sentimentos me cegou, não enxerguei que você precisava de mim. Eu sinto muito mesmo.
May: Eu também peço desculpas, Vero, você sabe que eu tenho dificuldade em pedir ajuda... Você não tinha como adivinhar que meus pais estão se divorciand...
Eu: Seus pais estão se divorciando?-repito, surpresa. Os pais de Maybel eram referência de pais para mim: sempre presentes e aparentemente apaixonados... bem diferente do que eu tinha em casa. Se, para mim era uma notícia chocante, imagina para May.
May: É.-ela afirma, melancólica- Meu pai engravidou a secretária.
Eu: O tio Ron fez... o que?-minha boca abria mas as palavras não saíam. Não tinha ideia do que dizer numa situação como essa.
May: Inacreditável, né?-ela ri, mas sem humor- Quando me avisaram, era só uma separação, repentina e estranha. Aí veio a gravidez da amante. Não tínhamos certeza se era dele até ontem...
Eu: Meu Deus, May, eu sinto tanto que você esteja passando por isso.-murmuro, a abraçando, sentindo seu corpo rígido ceder aos poucos, aceitando o colo- E sinto mais ainda não ter percebido isso antes...
May: Tudo bem, Vero, você também tem suas questões... Eu não devia ter sido tão dura com você.
Eu: Devia sim, eu mereço.-digo, segurando suas mãos e a olhando nos olhos, firme- Você pode se abrir comigo, sempre, e se você não conseguir, eu tenho que reconhecer quando você precisa.
May: Obrigada, amiga.-ela agradece, sorrindo- Eu nunca quis ter dito que você era uma...
Eu: Tudo bem.-a interrompo, ela não precisava dizer mais nada- Mas, tirando isso, mais alguma novidade?
May: Hm...-ela murmura, pensando- Ah! Me inscrevi no grupo de teatro!
Eu: Sério?-indago, realmente surpresa. Normalmente as ideias de May nunca saíam do papel, ainda mais quando se tratam de assuntos acadêmicos.
May: Sim!-ela exclama, visivelmente feliz- Está sendo bem divertido, e a professora McFlynn disse que eu levo jeito para a coisa!
Eu: Viu?-digo, naquele tom de eu te avisei- Te disse que você tinha talento pro drama!
May: Ei!-reclamou, me dando uma cotovelada, brincalhona- Ah, e sabe quem parece que vai entrar para a aula?
Eu: Quem?
May: Judd Birch.-ela responde e eu arregalo os olhos, outro que nunca imaginaria que levaria meus conselhos a sério.
Eu: Está brincando?
May: Se eu não tivesse visto, eu também não acreditaria.-ela admite, erguendo as mãos em juramento- Fui ao auditório hoje de manhã para entregar uns papéis para a professora e vi os dois conversando, ela estava elogiando a iniciativa dele, mas que mesmo que fique no som, vai ter que participar das aulas.
Eu: Caramba, quem diria...-reconheço, impressionada.
May: Mas e vocês?-ela indaga, mudando de assunto e de expressão, assumindo sua personalidade de sempre-Matando aula juntos...
Eu: Ah...-deixo escapar, pensando no que responder- A história é longa.
May: Olha que coincidência...-ela ironiza, olhando o pulso como se tivesse um relógio ali- Temos tempo!
Eu: Tá.-cedo, respirando fundo- Vou te contar tudo.
May: Nos mínimos detalhes!
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pretty little problem | judd birch
FanfictionNessa fanfic do universo de "Big Mouth", Verônica Baker é a garota mais popular da Escola Bridgeton Middle School, a típica patricinha de currículo exemplar e aparência invejável. E com o início do seu último ano escolar, tudo deveria continuar assi...
