Silêncio Azul

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Gritas ao vento mas este não traz,a voz que tu esperas ficou para trás,Procuras nos olhos um rastro de mim,mas só ouves silêncio no teu jardim

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Gritas ao vento mas este não traz,
a voz que tu esperas ficou para trás,
Procuras nos olhos um rastro de mim,
mas só ouves silêncio no teu jardim.

Quis que olhasses por mim, um dia,
que visses o meu pranto na tua alegria.
Mas o Sol não ilumina a sombra fria
e a vida apenas segue a sua trilha.

Agora sou água, sou frio e ausência,
mar sem espuma, sou transparência.
Infinita extensão de azul calado,
onde o tempo dorme e estou guardado.

E olho por ti, como sempre olhei,
mas nunca soubeste e nunca notei.
Se sentes um frio e não sabes porquê,
sou eu que te toco sem te ver.

Sou a brisa noturna, gota fria na pele,
o peso invisível que o teu peito repele.
Sou a sombra que te acompanha,
sou quem te persegue e nunca ganha.

De longe, vejo-te afundar,
"Queria alguém a olhar por mim!".
Dizias e pouco procuravas, afundavas,
e cinquenta metros abaixo, estou aqui.

E no silêncio azul, onde o mundo apaga,
estendo a mão mas a corrente arrasta,
o teu grito é bolha que sobe e se perde,
e sem ar, exausto, o meu corpo cede...

~Henrique Oliveira

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