33 - Breaking silence

719 87 10
                                        


Voltei~

Lembram que comentei sobre as ideias que eu tinha para a nova fic? Então, quero saber da preferencia de vocês, tenho dois temas, super-herói ou vampiro, qual preferem? 

Vou fazer a que tiver mais votos, mas não se preocupem que a outra ideia será desenvolvida também, só não vou conseguir ao mesmo tempo hehe 

Boa leitura! Não esqueçam da estrelinha!

—————————————————————————————————————


A sensação de estar sozinha com ele no mesmo espaço me fez respirar fundo. O ambiente não era tão familiar quanto o da nossa antiga casa, mas era simples e aconchegante. Não tinha som algum para interromper aquele silêncio, nem mesmo o tic tac de algum relógio, pois minha mãe não gostava deles, tinha aversão ao barulho irritante.

Mamãe e Becky saíram discretamente, e a última coisa que ouvi foi a voz da dona Nun dizendo que ficariam nos fundos da casa, perto das plantas que ela tinha cuidado tanto nas últimas semanas. Acho que as duas sabiam o que eu precisava. Estavam me dando espaço para lidar com isso, mas eu não estava certa se era um bom espaço ou apenas um vazio. Por um instante, a sensação de desconforto me envolveu por completo.

O que fazer agora?

Fiquei sentada, de frente para ele, sem saber se devia esperar que ele falasse algo. Eu não sabia como começar. Ele não tinha mais poder sobre minha vida, não tinha mais direito de se meter, não depois de tudo que aconteceu. Mas ele era o meu pai. E parte de mim ainda queria entender o que realmente aconteceu e se a explicação que ele me desse faria algum sentido.

Então, eu deixei o silêncio se arrastar por mais um tempo. Ele não estava dizendo nada, mas também não parecia ansioso para preencher o vazio. Aquela conversa já começava a se arranhar na superfície, e eu podia sentir que as palavras estavam prestes a sair.

Finalmente, ele falou, arrastando a voz, como se tivesse perdido o costume de se comunicar comigo.

— Como você está? — perguntou, e logo continuou, tentando parecer casual. — Como foi a mudança para este país?

Levei um tempo para responder.

— A mudança foi estranha no começo. — Respondi a segunda pergunta, ignorando a outra propositalmente. — Mas com o tempo me acostumei e passei a gostar muito daqui.

Sua cabeça balançou, entendendo o que eu dizia.

— Está na faculdade, certo? Presumo que esteja estudando música. Lembro que você tocava bastante.

Aquela palavra "música" parecia tão distante agora. Eu já não era mais a mesma garota que ele conheceu. Não era mais a garotinha que passava horas treinando violino sonhando em tocar numa orquestra. A música ainda estava dentro de mim logicamente, mas era diferente, eu tocava apenas para mim mesma, para minha mãe e meus avós, até mesmo consideraria tocar regularmente para Becky se assim ela desejasse.

— Estudo artes. — Disse, sem emoção, apenas respondendo. — Eu toco para poucas pessoas.

Ele não respondeu de imediato. Eu vi os olhos dele brilharem um pouco, como se tivesse sido atingido por uma lembrança. Não demorou muito para que eu me sentisse apertada, algo quente se formando no meu peito, aquele aperto estranho, a sensação de que um pedaço de mim ainda queria estar lá, com ele.

SunshineOnde histórias criam vida. Descubra agora