Torções

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Torcido pela dor, eu torço,Com a alma no avesso, eu forço,Remendo as veias com aço!Mas e o nosso laço

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Torcido pela dor, eu torço,
Com a alma no avesso, eu forço,
Remendo as veias com aço!
Mas e o nosso laço...?
Deslaço ou reforço?

Foste um verso em reverso,
Uma promessa num universo adverso.
Acabaste em silêncio disperso.
Eu fui um verso imerso,
ceifado num amor perverso.

Dei-te a alma, sem muros, sem cerca,
Deste-me de volta a tua alma seca,
Fizeste da minha entrega, minha queda,
Gritei por ti, nas minhas preces,
Descartaste como uma peça, sem pressa.

Poeta que sou, rimas e rimas,
Mas tu rimaste carinho com castigo,
Abraço com perigo, rudeza com abrigo.
Rica dinâmica contigo!
Enquanto dizia "eu fico".

Fico?
Fiquei.
Fiquei menos.
Fiquei sem.
Fiquei cego no que vi além.

Nas dobras de dor, multipliquei-me,
Nas sobras de amor, me dividi,
Em cada canto, sussurrei-me:
"Não volta, mas ainda está aqui".

Torcido de dor, eu torço,
Torço o tempo a meu favor,
Transformo dor em cor,
Torço os teus espinhos em licor,
Doce e puro para o meu futuro amor.

~Henrique Oliveira

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