À Sombra do Desejo

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Pela fresta do tempo maldito,Uma voz chama, um riso bendito

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Pela fresta do tempo maldito,
Uma voz chama, um riso bendito.
Doce veneno, perfume de espinho,
Ouço passos de bruma no meu caminho.

O ar curva-se num sussurro frio,
Tece promessas em tom de arrepio.
Mãos invisíveis que controlam o vento,
Sopram desejos e dobram o tempo.

Há brilho em olhos que não posso ver,
no escuro, faíscas a querer nascer.
O verbo é ouro, o toque é nada,
mas queima a pele como brasa calada.

A um fio da queda, a um fio do sim,
Ele estende a mão, chama por mim.
Mas aquele que o reconhece e resiste,
É quem ele mais tenta e não desiste.

-Henrique Oliveira

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