Amor, Poder e Loucura

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O amor é um surto, um lapso da mente,um labirinto onde a saída se apaga

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O amor é um surto, um lapso da mente,
um labirinto onde a saída se apaga.
No começo, um brilho insistente,
depois, uma febre que te esmaga.

Aqui ninguém quer sentir sem cálculo,
ninguém mergulha sem medir o ar.
Seguram as rédeas do próprio impulso,
como quem doma a sede de afogar.

Cada olhar é falso e bem ensaiado,
um teatro de falas medidas a fio.
O que chamam de entrega é só fardo,
um jogo cínico e infantil, um vício frio.

Prometem calor, entregam inverno,
dançam sem ritmo, para te enganar,
vestem o teu sonho, vendem o inferno,
prendem a alma e chamam de amar!
Comem-te a sorte e chamam de enredo,
seguem um padrão, sem se desviar.
Puro amor para eles é um medo,
o medo de dar sem poder cobrar.

E eu, que ainda busco um traço de febre,
que ainda acredito em perder a razão,
só vejo amantes contentes na vantagem,
envenenando a sua própria paixão.

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